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Joe Alwyn e Sarah Pidgeon estão namorando: dois atores que fizeram da discrição a própria marca

Jun Satō

Duas pessoas que passam a carreira reduzindo a própria imagem viraram, de repente, a imagem. É a única coisa realmente nova na história de Joe Alwyn e Sarah Pidgeon, e vale mais do que o beijo que uma teleobjetiva flagrou entre drinques em Nova York.

A cobertura já assumiu uma forma fixa: estão se vendo de forma casual, são discretos, intelectuais, um casal compatível. Uma fonte da Us Weekly fornece os adjetivos; o Page Six fornece as provas. Em algum ponto da cadeia de agregadores o relato ainda incorporou um dado falso — o de que os dois seriam colegas de elenco em Love Story —, e convém corrigi-lo, porque a correção é justamente o ponto.

Alwyn não está em Love Story. Ele e Pidgeon se conheceram, segundo a mesma fonte, em um evento do setor durante a temporada de premiações, não em um set. A distinção importa: retira o enredo cômodo de dois protagonistas que se apaixonam sob os holofotes e deixa algo mais silencioso, duas pessoas que compartilham um método antes de um cartaz.

O método é a contenção. Alwyn é descrito, quase oficialmente, como um ator de perfil deliberadamente baixo; ele explicou que sua discrição é um reflexo diante da cultura em que trabalha. Pidgeon é mais difícil de encontrar fora de um palco do que nele. A ambos cabe, repetidamente, a figura inteligente e atenta do quadro: Leah em The Wilds, Diana em Stereophonic, o papel que lhe rendeu uma indicação ao Tony. O valor público deles depende, em parte, de quão pouco público eles são.

É o que faz a temporada recém-encerrada de Pidgeon aterrissar com um clique frio. Em Love Story ela vive Carolyn Bessette-Kennedy, uma mulher cuja vida privada foi devorada, em tempo real, pelo mesmo aparato que agora se organiza em torno de Pidgeon: os drinques, a calçada, a teleobjetiva. A série se tornou a minissérie mais vista da história do FX no Hulu e gerou sua própria polêmica, incluindo um ensaio do New York Times que contestava sua exatidão. Pidgeon passou uma temporada estudando o que o olhar faz com uma mulher que nunca o pediu. Agora o olhar se voltou, com cortesia, para ela.

Para Alwyn o espelho é mais antigo. Ele passou quase uma década ligado à relação mais vigiada da música pop e — sob o nome de William Bowery — tornou-se coautor da trilha dela, uma figura dentro da história de outra pessoa. Quando aquela relação terminou, disse apenas esperar que se entendesse a dificuldade de ver acabar algo longo e plenamente comprometido. Não acrescentou mais nada. Construiu uma carreira, e talvez um temperamento, sobre não acrescentar mais nada.

Assim, a escolha da parceira se lê como uma declaração que ele jamais formularia como tal. Duas pessoas de baixa visibilidade não dobram sua exposição: acordam uma estética compartilhada da reserva. O «casual» de se ver casualmente não é indiferença. É um estilo da casa.

A economia dos paparazzi não respeita estilos da casa. Lê a reticência como um desafio e a privacidade como uma ineficiência de mercado a corrigir com um zoom. As fotos do Brooklyn, e as que o Page Six publicou depois, são o som dessa correção começando. Nenhum dos representantes se pronunciou, o que nesta língua equivale a uma frase inteira.

Nada disso é escândalo, e aí está o atrativo. Sem traição, sem briga, sem verso a decifrar: apenas duas pessoas cuidadosas, por um instante menos cuidadosas, numa cidade que fotografa tudo. A pergunta interessante não é se vai durar. É por quanto tempo duas pessoas tão hábeis em desaparecer conseguem permanecer visíveis antes de o instinto voltar a falar mais alto.

O beijo entre drinques será a foto que circulará. A foto que eles teriam escolhido é a que ninguém tirou.

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