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Rob Lowe chama Tom Cruise de seu «nêmesis» — mas nunca houve rivalidade

Camille Lefèvre

Rob Lowe entregou à internet o tipo de confissão favorito: um astro de cinema, relaxado e sincero, finalmente nomeando o rival que ficava levando os papéis que ele queria. Tom Cruise, diz ele, sempre foi um nêmesis — a figura vilanesca que se colocava entre ele e dois dos papéis marcantes da época. É uma fala deliciosa. É também, delicadamente, uma leitura equivocada da própria carreira.

Um nêmesis implica um embate, duas forças frente a frente, cada uma contrapondo o movimento da outra. O que o registro mostra é algo mais silencioso e estranho. Dois jovens atores começaram dentro do mesmo quadro, e depois seguiram em direções opostas. Um continuou fazendo testes. O outro parou de fazer testes e começou a construir.

O quadro compartilhado não é uma metáfora. Os dois aparecem em The Outsiders, de Francis Ford Coppola, aquele experimento inquieto de escalar uma geração inteira de uma vez — Lowe e Cruise ao lado de Emilio Estevez, Matt Dillon e Patrick Swayze, uma sala cheia de futuros protagonistas fotografada antes que alguém soubesse qual deles a década escolheria. A câmera de Coppola fez a triagem cedo. Ela se deteve em alguns rostos e deixou outros derivarem para a borda da profundidade de campo, e se você assistir agora já sente a hierarquia que a indústria mais tarde ratificaria.

Então vêm os dois filmes para os quais Lowe fez teste e perdeu. Ele lembra de abrir o roteiro de Top Gun e pensar, com o instinto limpo de um ator, que aquilo seria enorme. Ele estava certo, e é exatamente esse o ponto que a maior parte da cobertura perde. Ler o ambiente é o dom do ator. Mas Maverick, e depois o agitado e redentor agente esportivo de Jerry Maguire, não eram prêmios intercambiáveis que qualquer lead charmoso poderia ter reivindicado. Exigiam uma intensidade fabricada, um jeito de queimar no centro do quadro, que Cruise já havia decidido cultivar como um trabalho de vida.

A palavra para o que Cruise fez não é vencer. É autoria. Ele produziu seus próprios veículos, supervisionou sua persona com a vigilância de um estúdio, insistiu em fazer as acrobacias para que o corpo na tela e o corpo no mundo nunca fossem pegos em desacordo. Ele construiu um texto-estrela total e o defendeu por quarenta anos. É o mais próximo que um ator chega de ser um autor — não de um filme, mas de uma obra contínua cujo tema é ele mesmo.

Lowe, por outro lado, permaneceu algo mais antigo e mais exposto: um ator genuinamente talentoso à mercê das decisões dos outros. O papel principal de Footloose escapou para Kevin Bacon depois que uma audição de dança terminou com o joelho de Lowe cedendo no chão. John Hughes, ele admite, nunca entendeu o que ele estava vendendo. O padrão não é um vilão guardando uma única porta. É uma carreira de quase-acertos, o clima comum de um homem talentoso que estava sempre esperando ser escolhido.

É por isso que a linha do nêmesis é tão charmosa e tão levemente falsa. Ela reformula como rivalidade o que era realmente divergência. Lowe nos dá a visão do ator, em que papéis são perdidos para um rival específico como se perde um duelo. Cruise nunca esteve nesse duelo. Ele havia silenciosamente mudado o jogo, de ser escalado a se escalar, e os papéis que Lowe lamenta nunca iriam viajar na outra direção.

A prova está no que já não pode ser desimaginado. Ninguém consegue mais imaginar um Maverick diferente, porque o papel deixou de ser um papel e se tornou uma assinatura. Isso nunca foi uma disputa que Rob Lowe pudesse vencer. Nunca foi uma disputa, de forma alguma.

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