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Duna: como Villeneuve transformou a paciência na maior aposta do cinema recente

Martha O'Hara

A areia chega antes da história. Duna de Denis Villeneuve abre sobre Arrakeen de uma distância que faz o planeta parecer um veredicto geológico: um continente pálido e queimado sob um sol que não oferece calor, apenas clareza. A câmera de Greig Fraser não conforta ninguém.

Frank Herbert escreveu Dune em 1965, e por meio século Hollywood o tratou como uma propriedade a ser explicada em vez de um mundo a ser habitado. Villeneuve foi o primeiro diretor com a paciência e o apoio industrial para tratar o material de Herbert como um problema filosófico, não comercial.

Timothée Chalamet interpreta Paul Atreides com uma qualidade fácil de subestimar: ele não está atuando o arco de um herói, está atuando a sua reticência. Rebecca Ferguson como Lady Jessica é o eixo emocional do filme — uma personagem que treinou décadas para manipular o futuro e agora precisa vê-lo se desenrolar no corpo do filho. Stellan Skarsgård compõe o Barão Harkonnen como repugnância feita arquitetura. Javier Bardem chega tarde como Stilgar e domina cada cena em que aparece.

A fotografia de Fraser ganhou o Oscar e o motivo vai além das imagens individuais. É a disciplina: os Harkonnen habitam pedra vulcânica negra e vapor industrial. A Casa Atreides vive em âmbar renascentista. Os Fremen usam azul na beira do espectro de cor, como se a sobrevivência os tivesse empurrado para frequências que os colonizadores não conseguem ler. Não são escolhas de paleta. São argumentos sobre poder.

A música de Hans Zimmer se recusa a se comportar como tal. Vozes processadas até soarem minerais, percussão que parece vir de baixo do chão, frequências que podem ser aviso ou boas-vindas. A música não comenta as imagens: existe em paralelo a elas.

Duna termina onde Herbert pretendia: não numa resolução, mas num entendimento. Duna: Parte Dois (2024) provou que a aposta de longo prazo estava certa. Seis Oscars — fotografia, montagem, efeitos visuais, direção de arte, som, trilha sonora original — foram para Duna em 2022. O que esses prêmios não capturam completamente é como o filme consegue ser ao mesmo tempo tecnicamente sem precedentes e emocionalmente clássico.

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Denis Villeneuve

Denis Villeneuve

Fotos: The Movie Database (TMDB)

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Fotos: The Movie Database (TMDB)

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