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Os dois primeiros curtas Digimon de Hosoda, semente de Summer Wars, voltam ao cinema na Coreia

A Megabox reúne os primeiros curtas do diretor em uma sessão dupla pelo aniversário de Digimon.
Veronica Loop

A Megabox vai devolver às telonas o trabalho mais antigo de Mamoru Hosoda. A rede de cinemas sul-coreana vai exibir os dois curtas-metragens que abriram a franquia Digimon, e que de quebra lançaram um dos diretores mais singulares da animação japonesa, em uma única sessão dupla.

O programa junta «Digimon Adventure», a história de origem que a Coreia divulga como um encontro do destino, à sua continuação imediata, «Our War Game!». Hosoda dirigiu os dois antes de seu nome dizer qualquer coisa ao grande público, e ambos são curtos para o padrão de um longa, motivo pelo qual sempre foram tão difíceis de ver no cinema fora do Japão.

O primeiro filme é a razão de tudo o que veio depois. Estreia de Hosoda na direção, dura apenas vinte minutos e chegou aos cinemas japoneses um dia antes de a série de televisão «Digimon Adventure» ir ao ar, funcionando como prólogo. Acompanha o pequeno Taichi Yagami e a irmã caçula Hikari quando um Digiovo eclode no computador de casa e uma criatura chamada Koromon invade o apartamento. O clímax, um confronto noturno entre um Greymon recém-evoluído e um Parrotmon descontrolado sobre os telhados de Tóquio, continua sendo uma sequência cultuada pelos fãs de animação.

«Our War Game!», o segundo curta, é o que a crítica costuma destacar. Hosoda já disse mais de uma vez que seu grande sucesso, «Summer Wars», é basicamente a versão longa de uma ideia que não coube nos cerca de quarenta minutos que a Toei Animation lhe deu. O esqueleto se repete quase ponto a ponto: um programa hostil que devasta uma rede global enquanto um grupo de crianças tenta contê-lo. Visto hoje, parece menos um produto de merchandising e mais o caderno de rascunhos de um autor.

Programar os dois juntos é uma boa sacada de curadoria. Lado a lado, eles mostram um cineasta testando duas vezes as mesmas obsessões: o atrito entre o mundo físico e um digital, crianças comuns empurradas para situações muito maiores do que elas e um fascínio por como a tecnologia reorganiza a família e a comunidade. Esses temas viriam a ser a assinatura de Hosoda. Nos curtas eles ainda aparecem soltos e sem blindagem, e aí está boa parte do charme.

Essa trajetória é o verdadeiro chamariz. Hosoda chegou a ser cotado para dirigir «O Castelo Animado» no Studio Ghibli antes de o projeto seguir sem ele. Depois cofundou o Studio Chizu e assinou títulos como «A Garota que Conquistou o Tempo», «Os Filhos Lobos», «O Menino e a Fera» e «Belle» que o colocaram entre os poucos nomes citados ao lado de Hayao Miyazaki. Seu drama familiar «Mirai» foi o primeiro anime fora do Ghibli indicado ao Oscar de melhor longa de animação. Tudo começa em um curta de Digimon de vinte minutos.

Para o público coreano, a sessão entra no 25.º aniversário de Digimon, que já passou por colaborações com games, concertos de orquestra, exposições e lojas pop-up. A campanha aposta na nostalgia e se dirige a quem um dia foi uma das crianças escolhidas. Ainda assim, não dá para confundir com uma restauração: nada no anúncio promete uma remasterização em 4K, e a Megabox não esclareceu se os curtas terão legendas ou dublagem coreana. É uma estreia exclusiva de uma só rede, não um lançamento amplo, e a soma dos dois curtas fica em torno de uma hora, de modo que se pagam preços de longa por duas obras que circulam há anos em vídeo doméstico e em streaming.

Young Taichi and his sister Hikari in Mamoru Hosoda 1999 Digimon Adventure short
Taichi and Hikari in Digimon Adventure (1999)

O elenco de vozes original japonês sustenta o primeiro filme, com Toshiko Fujita como Taichi, Kae Araki como Hikari e Chika Sakamoto como Koromon. Essas interpretações são anteriores à remontagem internacional com que boa parte do público ocidental cresceu, na qual esses curtas foram colados a um terceiro filme e reorquestrados por completo como «Digimon: The Movie».

A sessão dupla estreia com exclusividade nos cinemas Megabox da Coreia do Sul em 16 de setembro. Não há anúncio de uma exibição equivalente no Brasil, onde os curtas seguem disponíveis sobretudo por meio daquela compilação editada e de edições posteriores em vídeo. Para quem quer traçar como Hosoda saiu de um breve prólogo de Digimon para autor de referência, o ponto de partida enfim ganha uma marquise, ao menos em um país.

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Fotos: The Movie Database (TMDB)

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