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Nvidia aumenta em US$ 100 o Shield TV Pro de sete anos por causa da IA

Susan Hill
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A Nvidia aumentou em 50% o preço do Shield TV Pro, sem mudar nada dentro da caixa. Ele continua com o mesmo chip, a mesma memória e o mesmo armazenamento de sete anos atrás. A Nvidia também deixou de vender o Shield TV mais barato, em formato de tubo, e agora o Pro é a única porta de entrada para sua plataforma de streaming.

Para quem está procurando um aparelho de streaming, o aumento transforma o Shield, antes uma pechincha para entusiastas, em um produto premium. Ele agora custa mais do que o Apple TV mais caro da Apple e o dobro do TV Streamer do Google. Quem já tem um não perde nada. Já quem precisa substituir um aparelho que parou de funcionar ou equipar uma segunda TV terá de pagar a diferença.

O aparelho agora custa US$ 299,99, ante US$ 199,99, ficando US$ 50 acima do Apple TV 4K de 128 GB com Ethernet. Por esse valor, os compradores ainda levam um chip Tegra X1+, 3 GB de RAM e 16 GB de armazenamento — a mesma configuração que a Nvidia oferecia desde o lançamento.

A explicação da Nvidia cabe em uma frase. “O custo dos componentes, incluindo a memória, aumentou substancialmente em todo o setor”, disse um representante da empresa. Os fabricantes de memória têm direcionado a produção para a memória de alta largura de banda de que os servidores de IA precisam. Como resultado, a memória RAM convencional e o armazenamento flash usados em celulares, laptops e aparelhos de TV ficaram mais escassos e caros.

Há uma ironia que a Nvidia não mencionou. Seus aceleradores para data centers — os chips que estão no centro do boom da IA — são construídos com pilhas desse mesmo tipo de memória de alta largura de banda. Agora, a empresa cujo negócio de IA está consumindo a oferta de memória do setor repassa a conta a quem comprou seu aparelho para assistir a filmes na sala de casa.

O Shield é o mais recente de uma série de aparelhos de streaming que ficaram mais caros sem melhorar. A Apple aumentou o preço do Apple TV 4K de US$ 129 para US$ 199. A Roku elevou o preço de tabela de todos os aparelhos que vende, alguns em 50%, sem acrescentar nenhum recurso em troca. O Google subiu o preço do TV Streamer de US$ 100 para US$ 150. Todas essas empresas apontaram os custos dos componentes.

O Pro ainda tem bons motivos para existir. O recurso de upscaling com IA melhora a nitidez de transmissões em HD em telas 4K; o aparelho é compatível com Dolby Vision e Dolby Atmos, roda jogos na nuvem pelo GeForce Now e tem duas portas USB 3.0 que permitem usá-lo também como servidor de mídia Plex. A Nvidia também manteve o aparelho atualizado por muito mais tempo do que a maioria dos dispositivos Android TV, o que ajudou a conquistar uma base fiel de usuários.

Essa longevidade também tem seu porém. Por US$ 299,99, o comprador leva um aparelho com Android 11, sem decodificação por hardware para AV1 — formato de vídeo cada vez mais usado pelo YouTube e pela Netflix — e com apenas parte dos 16 GB disponível depois que o sistema ocupa seu espaço. A Nvidia não informou se o preço mais alto será permanente, se um sucessor está a caminho ou se os preços fora dos EUA também vão subir. O estoque também é limitado: a Best Buy chegou a anunciar unidades por cerca de US$ 249, mas elas se esgotaram.

O novo preço entrou em vigor em 2 de outubro, quase exatamente sete anos depois que o Shield TV Pro chegou ao mercado por US$ 199,99, em outubro de 2019. O aumento veio depois dos reajustes da Apple, no fim de junho, da Roku, no fim de julho, e do Google, no fim de agosto. No início deste ano, a Nvidia disse que continuaria oferecendo atualizações de software para o Shield no futuro previsível, e esse compromisso continua de pé.

Depois de sete anos, o Shield TV Pro ganhou um adicional de US$ 100 e nenhuma peça nova.

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