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Alison Hammond e o namorado mais jovem: o problema não é a diferença de idade, é a cobertura

Lisbeth Thalberg

A cada poucos meses, uma manchete anuncia que Alison Hammond “defendeu” seu relacionamento, como se uma defesa fosse a resposta natural para estar feliz. A apresentadora do This Morning tem um namorado mais jovem, e a imprensa de celebridades decidiu que essa é uma posição que ela precisa argumentar, e não uma vida que ela pode viver. O que vale a pena observar não é o casal, mas a convocação — a suposição silenciosa de que a satisfação dela deve satisfações ao público.

Hammond parou de fingir que se surpreende com isso. Ela continua sendo questionada para explicar o homem em sua vida, e continua recusando, educadamente, a tratar a pergunta como legítima. “Isso não tem nada a ver com mais ninguém”, ela disse; as pessoas vão falar, “mas isso é problema delas, não meu.” Dito de forma neutra, sem calor, soa menos como uma defesa e mais como uma recusa em aceitar os termos do julgamento.

Os fatos subjacentes são banais, o que faz parte do ponto. Seu parceiro, David Putman, é modelo e massoterapeuta; os dois se conheceram quando ela agendou uma massagem, tornaram o relacionamento público há alguns anos e agora moram juntos em Londres. A diferença entre eles é de 22 anos. Hammond já fez essa conta em público mais vezes do que qualquer um deveria, e percebeu algo que a cobertura insiste em não notar junto com ela. “Entendo completamente por que as pessoas se interessam quando há uma diferença de 22 anos”, disse ela, “mas o que acho interessante é que não é tão interessante quando é o homem que é mais velho.”

Essa frase é a história toda, e a maior parte das reportagens passa por cima dela. Um homem mais velho ao lado de uma mulher muito mais jovem é um estilo de vida; uma mulher mais velha ao lado de um homem muito mais jovem é uma polêmica sobre a qual alguém precisa quebrar o silêncio. A assimetria não está escondida dentro da cobertura — ela é a cobertura. Hammond não está contrabandeando uma queixa; ela está nomeando o mecanismo exato que converte um relacionamento comum em um item de notícia recorrente.

Olhe para o vocabulário e ele se entrega. A palavra que persegue Putman é “toyboy” — um diminutivo sem equivalente masculino sério, uma palavra que decide que o homem é uma posse e a mulher é um pouco ridícula antes mesmo de um fato chegar. Não existe um termo neutro fazendo esse trabalho. “Troféu”, a coisa mais próxima, lisonjeia o homem mais velho; “toyboy” provoca a mulher mais velha. A reportagem afirma relatar uma história enquanto o substantivo faz o julgamento. Hammond disse que o rótulo “não tem nenhuma relação com o que temos de jeito nenhum”, o que é outra forma de dizer que ela consegue enxergar o editorialismo acontecendo dentro da descrição.

O que torna a resposta dela digna de ser escrita é o pouco que ela performa. Ela não encena vulnerabilidade e não exige alianças. Ela descreve o homem — companhia fácil, alguém que “me enxerga como eu sou” — e deixa a descrição se sustentar onde se espera um argumento. Ela falou sobre a confiança que o relacionamento lhe deu durante um longo período de problemas de saúde e mudanças, mas oferece isso como um fato, não como uma prova. A recusa em se defender é a coisa mais articulada de todo esse assunto.

A pista é simples. Ninguém vai publicar um artigo na semana que vem perguntando a um homem na casa dos cinquenta por que ele namora uma mulher na casa dos vinte, e todo mundo sabe disso. Até que essa história exista, a “defesa” de Hammond nunca foi uma defesa. É uma mulher sendo julgada por algo que a cultura, em um homem, classifica como sorte grande.

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