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Príncipes Perigosos: thriller mexicano da Netflix em que outros pagam pelos jovens ricos

Jun Satō
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Príncipes Perigosos, de Humberto Hinojosa Ozcariz, acompanha adolescentes mexicanos ricos cujos crimes evoluem de brincadeiras para planos perigosos, enquanto as consequências recaem sobre todo mundo, menos sobre eles.

Príncipes Perigosos (Príncipes salvajes, no original) é um thriller policial mexicano de 2024 produzido para a Netflix, dirigido por Humberto Hinojosa Ozcariz a partir de um roteiro de Santiago Mohar Volkow. Juan Pablo Fuentes, Ximena Lamadrid, Fernando Cattori e Renata Manterola lideram o elenco, com Alfonso Herrera creditado em participação especial. O filme estreou na Netflix na quarta-feira, 28 de agosto de 2024, e tem 99 minutos de duração.

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A premissa cabe em uma única linha da sinopse oficial: um grupo de jovens ricos comete crimes que evoluem de pequenas travessuras para planos realmente perigosos, com consequências para todos, menos para eles mesmos. Essa última frase é o motor de todo o projeto. No papel, esta é menos uma história sobre se um punhado de adolescentes ricos vai ser pego e mais uma história sobre quem sai prejudicado no lugar deles.

Do que trata o filme

No centro estão Xavier, vivido por Juan Pablo Fuentes, e Gerardo, vivido por Fernando Cattori, dois amigos protegidos pelo dinheiro e pela influência de suas famílias. Como descrito na cobertura publicada na época do lançamento, o primeiro golpe deles é um roubo encenado dentro de casa: o butim são os relógios e o dinheiro vivo do pai de um deles, e quem acaba levando a culpa são os empregados da casa, não os filhos.

Príncipes Perigosos
Príncipes Perigosos

A partir daí, os crimes só aumentam. Ximena Lamadrid interpreta Mariana e Renata Manterola interpreta Renata, ambas do mesmo círculo, e o gosto do grupo pelo risco cresce mais rápido do que qualquer noção de quem paga por ele. Quando um dos roubos dá errado, um investigador vivido por Alfonso Herrera, creditado como Rodrigo Majárrez, começa a juntar as peças. Caraly Sánchez, Itzel Quintal, Ana Wills e Francisco Rubio completam o elenco de apoio. Daí em diante, é melhor deixar a trama para o próprio filme, e nada aqui vai além do que a Netflix e a cobertura da semana de estreia tornaram público.

O diretor e o roteirista

Humberto Hinojosa Ozcariz passou a última década transitando entre longas-metragens e séries de streaming de alto padrão. Entre seus créditos estão o longa Oveja negra e o road movie Camino a Marte (2017), episódios de Luis Miguel: A Série, Las viudas de los jueves (2023), da Netflix, adaptação do romance de Claudia Piñeiro sobre os moradores de um condomínio fechado, e a série do Prime Video ¿Quién lo mató? (2024), sobre o assassinato do apresentador de televisão Paco Stanley em 1999. Príncipes Perigosos ocupa o mesmo território: a casa confortável da elite mexicana, e as pessoas ao redor dela, como cenário de um crime.

Santiago Mohar Volkow chegou ao projeto já como diretor, com longas como Los muertos (2014) no currículo. Seu roteiro se apoia em uma premissa de classe, e não em uma premissa de assalto. A pergunta que ele coloca não é como os crimes são cometidos, mas quem acaba carregando o peso deles: os funcionários domésticos, os de fora, qualquer um sem um sobrenome que abra portas.

O filme é uma produção da BH5 e da Tigre Pictures, com Pablo García Gatterer e Rodrigo Trujillo entre os produtores. Marc Bellver, que também fotografou Las viudas de los jueves e ¿Quién lo mató? para Hinojosa, é o diretor de fotografia; Sam Baixauli assina a montagem e Rodrigo Dávila Chapoy compôs a trilha sonora. Na prática, boa parte da equipe habitual de televisão do diretor o acompanhou neste longa.

