Jogos

Mina the Hollower alcança 93 no Metacritic e vende 500 mil cópias em duas semanas

Susan Hill

Mina the Hollower joga como um clássico do Game Boy Color tratado com rigor de design moderno. A personagem-título é uma inventora rato e engenheira de guilda chamada Hollower — uma profissão que explica sua habilidade característica: ela pode mergulhar no subsolo a qualquer momento, passando por hitboxes inimigas, atravessando lacunas e acessando passagens ocultas. Essa mecânica de escavação transforma o combate de uma corrida de dano em um quebra-cabeça espacial, e combinada com ação a sessenta quadros por segundo, uma perspectiva isométrica 3/4 e três armas iniciais distintas, produz um jogo que se move mais rápido e parece mais preciso do que sua superfície pixelada sugere.

YouTube video

A resposta da crítica foi decisiva. Mina the Hollower marca de 90 a 93 no Metacritic em todas as plataformas — a maior média agregada de qualquer lançamento até agora em 2026, colocando-o acima de Forza Horizon 6 e de todos os grandes títulos de estúdio do ano. No OpenCritic, 98% dos críticos o recomendaram, com notas perfeitas 10/10 da IGN e do Eurogamer. A IGN comparou a conquista de Mina diretamente às suas inspirações: o jogo atinge as mesmas alturas que Zelda, Castlevania e os RPGs da FromSoftware, e faz isso com recursos muito menores.

A Yacht Club Games construiu sua reputação em Shovel Knight, o platformer de 2014 que se tornou um marco para a pixel art indie. Mina the Hollower representa uma mudança significativa — um gênero diferente, um novo protagonista e um ciclo de desenvolvimento de seis anos financiado em parte por uma campanha no Kickstarter que arrecadou US$ 1,24 milhão de mais de 21 mil apoiadores. A janela de lançamento original escorregou do final de 2025 após testes internos identificarem problemas estruturais que exigiram reformulação extensa. A Yacht Club descreveu o projeto como um momento “make or break” para a independência financeira do estúdio.

O jogo oferece três opções de armas iniciais — um chicote, adagas duplas e um martelo — com duas adicionais desbloqueáveis obtidas através da exploração. Uma moeda chamada Bones financia melhorias de estatísticas de combate, enquanto bugigangas colecionáveis fornecem bônus de habilidade permanentes e armas secundárias adicionam ferramentas de suporte temporárias. O design de chefes bebe diretamente da tradição Soulslike: encontros multifásicos e padrões de ataque punitivos exigem leitura do comportamento inimigo em vez de sobrepujá-lo. A esquiva de escavação se integra diretamente à estratégia contra chefes — jogadores que a tratam como uma fuga passiva em vez de uma ferramenta de combate ativa tendem a sofrer nos encontros posteriores.

O cenário é Tenebrous Isle, um mundo de horror gótico do século XVIII renderizado em uma paleta que remete à linguagem visual do Game Boy Color sem se sentir tecnicamente limitada por ele. Mina retorna à ilha depois que seus Spark Generators falham e encontra colapso ambiental e uma conspiração envolvendo Lionel, um filantropo local, e Thorne, um ex-guarda com lealdades incertas. O compositor Jake Kaufman, que fez a trilha de várias campanhas de Shovel Knight, escreveu a trilha sonora, com faixas convidadas de Yuzo Koshiro — o compositor por trás de Streets of Rage e várias entradas da série Ys.

O principal ponto de atrito do jogo é a lacuna entre sua estética suave e as exigências que impõe aos jogadores quando o design de chefes assume o controle. Vários críticos notaram que jogadores que chegam com expectativas de aventura no estilo Zelda encontram um aumento significativo de dificuldade quando os encontros Soulslike multifásicos começam. A mecânica de fuga por escavação neutraliza muitos dos momentos mais difíceis do jogo uma vez internalizada, mas essa curva de aprendizado não é comunicada explicitamente. Apoiadores do Kickstarter que esperaram mais de três anos além da data de entrega estimada original receberam o produto final durante um período de frustração mais ampla da comunidade com atrasos de crowdfunding — contexto que moldou partes da conversa online em torno do lançamento sem afetar a recepção crítica.

O resultado comercial resolveu a questão existencial do estúdio. Mina the Hollower vendeu 300 mil cópias em seus primeiros três dias e ultrapassou 500 mil em duas semanas — o suficiente, indicou a Yacht Club, para sustentar o estúdio sem cortes de pessoal ou investimento externo. Para um jogo que exigiu seis anos e uma campanha de crowdfunding para chegar ao mercado, esse resultado valida tanto a decisão de adiar quanto a decisão de construir uma nova IP em vez de retornar a Shovel Knight.

Mina the Hollower foi lançado em maio de 2026 e está disponível para PC via Steam, GOG e Humble Store, e para PlayStation 5, Xbox Series X e Series S, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2. O motor de pixel art do jogo roda em hardware modesto, tornando-o compatível com laptops de médio porte e GPUs discretas mais antigas — um dos poucos títulos aclamados pela crítica do ano que não requer uma atualização recente de GPU para rodar com fidelidade total.

Tags: , , , , ,

Discussão

Há 0 comentários.