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Adultos na Disney+: a 2ª temporada joga os cinco colegas de casa do Queens em um triângulo amoroso

Jun Satō

Eles batizaram a série de Adults, e a palavra carrega ao mesmo tempo a piada e a dor. Cinco amigos na casa dos vinte anos dividem um lar no quarto de infância de um deles, no Queens, ensaiando uma maturidade que nenhum deles de fato alcançou. A segunda temporada se recusa a dar a trégua de deixar tudo como está. Ela pressiona exatamente o ponto que uma casa compartilhada não consegue absorver: dois de seus membros começando a se desejar.

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Adults é uma comédia de elenco com episódios de meia hora, criada e escrita por Ben Kronengold e Rebecca Shaw, dupla de roteiristas que se casou entre uma temporada e outra. A premissa é doméstica e enxuta. Samir, Billie, Paul Baker, Issa e Anton dividem refeições, ansiedades e, nas manhãs ruins, até escovas de dente — tudo dentro da casa onde Samir cresceu. O texto oficial os descreve como um grupo de jovens na casa dos vinte tentando ser boas pessoas, o que é generoso considerando a frequência com que conseguem. Internacionalmente, a série está no Disney+. Ela chega com a aparência de mais uma comédia de apartamento sobre gente que não tem condições de sair de casa, e essa leitura não está errada — só está incompleta.

O que separa a nova temporada da primeira é a estrutura. A primeira temporada apresentou o grupo como um conjunto de esquetes sobrepostos, uma casa aprendendo suas próprias regras. A segunda temporada se compromete com uma linha narrativa. Os oito episódios canalizam a comédia através de um triângulo amoroso dentro do quinteto — o tipo de complicação que um grupo de amigos é feito para metabolizar e que uma casa é feita para temer. Quando as pessoas que se desejam também dividem seu aluguel, sua cozinha e seu único banheiro, o desejo deixa de ser privado. Vira um problema de logística que todo mundo na casa precisa resolver.

O elenco continua sendo o motor. Malik Elassal interpreta Samir, o relutante senhorio da própria adolescência; Lucy Freyer é Billie; Jack Innanen é Paul Baker; Amita Rao é Issa; Owen Thiele é Anton. Em torno deles, a segunda temporada abre as portas para convidados. Susie Essman, Zosia Mamet, Raven-Symone, Gaten Matarazzo, Isaac Powell, Ben Marshall e o comediante da internet Jake Shane fazem participações. O trailer as apresenta mais como intrusões do que como participações especiais — rostos do mundo adulto lá fora, o mundo que esses cinco insistem em adiar. Cada convidado é um pequeno lembrete de que a porta não está trancada, de que sair é uma escolha que eles seguem recusando fazer.

O argumento da série está embutido em seu endereço. Kronengold e Shaw tratam a própria casa como a personagem de verdade: um lar familiar desgastado até virar uma república, a mobília de uma infância absorvendo cinco vidas. No trailer, a cozinha é pequena o bastante para que uma conversa particular seja uma impossibilidade física; o grupo está sempre ligeiramente sobre si mesmo. Esse aperto é ao mesmo tempo o estilo e o significado. Nada no cenário avançou, e esse é o ponto que a escrita insiste em fazer sem dizer em voz alta.

Debaixo das piadas, há uma economia. A geração que a série descreve foi excluída do preço da vida adulta independente que seus antecessores tratavam como garantida: o primeiro apartamento, o aluguel solo, o rompimento limpo com o lugar de onde você veio. Adults responde a essa conta sem piscar. O grupo de amigos aqui não é um estilo de vida; é a casa que esses cinco podem de fato pagar, montada porque a alternativa simplesmente não é acessível. A comédia vem de ver pessoas performando maturidade dentro de um arranjo que silenciosamente lhes nega as condições para tal. Eles continuam agindo como adultos num espaço projetado para a infância de outra pessoa.

A linhagem é legível sem ser copiada. A mecânica do apartamento compartilhado vem de Friends e New Girl; a especificidade nova-iorquina e a disposição de deixar seus personagens serem desagradáveis vêm de Broad City e Girls; o pavor que vaza por baixo das risadas é mais próximo de Search Party. O que Adults acrescenta é a literalidade de sua premissa. Não é um apartamento alugado compartilhado por escolha, mas um lar de infância ocupado porque não havia para onde ir, e essa diferença muda o registro de cada piada contada ali dentro.

A série chega à segunda temporada com um impulso que não tinha no começo. Os primeiros oito episódios receberam críticas favoráveis e as inevitáveis comparações com as comédias de apartamento compartilhado que a precederam, e nos meses anteriores ao retorno a série continuou encontrando público internacionalmente, subindo nas paradas de streaming bem antes da nova leva. Essa é uma posição útil para uma comédia tão específica. Significa que a segunda temporada não está apresentando a casa a uma sala fria; está encontrando telespectadores que já sabem com qual dos cinco se recusariam a morar, e que têm opiniões sobre o par que o triângulo amoroso ameaça. Uma comédia de convivência só funciona quando o público decide que pertence à mesa, e Adults chega à sua segunda temporada com essa decisão já tomada em mais mercados do que a primeira temporada podia contar.

A temporada marca uma mudança de endereço para a própria série. A primeira temporada foi ao ar na FX; a segunda vai para a FXX e o Hulu nos Estados Unidos, dois episódios por semana, e chega ao resto do mundo no Disney+. É uma aposta de que um pequeno e específico elenco nova-iorquino pode se sustentar como título global, de que a ansiedade de uma casa no Queens se traduz de forma limpa para mercados que vivem sua própria versão da mesma conta parada. Dois episódios por semana é, por si só, um argumento sobre atenção — uma programação que trata o grupo como um hábito a ser acompanhado, e não um fim de semana a ser consumido de uma vez.

O que a temporada não consegue resolver é aquilo que seu título fica rodeando. A vida adulta, nesta casa, não é um estado ao qual alguém chega. É uma sequência de humilhações sobrevividas em conjunto, e a sobrevivência depende de o grupo permanecer intacto. O triângulo amoroso é o teste disso — a pergunta sobre se o desejo pode viver dentro da única instituição que esses cinco não podem se dar ao luxo de quebrar. A série não responde. Ela deixa a pergunta sentada à mesa da cozinha, num cômodo sem espaço para evitá-la.

Adults retorna em 27 de agosto. Nos Estados Unidos, a segunda temporada de oito episódios estreia na FXX e é transmitida no Hulu, com dois episódios chegando a cada semana; internacionalmente, está no Disney+. A primeira temporada espera nas mesmas plataformas para quem está conhecendo a casa pela primeira vez.

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Fotos: The Movie Database (TMDB)

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