Um elenco que mistura um astro com rostos novos

Alfonso Herrera é o nome mais conhecido dos créditos. Ele ficou famoso com a novela Rebelde e a banda RBD e depois construiu uma carreira internacional com séries como Sense8, The Exorcist e Ozark, filmes mexicanos como El baile de los 41 e ¡Que viva México!, e os dois filmes de Rebel Moon, de Zack Snyder. Em Príncipes Perigosos, ele interpreta o adulto do outro lado da história, um investigador em um filme que, de resto, gira em torno de pessoas a quem nunca pediram que respondessem por nada.

Os quatro protagonistas são mais jovens. Ximena Lamadrid já tinha vivido a personagem-título de Quem Matou Sara?, da Netflix, outra história sobre os segredos de uma família mexicana influente, e esteve em Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades (2022), de Alejandro G. Iñárritu. Juan Pablo Fuentes veio da série de aventura da Netflix Bandidos, lançada no início de 2024. Fernando Cattori e Renata Manterola completam o grupo de amigos no coração da história.

Um tema muito mexicano

O México tem uma palavra para o tipo que o filme leva às telas: mirreyes, a gíria para os filhos e filhas ostentadores da riqueza cujos excessos acontecem em público e nas redes sociais. O jornalista Ricardo Raphael dedicou um livro inteiro ao fenômeno, Mirreynato (2014), sobre a desigualdade vista do topo. Príncipes Perigosos pega essa figura e a empurra para o crime: dinheiro herdado, nenhum limite visível e um rastro de estragos que outros precisam limpar.

O cinema mexicano ronda essa classe há anos. Las niñas bien (2018), de Alejandra Márquez Abella, acompanhava uma socialite durante a crise da dívida de 1982, e Nuevo orden (2020), de Michel Franco, imaginava uma revolta popular invadindo o casamento de uma família rica. A premissa de jovens privilegiados brincando com a vida dos outros também convida à comparação com Funny Games (1997), de Michael Haneke, que o próprio Haneke refilmou em inglês em 2007, embora, pela própria sinopse, Príncipes Perigosos caminhe mais para o thriller policial do que para o pesadelo de invasão de domicílio.

Como foi o desempenho na Netflix

A Netflix apresentou o filme em agosto de 2024 como parte de sua leva de produções mexicanas “Que México se vea”, a mesma campanha que antecipou a adaptação de Pedro Páramo dirigida por Rodrigo Prieto e a comédia Technoboys. Lançado na quarta-feira, 28 de agosto, Príncipes Perigosos chegou ao segundo lugar do Top 10 global da Netflix de filmes em língua não inglesa em sua primeira semana, até 1º de setembro, com 2,4 milhões de visualizações e quatro milhões de horas assistidas. O filme permaneceu na lista por uma segunda semana, em nono lugar, com 800 mil visualizações.

Naquela primeira semana, também entrou no Top 10 nacional do México, da Colômbia, da Argentina, do Uruguai, do Paraguai, da Venezuela, da República Dominicana e da Polônia. A trajetória foi curta, duas semanas no ranking global, mas o filme continua reaparecendo: dois anos após a estreia, ainda surgia em listas de streaming latino-americanas, muitas vezes apresentado tanto pelo conteúdo adulto quanto pela trama.

Nossa opinião

O que Príncipes Perigosos oferece no papel é uma moldura de gênero conhecida, um thriller policial com um investigador fechando o cerco, ligada a uma pergunta incisiva sobre quem paga pelos crimes dos ricos. Se ele pende mais para a denúncia social ou para o puro entretenimento de gênero é a tensão embutida na premissa, e cada espectador vai resolvê-la de um jeito.

O atrativo está na combinação: um diretor com experiência recente em true crime e drama social mexicanos, um roteirista vindo do cinema autoral, um elenco que junta o reconhecimento de Alfonso Herrera a uma geração mais jovem de atores mexicanos e uma história mais interessada nos danos colaterais do que na punição. Com 99 minutos, é uma proposta enxuta, e um dos filmes mexicanos da Netflix mais comentados de 2024.

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