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Technoboys: um olhar nostálgico e brutalmente honesto sobre a fama em declínio

Veronica Loop
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A cena de abertura de Technoboys é um espetáculo: Alan, vocalista da boy band que dá nome ao filme, entra no palco com pose de estrela, em um cenário que parece saído direto de um videoclipe dos anos 1990. A plateia grita, as luzes piscam e, por um instante, dá para acreditar que esse é o triunfante retorno que os Technoboys merecem. Mas então a câmera corta para o presente e revela Alan (Luis Gerardo Méndez) de cueca, cantando diante do espelho com uma escova de cabelo na mão. Esse contraste abrupto dá o tom de um filme que fala tanto de nostalgia quanto da dura realidade de se tornar irrelevante.

Dirigido por Gerardo Gatica e Luis Gerardo Méndez (em sua estreia na direção), Technoboys acompanha as desventuras de uma boy band mexicana esquecida, dos anos 1990, que tenta recuperar a antiga glória. O filme mistura comédia, música e sátira em uma narrativa ao mesmo tempo divertida e perspicaz. Méndez estrela ao lado de Karla Souza, Gabriel Nuncio, Daniela Vega, Fernando Bonilla, Joaquín Ferreira e Luis Rodríguez “El Guana”, cada um trazendo seu próprio estilo ao elenco.

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O que funciona melhor em Technoboys é seu humor afiado e consciente de si mesmo. O filme não tem receio de tirar sarro dos absurdos da indústria musical, da cultura do cancelamento nas redes sociais e do desespero de artistas que se agarram à glória do passado. A atuação de Méndez como Alan se destaca: ele retrata a crise da meia-idade e as ambições delirantes do personagem com uma mistura de compaixão e comicidade. A química com Karla Souza, que interpreta Melena, acrescenta uma camada a mais à história e torna o relacionamento de idas e vindas dos dois envolvente e divertido.

O filme também brilha nas sequências musicais. As apresentações dos Technoboys são cheias de energia e nostalgia, evocando o espírito do pop dos anos 1990. A trilha sonora é um dos destaques, combinando canções clássicas e batidas modernas para criar uma experiência sonora singular. A fotografia impressiona na mesma medida, com cores vibrantes e movimentos de câmera dinâmicos que capturam a energia das performances.

Mas Technoboys também tem seus defeitos. Às vezes, a trama parece desconexa e salta de uma situação cômica a outra sem manter sempre um fio narrativo claro. Alguns personagens, como Babyface (Luis Rodríguez “El Guana”) e Leo (Joaquín Ferreira), parecem pouco desenvolvidos e acabam servindo mais como alívio cômico do que como indivíduos plenamente construídos. Além disso, a tentativa do filme de abordar temas sérios, como a cultura do cancelamento e a integridade artística, por vezes se perde no caos dos momentos cômicos.

A direção de Gatica e Méndez tem altos e baixos. Por um lado, os dois capturam com eficiência a energia frenética do universo dos Technoboys, recorrendo a cortes rápidos e à montagem acelerada para manter o público envolvido. Por outro, algumas cenas parecem apressadas, e o ritmo oscila. A estrutura do filme também poderia ser melhor, com subtramas que nem sempre se conectam de forma fluida à narrativa principal.

Apesar desses problemas, Technoboys é um filme que prende a atenção. A produção entende o poder da nostalgia, mas também reconhece o absurdo de se agarrar ao passado. As atuações são fortes, as músicas grudam na cabeça e o humor é afiado. A exploração de temas como identidade, relevância e a passagem do tempo acrescenta profundidade ao que poderia ser uma comédia convencional.

Technoboys deve tocar especialmente o público que cresceu nos anos 1990 e tem carinho por boy bands e música pop. É uma viagem nostálgica ao passado, mas também um alerta sobre os perigos de viver preso a ele. A mistura de comédia, música e sátira faz do filme uma opção singular no universo do streaming, que se destaca entre produções mais convencionais do gênero.

Em comparação com outros filmes mexicanos recentes, Technoboys se garante. Não tem o realismo cru de uma produção como Roma, mas encontra seu próprio espaço com uma abordagem leve e foco na música. Seus pontos fortes estão nas atuações e na capacidade de combinar nostalgia com temas contemporâneos, oferecendo uma mudança de ritmo bem-vinda em relação a dramas mais sérios.

O elenco entrega boas atuações de ponta a ponta. Karla Souza, como Melena, combina calor humano e firmeza no papel, enquanto Gabriel Nuncio, como George, garante o alívio cômico de que o filme precisa. Daniela Vega, como Charlis, e Fernando Bonilla, como Freddy, dão profundidade à dinâmica do grupo, cada um contribuindo com sua personalidade própria. Joaquín Ferreira, como Leo, e Luis Rodríguez “El Guana”, como Babyface, acrescentam outras camadas de humor e carisma.

A originalidade do filme está na facilidade com que mistura gêneros. É musical, comédia e sátira, tudo ao mesmo tempo. Essa combinação mantém a história interessante e imprevisível, sem deixar o público saber exatamente o que vem a seguir. A abordagem de temas como a cultura do cancelamento e a integridade artística acrescenta mais profundidade à produção, que se torna algo além de uma comédia convencional.

Dentro do gênero, Technoboys se sai muito bem. O filme capta o espírito do pop dos anos 1990 e, ao mesmo tempo, reconhece as mudanças ocorridas desde então na indústria musical. A mistura de nostalgia e temas contemporâneos faz dele uma opção singular entre as comédias musicais, que se destaca das produções mais convencionais do gênero.

Em resumo, Technoboys é um filme que funciona em vários níveis. O humor afiado, as boas atuações e as músicas contagiantes fazem dele uma experiência divertida. Embora a trama às vezes pareça desconexa e alguns personagens não sejam suficientemente desenvolvidos, a exploração de temas como identidade e relevância acrescenta profundidade ao que poderia ser uma comédia convencional.

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Fotos: The Movie Database (TMDB)

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