Tecnologia

Um robô chinês percorreu 100 m em 9,39 s — o mesmo demorou 21,5 no ano passado

Susan Hill

A máquina que correu mais rápido do que qualquer ser humano na história se chama Tiangong Ultra, e cruzou a linha de chegada dos 100 metros em 9,39 segundos no sábado. O recorde de Bolt em Berlim em 2009 — aquele que nenhum humano quebra há dezessete anos — é de 9,58 segundos. A diferença é de 0,19 segundo.

A prova aconteceu no segundo World Humanoid Robot Games anual, em Pequim, uma competição organizada pelo Beijing Humanoid Robot Innovation Center que reuniu mais de 2 mil máquinas em 51 eventos. A Honor, fabricante chinesa de smartphones, inscreveu um robô chamado Lightning, que correu os mesmos 100 metros em 9,47 segundos e depois venceu a meia-maratona em 50 minutos e 26 segundos. Ambas as corridas superaram o tempo de Bolt. Ambas aconteceram na mesma manhã de sábado de agosto, durante um evento que a maioria das pessoas fora de Pequim nem sabia que existia.

O número que importa mais do que 9,39 segundos é o que veio antes. Nos jogos inaugurais do ano passado, o Tiangong Ultra percorreu a mesma distância em 21,5 segundos. A melhora de 21,5 para 9,39 aconteceu em doze meses. Nenhum marco da engenharia na história do atletismo competitivo mostra uma taxa de mudança dessas numa escala de tempo tão curta.

Mas o evento não foi uma corrida no sentido convencional, e o que aconteceu depois da linha de chegada contou uma história mais complicada. Os dois robôs bateram direto na proteção. Vários competidores precisaram de assistência humana para serem retirados da pista. Os jogos inaugurais do ano passado foram marcados por quedas repetidas — algumas espetaculares — que foram um lembrete honesto de quanto a locomoção bípede ainda precisa evoluir antes de se parecer com qualquer coisa parecida com o movimento que Bolt produziu em 2009. Esses robôs conseguem correr mais rápido do que qualquer ser humano jamais conseguiu. Ainda não conseguem parar sem bater numa parede.

A China tornou a robótica humanoide uma prioridade de Estado, e os jogos de Pequim refletem esse investimento. Nesta mesma semana, a divisão de robótica da XPeng anunciou que captou mais de US$ 900 milhões a uma avaliação de US$ 6,3 bilhões, com produção prevista para antes do fim de 2026. As provas dos jogos variaram de futebol e tênis de mesa a boxe e meia-maratona — exercícios de pesquisa tanto quanto competições, projetados para testar ao limite locomoção, coordenação e resistência em máquinas que um ano atrás mal conseguiam cruzar uma linha de chegada em pé.

Quer os robôs que competem nos jogos sejam ou não comercialmente viáveis — não são, na admissão dos próprios desenvolvedores — os 9,39 segundos já estão no livro dos recordes. O World Humanoid Robot Games vai até 26 de agosto.

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