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O Exorcista permanece o pico incontestável do horror americano — e nenhum outro filme chegou perto

O clássico de William Friedkin (1973) ainda assusta, ainda provoca e ainda recusa resolver sua questão central sobre a fé.
Martha O'Hara
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A câmera enquadra um close-up de Linda Blair, a pele retorcida por uma força invisível, os olhos revirados em um vazio aterrador. É a imagem que define O Exorcista (1973), o filme de William Friedkin que, ao chegar às telas em dezembro daquele ano, formou filas no frio, deixou espectadores desmaiados e se tornou o primeiro filme de terror a disputar o Oscar de Melhor Filme. Mas a pergunta que importa não é o que o filme causou — é o que ele faz, e como.

Adaptado do romance de William Peter Blatty, O Exorcista acompanha a possessão demoníaca de Regan MacNeil, uma menina de 12 anos, e os esforços desesperados de sua mãe, Chris (Ellen Burstyn), para salvá-la. A trama transita entre horror sobrenatural, crise de fé e angústia mental — registros que Friedkin equilibra sem condescendência. O ponto de partida não é o padre: é o médico, o neurologista, a racionalidade esgotada diante do inexplicável. Só depois de a ciência falhar é que a fé entra em cena, e essa sequência confere ao filme uma gravidade que o gênero raramente sustenta.

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O filme funciona melhor quando equilibra realismo documental com elementos fantásticos. A sequência da angiografia cerebral é chocante exatamente porque é crua e visceral — Friedkin a trata como procedimento médico, não como espetáculo. O uso de sons agudos e guturais e de enquadramentos que comprimem o espaço do apartamento de Regan cria uma claustrofobia crescente que dispensa efeitos vistosos. A câmera observa; raramente dramatiza. O que torna os momentos de ruptura tão perturbadores é justamente a sobriedade que os antecede.

Linda Blair carrega o filme. Seu desempenho — físico, vocal, exaustivo — confere à possessão um realismo perturbador que nenhum efeito de maquiagem alcançaria sozinho. Burstyn recusa o melodrama que o papel poderia justificar: há nela uma teimosia pragmática, uma recusa obstinada em aceitar o inexplicável, que a atriz mantém firme do começo ao fim. Max von Sydow e Jason Miller trazem contrapesos necessários como os padres Merrin e Karras — von Sydow com presença monumental, Miller com uma interioridade sofrida que dá ao filme sua dimensão teológica mais inquietante. Miller retrata Karras como um homem que já não acredita mas que ainda precisa acreditar, e é nessa fratura — entre o saber e o querer — que o filme encontra seu eixo dramático mais verdadeiro.

O Exorcista não é perfeito. O primeiro ato arrasta-se em alguns momentos, especialmente nas cenas expositivas, e certas escolhas de roteiro parecem datadas — o tabuleiro ouija como dispositivo de trama não funciona tão bem quanto Friedkin provavelmente pretendia. No exorcismo final, o filme cede ligeiramente ao sensacionalismo precisamente quando deveria manter a sobriedade que o tornou tão eficaz. São falhas reais. Mas não apagam o que Friedkin e Blatty conseguiram: um horror que se leva a sério, que exige respostas da medicina antes de recorrer ao padre, e que trata o mal como algo a ser confrontado, não apenas exibido.

As reações críticas da época foram mistas, mas o que o tempo revelou foi que O Exorcista operava em registros que o gênero raramente habitava: uma investigação da fé, da humanidade e da angústia mental tanto quanto um espetáculo de terror. Dez indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, confirmaram uma legitimidade artística que o gênero raramente recebe. Blatty venceu em Roteiro Adaptado; os engenheiros de som levaram Melhor Som. Em 2010, a Biblioteca do Congresso selecionou o filme para preservação no National Film Registry como obra culturalmente, historicamente e esteticamente significativa. Essas distinções situam O Exorcista na história; o que o mantém vivo é outra coisa. A imagem de Linda Blair com os olhos revirados ainda provoca desconforto — não pela maquiagem, mas porque Friedkin convenceu o espectador, antes de chegar lá, de que havia algo a perder.

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Fotos: The Movie Database (TMDB)

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