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Craig Revel Horwood foi esfaqueado em Madri e conta tudo com humor glacial

Martha Lucas

O mais revelador sobre Craig Revel Horwood ter sido esfaqueado em uma cidade estrangeira não é a faca. São as duas palavras que ele escolhe para encerrar a cena: isso foi legal. Quem já o viu dar um veredito numa noite de sábado conhece a cadência — a pausa, a pequena detonação plana, a recusa em conceder ao momento mais peso do que ele merece. Ele agora aplicou esse mesmo instrumento à sua própria pior noite, e o efeito é mais estranho do que qualquer nota que ele já tenha erguido.

A anedota chega no podcast Judgemental que ele co-apresenta com Anton Du Beke, e vale a pena observar como ele a constrói, porque ele a constrói como um número. Férias em Madri, um calor infernal. Uma balada, de madrugada, a volta a pé. Uma lâmina de barbear atravessando o estômago e um colar arrancado do pescoço, com força suficiente para deixar uma queimadura. E então o remate: isso foi legal. O horror é a preparação. A própria falta de abalo é a piada. A maioria das pessoas contaria essa história para ser acreditada. Ele a conta para causar impacto.

Lida como performance em vez de boletim de ocorrência, a recontagem faz algo que a notícia de agência perde completamente. Isso não aconteceu ao juiz de televisão que milhões imaginam. Aconteceu a um jovem dançarino em busca de trabalho, anos antes da plaqueta e da persona, quando ele trabalhava no Lido em Paris e desceu para o sul para uma pausa. Não havia celebridade a ser alvejada, nenhum glamour a ser perfurado — apenas um artista longe de casa, voltando de uma balada, azarado. A versão que agora circula como um boletim de choque sobre as férias de um famoso que deram errado é, pela evidência que ele mesmo dá, uma memória de uma vida muito diferente, reencenada para o riso pelo homem que a viveu.

Essa reencenação é a história. O segundo ato só a afia: de volta ao lado francês, sem barbear, destruído, ainda marcado pelo ataque, ele foi revistado até ficar nu por autoridades que decidiram que ele parecia um homem carregando drogas. Ele também interpreta isso como comédia — a indignidade empilhada sobre a lesão, o universo se recusando a dar-lhe uma folga. E então um terceiro movimento de outra viagem completamente, Mombaça, onde o hotel pré-pago simplesmente tinha queimado até o chão antes de ele chegar e o frango, no dia seguinte, colocou metade do seu grupo no chão com salmonela. Desastre após desastre, cada um arquivado sob o mesmo encolher de ombros.

O que mantém tudo junto não é exatamente resiliência. É uma visão de mundo, e é a mesma que o tornou famoso. Revel Horwood construiu uma carreira na convicção de que quase nada merece reverência — que uma rotina pela qual você suou durante uma semana ainda é, no fim, uma coisa que pode ser resumida em uma frase e avaliada de zero a dez. Voltada para fora, esse instinto é lido como crueldade, e já lhe custou algumas manchetes. Voltada para dentro, sobre um esfaqueamento, uma revista íntima e um hotel incendiado, é lida como algo próximo da graça: um homem que se recusa a deixar qualquer coisa disso, inclusive seu próprio sofrimento, se tornar uma tragédia da qual ele possa se alimentar.

Há um ponto mais silencioso por trás das risadas, e é um que a cobertura ofegante ignora. O dançarino que foi cortado em Madri não tinha podcast, nem plataforma, nem maneira de fazer aquela noite significar algo. O juiz que a recontra tem todos os três. A distância entre esses dois homens — aquele que sangrou e aquele que agora decide o tom — é a carreira inteira. Ele encerra o relato da única maneira que sabe, com o veredito que daria a uma rumba competente e esquecível. Não trágico. Não sortudo por estar vivo. Apenas, no fim, ok. Isso foi legal.

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