Filmes

A Disney sabia dos abusos no set e nada fez, alega a ação por negligência de Raquel Lee

Uma atriz que na infância trabalhou em «Ponto Nulo: Razão e Regressão» (The Poof Point, 2001) alega que a Disney sabia do abuso e nada fez; ela é representada pelo advogado que enfrentou Diddy
Veronica Loop

Há dois anos, ‘Quiet on Set’ virou sinônimo de um acerto de contas que a indústria do entretenimento vinha adiando: uma prestação de contas sobre como as crianças que alimentaram uma geração de programas familiares eram protegidas — ou, como argumentam seus críticos, não eram. Esse acerto de contas começou na Nickelodeon. Uma ação por negligência movida neste mês argumenta que nunca deveria ter parado por lá.

Raquel Lee, ex-atriz mirim que apareceu no filme de 2001 do Disney Channel ‘The Poof Point’, alega que um funcionário adulto do sexo masculino na produção ‘repetidamente a estuprou, agrediu sexualmente, abusou sexualmente e assediou sexualmente’ quando ela tinha 14 anos. Como o Deadline noticiou em primeira mão, a queixa dela contra a Walt Disney Company não acusa apenas um indivíduo — acusa o estúdio de saber. A Disney, afirma a petição, ‘facilitou e escondeu’ o abuso em vez de impedi-lo; seu set, diz o processo claramente, ‘não era seguro para crianças’.

O relato que Lee apresenta é uma acusação contra os adultos ao seu redor tanto quanto contra o homem que ela acusa. A queixa diz que a aliciação e os abusos aconteceram em um hotel que abrigava o elenco e a equipe durante as filmagens em Utah e, mais tarde, a bordo de um voo de volta para Los Angeles, e que comentários sexualmente explícitos foram feitos perto o suficiente para serem ouvidos pelos técnicos de som no set. Quando ela começou a ter dificuldades, alega o processo, os executivos da Disney a retrataram como o problema — uma atriz ‘fora de controle’ que estava atrapalhando a produção — em vez de perguntar por quê.

O que dá ao caso um peso que vai além das alegações é quem está movendo a ação. Lee é representada por Douglas Wigdor e Jane Kim do Wigdor LLP, a firma cujo fundador construiu grande parte do manual pós-#MeToo para processar instituições poderosas e que representou Cassie Ventura no litígio que reformulou o caso contra Sean ‘Diddy’ Combs. Lee também não é estranha a essa luta: ela falou como uma das ex-intérpretes mirins na série documental ‘Quiet on Set: The Dark Side of Kids TV’ e, de acordo com a petição, resolveu em segredo uma queixa anterior contra um membro diferente da equipe em 2015.

As alegações não foram comprovadas, e a Disney até agora se recusou a comentá-las, dizendo que não tinha declaração a fazer sobre o processo. A queixa foi protocolada em 21 de agosto no Tribunal Superior de Los Angeles. Para uma empresa que passou um quarto de século se vendendo como a marca mais segura no entretenimento infantil, um tribunal é agora o lugar onde essa promessa precisa se sustentar.

Tags: , , , , ,

Discussão

Há 0 comentários.