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Youth na HBO Max: Sharon Horgan volta a namorar aos 50 — e o título nunca fala dela

Molly Se-kyung
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Uma mulher de cinquenta anos em Londres volta aos aplicativos de namoro. Essa é a premissa que a HBO vende, e é a coisa menos interessante em Youth. A mulher é Alex, uma agente literária cujo divórcio lhe deu uma liberdade para a qual ela quase não tem espaço de uso. De um lado, um pai que se apaga; do outro, um filho na casa dos vinte que não saiu de casa. O título aponta para uma juventude que nunca foi dela.

Youth é uma comédia de oito episódios criada, escrita e estrelada por Sharon Horgan, que interpreta Alex. Estreia na HBO Max, e a premissa é uma comédia de namoro: uma mulher recomeçando sua vida sexual e algo como sua vida amorosa após o fim de um casamento. A estrutura por baixo é de cuidado. Alex quer intimidade e uma segunda chance; ela também tem um pai doente para cuidar e um filho adulto, Ruari, que se comporta como o adolescente que o título da série não cansa de invocar. A piada no nome é deliberada. As pessoas com juventude para gastar estão todas ao redor de Alex, e nenhuma delas é ela.

Esse é o argumento que a série constrói em seu próprio título, e é o que separa Youth da história de recomeço que seu trailer sugere. Uma comédia de namoro na meia-idade tende a tratar o retorno do desejo como o assunto inteiro. Aqui, o desejo está cercado por ambos os lados. Cada hora que Alex poderia gastar perseguindo uma vida nova é uma hora reivindicada por alguém que depende dela. A comédia vem da colisão, não só do namoro.

Horgan escreve o apetite sem pedir desculpas

Sharon Horgan construiu uma carreira em se recusar a bajular as pessoas sobre quem escreve. Pulling, sua primeira série, colocou três mulheres numa casa e deixou-as serem egoístas. Catastrophe tornou um casamento longo engraçado sem nunca torná-lo agradável. Bad Sisters segurou comédia e pavor na mesma mão e lhe rendeu um público americano grande o bastante para a HBO lhe dar uma temporada nos seus próprios termos. Youth chega dessa linhagem, e no papel a premissa parece Pulling vinte anos depois: o mesmo apetite, agora cercado por obrigações que não existiam quando aquelas personagens eram realmente jovens.

A escalação define o quadro antes de um único episódio ir ao ar. Rupert Friend interpreta Patrick; Sharlene Whyte interpreta Sam; Aran Murphy interpreta Ruari, o filho; Robbie Gee interpreta Frank. Harriet Walter, Anne Reid e Freddie Fox são recorrentes — um banco de atores que sinaliza que a geração acima de Alex e a geração abaixo dela devem carregar peso, não ficar ao fundo de um romance. Dawn Shadforth dirige a temporada. Sua origem é no videoclipe, o que sugere uma comédia construída com ouvido visual e musical, não a cobertura chapada de uma sitcom padrão; isso é uma inferência razoável da contratação, não um veredito sobre imagens que ninguém fora da HBO viu.

A geração sanduíche, em chave de comédia

O que Alex vive é uma condição documentada com um nome sem glamour. Demógrafos a chamam de geração sanduíche: adultos, na maioria mulheres no fim dos quarenta e nos cinquenta, que cuidam de pais idosos enquanto ainda sustentam filhos que não se tornaram independentes. Na Grã-Bretanha, a segunda metade desse espremido se agravou. Uma crise do custo de vida e um mercado imobiliário inacessível mantêm filhos adultos nos quartos de infância bem na casa dos vinte, e Ruari, parado em casa, é o rosto cômico de uma estatística nacional.

A metade do namoro é igualmente ancorada. Uma mulher voltando aos aplicativos aos cinquenta entra num mercado feito para pessoas com metade da sua idade, com toda a etiqueta e crueldade que isso implica. Youth não precisa inventar suas apostas. Ela as toma emprestadas das vidas reais do público a que se dirige — os espectadores que reconhecem a aritmética de um dia que precisa caber a consulta de um pai, a crise de um filho e um estranho esperando num bar.

É também por isso que a casa HBO Max importa. Esta é uma comédia muito britânica, muito específica, e ela chega a um serviço americano de prestígio em streaming, não a uma emissora do Reino Unido. Depois de Bad Sisters, Horgan é o tipo de nome em torno do qual uma plataforma constrói uma prateleira de comédia autoral, e Youth está sendo posicionada menos como uma sitcom local do que como um produto de exportação — uma história de meia-idade feita para viajar.

Youth também se junta a uma onda específica, em vez de começar uma. A comédia de mulher na meia-idade virou um gênero próprio na televisão britânica e anglo-americana — Motherland explorou a logística da parentalidade, e a longa vida após a morte de Fleabag provou que o público seguiria uma mulher que se comporta mal e narra isso sem vergonha. O que Youth acrescenta é a idade e suas obrigações. Sua protagonista passou do ponto em que uma bagunça pode ser justificada como juventude, e a série parece saber que a cultura trata o apetite de uma mulher de cinquenta anos de forma diferente do de uma de trinta. Essa diferença é o território.

A estratégia de lançamento também diz algo. A HBO está lançando dois episódios na estreia e depois liberando o resto semanalmente até o começo de novembro, em vez de despejar a temporada para ser maratonada numa noite. Esse é o modelo que uma plataforma usa quando quer que um título permaneça em conversa por seis semanas — comédia de compromisso, não streaming de fundo. É também uma aposta de que Youth tem força suficiente, episódio a episódio, para fazer as pessoas voltarem num domingo. Para uma comédia de meia hora competindo com tudo o mais na HBO Max, isso é uma declaração de confiança no texto.

A pergunta que o título mantém em aberto

A premissa cria uma pergunta que não tem pressa de responder, e o título a torna explícita. Uma segunda juventude aos cinquenta é uma libertação, ou é um novo turno de cuidado com melhor iluminação? A Alex está sendo oferecida a história de um recomeço; ela também está sendo convidada a sustentar as duas pessoas que tornam um recomeço quase impossível. A palavra Youth paira sobre as duas leituras ao mesmo tempo, e uma comédia tão afiada dificilmente vai resolvê-las num final arrumado.

O que é verificável agora é a forma da coisa: uma protagonista que a criou, uma roteirista trabalhando num registro que ela refinou por duas décadas, e uma premissa que coloca desejo e dever no mesmo apartamento pequeno. Se a temporada acerta a colisão, é uma questão para os episódios. O que ela tenta fazer já está legível no nome.

Youth estreia domingo, 20 de setembro de 2026, na HBO às 22h (horário de Brasília) e chega ao streaming no mesmo dia na HBO Max. Os dois primeiros episódios saem juntos; os seis restantes chegam semanalmente aos domingos, com o final da temporada em 1º de novembro. Sharon Horgan criou, escreveu e estrela; Dawn Shadforth dirige; Merman produz.

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