Negócios e finanças

EUA impõem tarifas de 50% sobre US$ 20 bi em produtos canadenses — Ottawa promete retaliação

Victor Maslow

Cada garrafa de uísque canadense, cada folha de compensado, cada peça de maquinário industrial que cruza a fronteira dos EUA agora carrega uma sobretaxa de 50% — o preço de três dias de negociações em Washington que não resultaram em acordo. O colapso deixou cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses presos sob novas tarifas, sem data para retomada no calendário e com Ottawa prometendo uma retaliação equivalente.

As famílias americanas sentirão primeiro nos materiais de construção. O Canadá é o maior fornecedor de madeira serrada de coníferas dos Estados Unidos, um insumo que impacta diretamente os preços de casas novas em um momento em que a acessibilidade habitacional já está severamente pressionada. Laticínios, eletrônicos e uma ampla gama de bens de consumo também estão no escopo. Os canadenses enfrentam um choque simétrico quando Ottawa começar a igualar as tarifas dos EUA dólar por dólar sobre aço, laticínios, eletrodomésticos, maquinário agrícola e eletrônicos americanos.

Três dias de negociações em Washington ruíram quando cada lado descreveu uma negociação fundamentalmente diferente. O primeiro-ministro Mark Carney disse que os EUA apresentaram termos que eram “antieconômicos, injustos e minavam os benefícios líquidos para o Canadá”. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, rebateu que o Canadá retirou compromissos anteriores. Os pontos de discórdia foram os mesmos setores onde as tarifas americanas vigentes já chegavam a 50% — aço, alumínio, madeira e automóveis.

O enquadramento “dólar por dólar” mascara uma assimetria estrutural. O Canadá envia 73% de suas exportações para os Estados Unidos; os EUA enviam menos de um quinto para o norte. Economistas de comércio observam que essa dependência limita até onde Ottawa pode escalar de forma crível. Julian Karaguesian, da Universidade McGill, alertou que tarifas nesse nível “efetivamente precificariam centenas de produtos canadenses para fora do mercado dos EUA” — um colapso de consumo, e não um fluxo de receita, que torna a economia para ambos os lados mais confusa do que os números principais sugerem. O lobby por isenções de setores agrícolas e siderúrgicos de ambos os lados corroerá ainda mais o compromisso de equivalência.

O setor automotivo está na linha de falha da disputa. Tarifas existentes já oneram veículos americanos que entram no Canadá; analistas preveem que consumidores canadenses migrarão suas compras para modelos japoneses, coreanos e europeus. Construtoras americanas, enfrentando novos aumentos nos custos da madeira, afirmam que as estimativas de construção precisarão ser revisadas para cima pelo resto do ano.

As tarifas retaliatórias do Canadá entram em vigor em 8 de setembro, visando aço, laticínios e eletrônicos americanos. Ambos os governos deixaram a porta formalmente aberta para negociações — Carney explicitamente, Greer em linguagem mais medida — mas, até o prazo deste fim de semana, nenhuma nova data de negociação foi agendada. A próxima oportunidade formal para tratar do impasse é a reunião de ministros do Comércio do G7 em setembro.

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