Negócios e finanças

Sam Altman diz que um IPO da OpenAI seria ‘imprudente’ — e a segurança não é o único motivo

Victor Maslow

“Na verdade, acho que, dado tudo o que está acontecendo com segurança, agora seria um momento mal-aconselhado para abrir capital.” Sam Altman deu esse veredito da sede da OpenAI em São Francisco e, com uma única frase, empurrou para além do horizonte a listagem de tecnologia mais aguardada da era. A frase foi calma, deliberada e extremamente citável. Mas era apenas metade da história.

A leitura que Altman quer que você adote é a que soa honesta: uma empresa construindo sistemas tão poderosos não deveria prestar contas a acionistas públicos enquanto ainda está aprendendo a mantê-los seguros. É uma posição defensável, e ele a defendeu claramente. Mas presidentes-executivos raramente tomam uma decisão desse porte por um único motivo, e o motivo que dizem em voz alta tende a ser o que os favorece. A pergunta mais reveladora é o que ficar privado também lhe compra.

Comece pelo que está registrado. A OpenAI protocolou confidencialmente um pedido de oferta pública no início deste ano, em meio a conversas sobre uma avaliação próxima de US$ 1 trilhão, antes de pausar silenciosamente o esforço. Questionado sobre o cronograma em uma entrevista à Fortune, Altman foi inequívoco: “Eu diria que não em 2026, sim. Temos muitas coisas para fazer.” A empresa agora é tida como mirando 2027, e Altman insiste que o relógio é dele para definir. “Não estamos com pressa para um IPO”, disse ele. “Quando estivermos prontos, ou seja, quando o negócio estiver pronto, quando nos sentirmos prontos em relação ao momento da sociedade com essa tecnologia.”

Essa última cláusula é onde a cautela se mescla com estratégia. Uma listagem pública entregaria uma participação na OpenAI a acionistas cujo mandato são retornos — e Altman praticamente admitiu o atrito. Ele apontou para a estrutura incomum da empresa, sem fins lucrativos sobre a com fins lucrativos, que, segundo ele, obriga a OpenAI a fazer escolhas “não obviamente no interesse do nosso negócio”. Traduzido em termos de mercado, isso é um CEO dizendo que pretende continuar tomando decisões que investidores públicos puniriam. “Não sentimos pressão quanto a isso”, acrescentou. Permanecer privado é como se protege essa liberdade — e como se mantêm os livros fechados enquanto o negócio queima caixa e define um modelo.

O contraste ao lado reforça o ponto. A Anthropic, rival mais próxima da OpenAI, está se preparando para abrir capital ainda este ano, com uma avaliação que alguns acreditam poder chegar a US$ 2,3 trilhões. Dois laboratórios construindo o mesmo tipo de tecnologia leram o mesmo momento e entraram por portas opostas — um abrindo suas contas ao mercado, o outro fechando-as e chamando de prudência. Não podem ambos estar simplesmente certos sobre o que a segurança exige de uma empresa pública.

Nada disso torna a preocupação com segurança uma ficção. Altman falou contra um pano de fundo genuinamente inquietante: consequências de um incidente de segurança envolvendo os sistemas da OpenAI, um pesquisador da Anthropic colocando as probabilidades de um resultado de nível de extinção acima de uma em dez dentro de uma década, e o próprio Altman insinuando que os principais laboratórios podem estar próximos de um pacto para desacelerar o desenvolvimento. Uma empresa que talvez concorde em pisar no freio em breve é um encaixe estranho para um mercado que paga por aceleração. A história da segurança e a história estratégica apontam na mesma direção.

Portanto, o atraso é real, e o raciocínio por trás dele também — só não todo o raciocínio. Por enquanto, a startup mais observada do mundo continuará respondendo a um conselho e a uma missão em vez de a um código na bolsa, e os de fora continuarão precificando-a por rumores. Quando a OpenAI finalmente abrir seus livros, a avaliação importará menos do que a pergunta que Altman está adiando: se uma empresa que às vezes precisa agir contra seu próprio interesse comercial pode sobreviver ao contato com pessoas que compraram a ação para ganhar dinheiro.

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