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Angela Bassett, a atriz que continuou trabalhando enquanto Hollywood aprendia a homenageá-la

Penelope H. Fritz
Angela Bassett
Angela Bassett
Photo: Gage Skidmore / CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
Nascimento16 de agosto de 1958
New York City, United States
OcupaçãoAtriz
Conhecido porVingadores: Ultimato, Soul – Uma Aventura com Alma, Pantera Negra
Prêmios2 Globo de Ouro · Academy Honorary Award (2024) · Emmy

A pergunta que Hollywood se recusava a responder sobre Angela Bassett não era se ela poderia carregar um filme. Isso foi decidido cedo, publicamente e de forma permanente. A questão era o que fazer com uma atriz do seu calibre em uma indústria que tinha um conjunto limitado de vagas para protagonistas dramáticas negras — e, por grande parte de sua carreira, uma imaginação ainda mais estreita sobre o que essas protagonistas poderiam ser.

Ela foi criada em St. Petersburg, Flórida, pela mãe após o divórcio dos pais, uma infância moldada mais pela disciplina e aspiração do que pelo privilégio. Em Yale, ela se formou em Estudos Afro-Americanos e depois ficou para um MFA em Drama — o tipo de compromisso institucional que diz mais sobre a seriedade de uma pessoa do que qualquer crítica inicial pode. O rigor técnico daqueles anos em New Haven acabaria por explicar o que o público sentia quando ela interpretava Tina Turner: não imitação, mas verdade habitada.

O início de sua carreira foi uma década de alicerces. Trabalho no teatro, aparições na televisão e papéis coadjuvantes no cinema que pagaram seus tributos sem anunciar uma chegada. Depois veio Boyz n the Hood em 1991, onde John Singleton lhe deu um papel no que se tornaria um dos filmes americanos mais importantes da década. Depois Malcolm X ao lado de Denzel Washington, onde ela interpretou Betty Shabazz com uma precisão que correspondia às próprias ambições do filme. Então — a atuação que mudou o quadro — What’s Love Got to Do with It.

A cinebiografia de Tina Turner não foi apenas uma atuação. Foi uma declaração sobre como o cinema negro poderia ser quando colocava uma mulher negra no centro e lhe dava total latitude emocional. A Turner de Bassett era feroz, terna, fisicamente habitada e estruturalmente inteligente — um relato de sobrevivência que nunca desabava no sentimentalismo. O Globo de Ouro foi para ela. O Oscar não. Holly Hunter levou o Oscar por The Piano naquele ano, e Bassett passou os trinta anos seguintes sendo apontada como a melhor atuação por críticos que não estavam naquela sala.

A década que se seguiu foi, por qualquer medida comum, bem-sucedida. Waiting to Exhale, Strange Days, How Stella Got Her Groove Back, um telefilme como Rosa Parks que lhe rendeu outra indicação ao Emmy — ela continuou trabalhando em alto nível enquanto Hollywood lentamente se calcificava nos tipos de papéis que imaginava que as mulheres negras deveriam ocupar.

Angela Bassett
Angela Bassett

O capítulo mal compreendido de sua carreira é o que durou aproximadamente de 2000 a 2012. Ela estava trabalhando. A indústria nem sempre lhe dava trabalhos que correspondiam ao que ela podia fazer. Filmes como Olympus Has Fallen e sua sequência a escalaram como a figura de autoridade confiável — produções de grande escala em que sua função era principalmente peso simbólico, e não profundidade dramática. Ela interpretou a Secretária de Estado, o centro moral, a mulher que proferia as falas importantes com gravidade. Ela fez isso bem. Não exigia o que ela era realmente capaz.

American Horror Story: Coven mudou esse cálculo. Ryan Murphy a escalou como Marie Laveau em 2013, e o resultado foram duas indicações ao Emmy em duas temporadas — confirmação de que o que ela podia fazer em território de gênero sem restrições era algo distinto da via do drama de prestígio que lhe haviam designado. Depois veio o MCU, e Black Panther, e a Rainha Ramonda. E então Black Panther: Wakanda Forever, onde Ryan Coogler confiou a ela o centro moral e emocional do filme após a morte de Chadwick Boseman. Ela produziu a atuação que finalmente forçou a mão da Academia uma segunda vez. O Globo de Ouro foi para ela. O Oscar foi para Jamie Lee Curtis.

O padrão era familiar. Em janeiro de 2024, a Academia lhe concedeu o Governors Award — o Oscar honorário — tornando-a apenas a segunda atriz negra a recebê-lo, depois de Cicely Tyson em 2018. Foi, dependendo da interpretação, um reconhecimento tardio ou uma maneira elegante de encerrar uma conta de trinta anos sem reabrir a competição. Bassett aceitou sem amargura visível e voltou ao trabalho. Naquele setembro, ela ganhou seu primeiro Emmy — por narrar Queens, uma série da National Geographic — após nove indicações e trinta e oito anos de tentativas.

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Em 2025, sua personagem Erika Sloane havia sido elevada a Presidente dos Estados Unidos em Mission: Impossible – The Final Reckoning, que estreou em Cannes em maio. Em julho de 2026, as filmagens começaram na 10ª temporada de 9-1-1, a série da ABC que ela estrela e produz como Sargento Athena Grant — uma personagem deixada lutando pela vida no final da 9ª temporada, o tipo de cliffhanger que confirma a confiança de uma rede na pessoa que o carrega. Ela completa 68 anos em 16 de agosto de 2026. Não há sinais de que o cálculo esteja prestes a mudar.

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