Jogos

Earth Atlantis Abyss faz da luz o preço de cada resposta em seu roguelike de mundo submerso

Pixel Perfex e Eccentrix Studios transformam o shooter de monstros marinhos numa descida em sete camadas que troca segurança por verdade
Cassian Vale
Adicione-nos no Google

O oceano de Earth Atlantis nunca foi exatamente um cenário, e sim um veredito. O shooter da Pixel Perfex imaginava um planeta engolido quase inteiro pelo mar, onde máquinas tinham se adaptado até virar predadores marinhos e um submarino solitário as caçava entre os destroços, tudo desenhado num traço riscado, de caderno de esboços, que lembrava as velhas cartas náuticas lotadas de monstros. Earth Atlantis Abyss volta a esse mundo submerso com outra pergunta: não até onde você consegue ir, mas até que profundidade está disposto a descer.

YouTube video

A resposta está na própria estrutura. Desenvolvido pela Pixel Perfex em parceria com a Eccentrix Studios e publicado pela Rising Tide Publishing, Abyss é um roguelike shoot ’em up dividido em sete camadas de descida, cada uma mais escura que a anterior. A ideia que organiza tudo é a luz. O holofote do submarino é o jeito de enxergar o que vem pela frente, e o jogo o trata como um recurso a ser racionado: cada passo para baixo troca um pouco mais de visibilidade, e um pouco mais de segurança, por respostas.

The submarine spotlight cuts through darkness beside sunken temple ruins in Earth Atlantis Abyss
Image: Pixel Perfex / Eccentrix Studios / Rising Tide Publishing

Essas respostas são pessoais. Você controla Pypher, uma capitã de dezessete anos que leva o velho submarino do avô até o ponto onde ele desapareceu três anos antes. Herói, rebelde, traidor: cada pessoa na superfície conta uma versão diferente dele, e a história vai emergindo camada por camada conforme você mergulha. É um motor pequeno, familiar, para um gênero que costuma girar em torno de recordes de pontuação.

Cada camada termina com um chefe, oito no total, enfrentados no registro bullet hell pelo qual a série é conhecida. Entre essas lutas, o jogo vira algo mais calmo e cerebral: um quebra-cabeça de encaixe. Armas, motores, drones e módulos de casco chegam em formatos diferentes, e todos precisam caber numa pequena grade dentro da nave. Peças iguais se fundem para subir de nível; duas armas diferentes podem ser combinadas num híbrido usando uma Dwarf Star (estrela anã) arrancada de um chefe derrotado. Calor e energia também exigem atenção, senão as armas travam no meio do combate. A promessa é que nenhuma partida monte a mesma nave duas vezes.

The grid-based ship-building screen with weapons, engines and drone modules in Earth Atlantis Abyss
Image: Pixel Perfex / Eccentrix Studios / Rising Tide Publishing

É o encontro de dois temperamentos. A Pixel Perfex, estúdio independente de Bangkok, na Tailândia, traz a franquia e sua atmosfera, agora em pixel art detalhada no lugar do traço rabiscado do original. A Eccentrix Studios, equipe mais nova com três projetos originais em desenvolvimento, traz os sistemas de build. No anúncio, Justin Paulsen, fundador da Rising Tide Publishing, apresenta o jogo justamente como essa colaboração, elogiando mecânicas que ele chama de “intensas, claustrofóbicas e profundas” e admitindo que seus testes sempre acabam virando “mais uma partida só pela diversão”.

O cooperativo faz parte do projeto, tanto local em tela compartilhada quanto online. Earth Atlantis Abyss chega ao PC via Steam, com lançamento previsto para o primeiro trimestre de 2027.

Para uma série que nasceu como uma caçada por um mapa alagado, a virada para dentro cai bem. Os monstros continuam lá embaixo. O que Abyss acrescenta é o escuro entre eles, e a pergunta de quanta luz uma neta está disposta a gastar pela verdade.

Tags: , , , , ,

Adicione-nos no Google

Discussão

Há 0 comentários.