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Prime Video adapta o formato coreano ‘EXchange’ no Brasil como ‘Oi, Sumido!’, com direção de Boninho

Molly Se-kyung

O motor de crescimento mais confiável do streaming não é mais o drama de prestígio — é o formato sem roteiro que pode ser replantado em qualquer mercado por uma fração do custo. A Coreia passou cinco anos provando isso, transformando realities de namoro e sobrevivência em seu produto mais exportável, e a Amazon vem acumulando silenciosamente os direitos. Sua última jogada pega o formato de ex-casais de sucesso da CJ ENM e o coloca no Brasil, a primeira vez que o programa viaja para fora da Ásia — uma aposta de que uma ideia muito coreana sobre coração partido funciona em qualquer lugar onde haja um sofá e um ex.

Como o Deadline noticiou em primeira mão, a CJ ENM fechou um acordo para adaptar EXchange como um Original do Prime Video Brasil. Localmente, terá um nome diferente — o Prime Video Brazil está lançando como Oi, Sumido! — e é produzido pela Amazon MGM Studios em parceria com a produtora brasileira Formata. O enquadramento do mercado internacional o insere na marca mais conhecida do formato, mas o programa que os telespectadores brasileiros realmente vão procurar é o local.

A contratação por trás do acordo é a verdadeira manchete. A direção é de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho — Boninho — o produtor que construiu e comandou o Big Brother Brasil na Globo por duas décadas e que, de fato, escreveu a gramática da televisão de reality brasileira. Sua chegada à Amazon é uma história por si só sobre streamers roubando os reis do reality da TV aberta, e a versão brasileira se apoia nesse pedigree com um painel fixo de celebridades, a “Galera do Sofá”, trazida para narrar e provocar os participantes.

EXchange환승연애 em coreano — é um original da TVING desde 2021, um dos maiores sucessos de reality da plataforma. Sua premissa é enganosamente cruel: cinco ex-casais dividem uma casa sem revelar quem namorou quem, forçando o grupo a revisitar términos antigos enquanto novas atrações se formam. O Japão já o transformou em Love Transit, que teve três temporadas no Prime Video; a edição brasileira faz dele a primeira adaptação fora da Ásia, e a primeira reconstruída em torno de registros emocionais latino-americanos, em vez da contenção do Leste Asiático.

A lógica é direta. O Brasil é o maior mercado latino-americano da Amazon e uma das culturas televisivas mais saturadas de reality do planeta — grande parte construída pelo próprio homem que agora dirige para a concorrência. Um formato comprovado mais um arquiteto local é mais barato e menos arriscado do que inventar um original, e dá ao Prime Video um pilar local imediatamente reconhecível.

As filmagens começam em setembro em São Paulo e na cidade serrana de Campos do Jordão. O Prime Video ainda não definiu uma data de estreia.

Por vinte anos, Boninho ensinou o Brasil a passar as noites vendo estranhos se apaixonarem e desapaixonarem na Globo. Agora ele está construindo o mesmo ritual para a empresa que tenta tomar essas noites.

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