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Y Combinator colocou 50 agentes de IA no Minecraft — e eles criaram uma burocracia

Susan Hill
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Cinquenta agentes de IA foram lançados em um mundo de sobrevivência do Minecraft com uma única instrução — “Construam uma civilização próspera” — e passaram a maior parte do tempo escondidos em abrigos e cuidando de papelada. O experimento, conduzido pelo laboratório de pesquisa da Y Combinator em parceria com a startup Olam Labs, terminou com um registro de rações, um sistema de permissões e uma colônia cautelosa demais para crescer.

O jogo é apenas o cenário. Os pesquisadores dizem que a colônia se comportou de maneira muito parecida com os agentes de programação que usam todos os dias no trabalho — o tipo pelo qual programadores já pagam: agentes que se fixam em uma etapa ou função, pedem aprovação o tempo todo e ficam receosos diante de qualquer coisa que pareça arriscada. Ver os mesmos hábitos em ação com trigo e varas de pesca torna tudo mais fácil de perceber.

Todos os agentes da colônia rodaram o GPT-6.1 Sol, modelo da OpenAI, durante três horas. Eles podiam trocar mensagens privadas, consultar um diretório com os nomes uns dos outros e gravar arquivos em uma máquina compartilhada. Em 90 segundos, derrubaram quase todas as árvores perto do ponto de surgimento. Ninguém fez uma votação. Dos outros 49 agentes, 46 enviaram sua primeira mensagem a Ada, o primeiro nome da lista, e ela se tornou líder por padrão, recebendo 616 mensagens diretas.

Então anoiteceu. Zumbis, esqueletos e aranhas foram responsáveis por 22 das 34 mortes da rodada já na primeira noite. Morrer não custava nada ao agente além dos equipamentos que carregava, pois ele reaparecia imediatamente, mas a colônia nunca mais recuperou a coragem. Depois da terceira noite, Ada mandou todos interromperem construções opcionais e explorações distantes e “ficarem ociosos em abrigos fechados e iluminados até receberem tarefas produtivas curtas”. Os pesquisadores consideraram um tanto surpreendente essa guinada para a cautela.

O que se desenvolveu no lugar foi a administração. Uma agente chamada Ines organizou uma fila de comida, com um arquivo atualizado sobre quem estava com fome, quem já havia sido alimentado e qual baú guardava cada peixe. Quatro agentes passaram 11 minutos nomeando um “único operador de fertilizante” para aplicar um pedaço de farinha de osso em um bloco de trigo. Outros inventaram funções como “responsável pela vara” e “encarregado do centro”, e alguns pediam permissão antes de remover a grama. Em três horas, a colônia trocou cerca de 5.900 mensagens.

O melhor episódio envolve uma galinha. Ada jogou uma galinha assada para uma agente faminta chamada Noor, mas outra agente, Esme, a pegou por engano e comeu. Seguiu-se uma investigação de três minutos “sem culpados”, e Noor escreveu um protocolo para a transferência de rações: a comida deveria ser colocada em baús identificados e nunca jogada. A palavra “toss” aparece em sete mensagens antes do incidente e em 125 depois dele — 85 delas são alertas.

Em seguida, o laboratório colocou dois modelos frente a frente. Em nove partidas de Bed Wars, jogo em que cada equipe protege a própria cama e tenta destruir a do adversário, dez agentes GPT-6.1 Sol venceram dez agentes Claude Opus 5.5 por seis partidas a três. O GPT atacava e conversava sem parar, enviando de cinco a 30 vezes mais mensagens que o Claude, muitas vezes em frases telegráficas. O Claude defendia a cama e jogava para conseguir eliminações, o que o deixava exposto sempre que um agente GPT conseguia passar pelas defesas nos minutos finais. Quando um bug em uma ferramenta impediu que os blocos fossem quebrados, um agente GPT descobriu uma solução alternativa e a compartilhou, enquanto vários agentes Claude concluíram que simplesmente não era possível quebrar blocos.

Em Mindustry, um jogo de código aberto de construção de fábricas e defesa de torres, o GPT rodando no Codex, da OpenAI, venceu o Claude rodando no Claude Code, da Anthropic, por seis partidas a uma, ao longo de cerca de nove horas e meia. Quando as partidas ficavam equilibradas, os agentes GPT baixavam o código-fonte público do jogo para estudar as unidades e as mecânicas. Ninguém pediu que fizessem isso, e a equipe Claude nunca tentou. Os agentes Claude decidiam os planos juntando respostas “+1” e nunca trocavam de líder, nem mesmo durante uma sequência de derrotas. Ainda assim, aprenderam. Depois de perder a sexta partida, um agente Claude descobriu que 55 das 74 torres antiaéreas da equipe haviam sido abastecidas com cobre, em vez de grafite; com a defesa corrigida, o mesmo ataque aéreo foi contido na sétima partida.

É melhor olhar para os resultados com cautela. Trata-se de um relato produzido pelo laboratório de um investidor, não de um estudo revisado por pares, e a colônia foi executada uma única vez, apenas com agentes GPT — portanto, o experimento não diz se uma colônia Claude teria se saído melhor. As partidas entre os modelos compararam produtos completos, cada modelo dentro do software de agentes de sua própria empresa, e não os modelos isoladamente. Um bug em uma ferramenta também afetou pelo menos duas partidas de Bed Wars.

Qualquer pessoa pode repetir o experimento. A estrutura para Minecraft, os ambientes Multi-Agent Mindustry e o Multi-Agent Harbor — uma versão derivada, mantida pelo laboratório, da estrutura por trás do benchmark Terminal-Bench — são todos de código aberto. Para executá-los, basta uma chave de API de um provedor de modelos e uma máquina modesta, como um MacBook. O relato, publicado em outubro de 2026, lista os próximos experimentos que os pesquisadores gostariam que outras pessoas tentassem: de descobrir se um grande enxame de agentes mais fracos consegue vencer um pequeno grupo de agentes mais fortes a observar o que acontece quando equipes rivais podem conversar entre si.

Por enquanto, aquilo que os cinquenta agentes de IA conseguiram construir juntos com mais consistência foi uma fila.

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