Tecnologia

iPhone Duo: a Apple abre mão do Face ID pela dobra — e cobra US$ 1.999

Adrian Kessler

A Apple construiu seu primeiro telefone dobrável, e o número que mais importa não é o preço nem o tamanho da tela. É uma subtração. Para fazer o iPhone Duo fechar rente e abrir como um pequeno tablet, a Apple retirou o Face ID — o conjunto de sensores que passou quase uma década dizendo aos clientes que era o futuro de como um telefone deveria reconhecer seu dono.

Essa é a troca que o Duo realmente representa. Não um telefone que faz mais, mas um telefone com formato diferente, pago com a renúncia de algo. O hardware de sensor de profundidade por trás do Face ID precisava de espaço no topo do telefone, e um dobrável não tem espaço de sobra. Então a Apple transferiu a leitura de impressão digital para o botão lateral, escondeu a câmera frontal sob a tela interna, onde desaparece quando ociosa, e pediu que os compradores aceitassem o iPhone mais caro já vendido em troca da dobra.

O iPhone Duo começa em US$ 1.999 para 256 GB e ultrapassa US$ 3.000 no nível máximo de armazenamento — cerca de US$ 700 a mais que o iPhone convencional mais caro, o 18 Pro Max. As pré-vendas começam em 16 de outubro, com o telefone chegando às lojas em 23 de outubro em mais de setenta países e o restante até o fim do mês. Ele foi apresentado em 9 de setembro em um evento que a Apple chamou de “Surprise and shine”, o primeiro keynote liderado por John Ternus desde que se tornou CEO, que o chamou de “a mudança mais transformadora para o iPhone desde o original”.

Aberto, o Duo é o iPhone mais fino que a Apple já fez. A tela interna é um painel Super Retina XDR de 7,6 polegadas com acabamento nano-texturizado antirreflexo; a tela externa mede 5,4 polegadas. Ambas operam com taxas de atualização ProMotion, ficam sempre ligadas e atingem 3.000 nits. A moldura é de titânio grau 5 polido como espelho, a dobradiça é montada com mais de cem peças, e o dispositivo inteiro tem classificação IP68 de resistência à água até seis metros — nada fácil para um telefone com uma junta no meio. Um novo chip A20 Pro, fabricado em processo de dois nanômetros, o impulsiona.

O que o dinheiro não compra é uma câmera melhor que a do iPhone mais barato. O Duo traz dois sensores Fusion de 48 megapixels, um par capaz, mas abandona a teleobjetiva dedicada de longo alcance e o alcance fotográfico que o iPhone 18 Pro — centenas de dólares mais barato — ainda oferece. O ponto foi deixado claro em toda a cobertura do lançamento: em vários aspectos, o Pro padrão é o telefone mais bem equipado. Você está pagando o prêmio pelo formato, não pela fotografia.

iPhone Duo held folded in one hand and unfolded in two hands, comparing the outer and inner display sizes
Photo: Apple

Nada disso é novidade para a indústria, apenas para a Apple. A Samsung vende telefones dobráveis no estilo livro há anos, e o formato de passaporte do Duo e a Split View lado a lado — dois aplicativos ao mesmo tempo, uma novidade no iPhone — parecerão familiares para quem já segurou um Galaxy Z Fold. A aposta da Apple não é que ela inventou o telefone dobrável, mas que pode fazer aquele que as pessoas mantêm: durável o suficiente, fino o suficiente, polido o suficiente para justificar chegar tarde e cobrar mais.

A expectativa leu corretamente a forma do sacrifício — os vazamentos já apontavam tanto o preço de quase US$ 2.000 quanto a morte do Face ID meses antes. O que nenhum vazamento conseguiu transmitir é como ele se sente na mão: um iPhone que não olha mais para o seu rosto para deixar você entrar, porque o hardware de escaneamento facial perdeu a briga com a dobradiça.

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