Negócios e finanças

Os jovens chineses alugam em vez de comprar — e o plano de Pequim está em xeque

Victor Maslow

A lógica econômica não é complicada. Uma câmera que custa US$ 420 para comprar é alugada por US$ 10 ao dia nas plataformas chinesas de aluguel de curto prazo, como informou o MarketWatch. Para uma geração criada em uma economia em desaceleração e que herdou a ansiedade em relação a dívidas de pais que se endividaram em excesso no mercado imobiliário, a conta é óbvia: alugar a experiência, abrir mão do bem. Esse cálculo se espalhou das câmeras para drones, equipamentos de camping e artigos esportivos — categorias inteiras que antes representavam marcos da classe média.

Essa lacuna tem nome nos documentos de política pública de Pequim. Os líderes chineses passam anos promovendo o consumo interno como motor de crescimento para substituir o investimento imobiliário e a manufatura voltada à exportação. Pacotes de estímulo ao consumo, programas de troca, festivais de compras apoiados pela mídia estatal — o arsenal é amplo. Mas ele não leva em conta uma geração capaz de acessar produtos premium sem pagá-los integralmente.

O que começou como uma conveniência das plataformas se consolidou em algo mais próximo de uma visão de mundo. Os consumidores chineses mais jovens são economicamente mais cautelosos do que seus pais eram na mesma idade, e a economia compartilhada deu a essa cautela uma infraestrutura prática. As plataformas se expandiram das bicicletas e apartamentos para equipamentos de áudio sofisticados, câmeras profissionais e artigos para atividades ao ar livre que sinalizam uma identidade aspiracional sem a etiqueta de preço.

As implicações para as marcas globais de bens de consumo são mais difíceis de precificar. Um consumidor chinês que aluga uma câmera Sony para uma viagem de fim de semana pode estar experimentando o produto antes de uma compra futura — ou criando uma solução alternativa permanente. Para fabricantes de câmeras, drones e equipamentos para atividades ao ar livre com exposição significativa à China, a camada do aluguel acrescenta uma variável que os dados tradicionais de vendas não conseguem modelar.

O boom dos aluguéis não significa que os jovens chineses tenham deixado de querer coisas. Os gastos com viagens, alimentação e experiências se mostraram mais resistentes do que as compras de bens duráveis, sugerindo uma realocação da renda discricionária, e não uma retração generalizada do consumo. Os planejadores de Pequim interpretarão isso como uma nuance. A questão mais difícil é saber se a preferência por experiências em vez da propriedade diminuirá à medida que a economia se recuperar — ou se se consolidará como algo estrutural.

Espera-se que a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China anuncie seu próximo pacote de estímulo ao consumo antes do fim do trimestre. Se alguma medida conseguirá atingir uma geração que pode alugar em vez de reagir definirá quanto do estímulo de fato surtirá efeito.

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