Filmes

Anne Hathaway chora ao virar Lenda da Disney — a menina de ‘O Diário da Princesa’ e seu ano de US$ 2 bilhões

Veronica Loop

A coisa mais sincera no palco do Disney Legends não foi o medalhão nem a montagem. Foi Anne Hathaway chorando. A empresa que um dia transformou uma desconhecida de olhos arregalados em princesa acabara de lhe dizer que ela agora faz parte de sua história, e uma das artistas mais rentáveis em atividade estava ali, desmoronando. As lágrimas pareceram genuínas porque a trajetória por trás delas é genuína: a Disney criou uma versão de Hathaway antes que o mundo decidisse quem ela era, e a mulher que recebia a homenagem nunca deixou de ser grata por isso.

David Frankel, que a dirigiu em The Devil Wears Prada, e Anna Wintour, em uma mensagem gravada, a chamaram ao palco. Frankel foi além do currículo reluzente em busca de algo menor e mais verdadeiro: lembrou-se de encontrá-la agachada num canto entre as tomadas daquele primeiro filme, ouvindo Madama Butterfly, de Puccini, mergulhando no luto de outra pessoa até que ele se tornasse uma textura que ela pudesse usar. Era essa a atriz que a Disney de fato estava homenageando — não um ativo de franquia, mas uma artesã que trata o sentimento como trabalho. “Estou aqui hoje porque sou uma das pessoas mais absurdamente sortudas do mundo”, disse ela, agradecendo à família, onde “a atuação, a narrativa e a imaginação eram valorizadas”.

A frase que mais marcou foi a mais simples. “Por mais legal que tudo isso seja, é só sendo nós mesmos que sou mais feliz”, disse ela à plateia — uma estrela de cinema no auge de um ritual da indústria, deslocando discretamente o centro de sua vida para as pessoas que não fazem parte dele. Sua história com a Disney começou em The Princess Diaries, uma fantasia de coroação que a tornou famosa ao transformá-la em princesa; o prêmio de Lenda é o estúdio fechando o círculo que iniciou, entregando à garota de Genovia a coroa de verdade. Ela se juntou à turma de 2026, que incluía Bob Iger, Dwayne Johnson, Lin-Manuel Miranda e os Jonas Brothers, em uma linhagem que a empresa vem construindo, homenageado por homenageado, desde os anos 1980.

Eis a tensão que a celebração em grande parte deixou de lado. Hathaway está sendo consagrada como uma Lenda Disney no maior ano comercial de sua carreira — e esse ano mal é da Disney. Sua soma ultrapassou US$ 2 bilhões nas bilheterias globais graças a The Odyssey, de Christopher Nolan, um lançamento da Universal no qual ela interpreta Penelope e que se tornou o filme de maior arrecadação da carreira de Nolan, e The Devil Wears Prada 2, uma sequência de legado que estreou com o segundo maior fim de semana mundial do ano. A homenagem se apoia em um quarto de século de boa vontade; o auge que ela realmente vive foi construído nas instalações de outro estúdio. A Disney reivindicou o momento mesmo assim, porque ele era ressonante demais para ser deixado de lado.

E essa é a leitura correta de um prêmio Disney Legend: ele nunca foi uma métrica de bilheteria. É um prêmio de memória, e a memória que ele homenageia — a atriz agachada, Puccini, a princesa que chorou — é exatamente aquela pela qual a plateia se levantou. O número do ano é uma coincidência de timing. As lágrimas eram o ponto.

O detalhe mais revelador foi aquele ao qual Hathaway continuou voltando: não o recorde, não o medalhão, mas a família nas cadeiras com quem ela preferiria estar sentada. A Disney lhe deu um lugar em sua história. Ela passou seu minuto ao microfone tentando devolvê-lo.

Tags: , , , ,

Discussão

Há 0 comentários.