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‘Priscilla, a Rainha do Deserto 2’ vira elegia: Terence Stamp filmou Bernadette antes de morrer

Liv Altman

Quando um ônibus de turismo lilás chamado Priscilla cruzou o deserto australiano em 1994, transformou a drag em cartão-postal mainstream e entregou a três atores heterossexuais assumidos — Terence Stamp, Hugo Weaving e Guy Pearce — os papéis mais ternos de suas carreiras. Três décadas depois, a sequência que os fãs tinham descartado como impossível carrega um peso que nenhum deles queria: silenciosamente, virou um filme sobre despedidas.

Guy Pearce, em turnê de divulgação de outro trabalho, deu a primeira noção real de onde está The Adventures of Priscilla, Queen of the Desert 2 — e a novidade importa menos como data do que como prova de que o projeto sobreviveu à perda no seu centro. Terence Stamp, que viveu a trans Bernadette no original e morreu em agosto passado aos 87 anos, já havia gravado suas cenas. Como o Deadline noticiou em primeira mão, o roteirista e diretor Stephan Elliott pré-filmou a atuação de Stamp em vez de arriscar o papel, sabendo que o tempo corria contra o ator.

Essa decisão reformula todo o empreendimento. Elliott, que escreveu e vai dirigir como fez em 1994, descreveu uma história moldada por ver Stamp envelhecer — uma tentativa de levar o envelhecimento de vidas LGBTQ+ e trans para a tela, um assunto que ele argumenta que o cinema ainda evita. O que começou, segundo ele, como uma trama perseguida por décadas se transformou em algo mais próximo de uma homenagem, com as imagens prontas de Stamp a serem completadas com um dublê e substituição digital de rosto.

Para Pearce e Weaving, ambos com carreiras formidáveis construídas depois do ônibus — Pearce com Memento, A Proposta e Mare of Easttown, Weaving com Matrix e O Senhor dos Anéis — o retorno é menos uma obrigação de franquia do que um reencontro com o filme que primeiro os deixou ser extravagantes e vulneráveis em público. A comédia mais exportável da Austrália está voltando como a mais pessoal.

Pearce detalhou o cronograma com clareza no Good Morning America: “Provavelmente vamos filmar em 2027. Vai sair em 2028.” Isso aponta para câmeras no deserto em 2027 e um filme finalizado em 2028, cerca de trinta e quatro anos depois de o original cruzar a mesma areia.

Se o cronograma se mantiver, o público verá Bernadette uma última vez em uma atuação que Stamp gravou sabendo que o sobreviveria — uma despedida filmada, deliberadamente, enquanto ainda havia tempo para fazê-lo.

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