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Stephen Chow quebra sete anos de silêncio com «Kung Fu Soccer»: US$ 74 milhões e um time só de mulheres

A continuação de «Shaolin Soccer» mira mais de US$ 350 milhões na China e revive a marca do cineasta de 64 anos, que ainda busca estreia nos EUA
Molly Se-kyung

Por um quarto de século, o nome de Stephen Chow é sinônimo de um tipo muito específico de exportação: pastelão cantonês soldado a espetáculo de wire-fu e fábula esportiva de azarão, uma fórmula que transformou Shaolin Soccer em um dos sucessos crossover mais duradouros do cinema asiático. A pergunta em aberto era se essa marca ainda tinha peso em um mercado chinês agora dominado por blockbusters patrióticos e streaming — e se um diretor de 64 anos, afastado das câmeras há sete, ainda poderia comandá-la. Um único fim de semana forneceu a resposta.

Kung Fu Soccer, que Chow escreveu e dirigiu mas não aparece, estreou com aproximadamente US$ 74 milhões em seus dois primeiros dias, com o dia de abertura sozinho respondendo por US$ 38,3 milhões. Como detalhou o The Hollywood Reporter, o filme obteve uma pontuação de 9,4 dos usuários no gigante de bilheteria Maoyan e agora está caminhando para um total doméstico acima de US$ 350 milhões — o tipo de número que redefine um retorno como uma coroação.

A reinvenção está embutida no título. Enquanto o original colocava um time masculino desorganizado em campo, o novo filme — literalmente ‘Kung Fu Women’s Soccer’ em mandarim — entrega as heroicas artes marciais às mulheres. Zhang Xiaofei capitaneia o time, Dilraba Dilmurat interpreta sua atacante estrela e Lay Zhang aparece como um técnico de kung-fu, com Carina Lau, Takeru Satoh e Jimmy O. Yang completando um elenco voltado diretamente para um público pan-asiático. É Chow reconfigurando seu próprio mito para um momento em que um time feminino pode carregar um blockbuster.

Para Chow, os riscos são tanto pessoais quanto comerciais. Este é seu primeiro crédito como diretor desde The New King of Comedy, de 2019, e ele não aparece na tela desde CJ7, de 2008, tendo passado os anos intermediários como cineasta em vez de rosto. Reviver Shaolin Soccer — uma coprodução Hong Kong-China programada para o 25º aniversário do original e lançada na temporada da Copa do Mundo — é uma aposta calculada de que nostalgia mais timing de evento ainda podem encher cinemas de uma forma que originais cada vez mais não conseguem.

O arcabouço comercial já está sendo montado. A Maoyan Entertainment está cuidando do lançamento na China, que começou em 12 de julho, enquanto a Encore Films, de Cingapura, adquiriu os direitos internacionais no mês passado; a data de lançamento nos EUA ainda não foi definida, deixando a reintrodução americana de Chow como a última peça em jogo.

Um cineasta que um dia transformou um chute de bicicleta de um monge em uma piada global agora aposta que a piada funciona melhor quando as chuteiras pertencem a mulheres — e por um fim de semana de estreia, a China já comprou todos os ingressos da casa.

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