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Um Crime para Dois: Issa Rae e Nanjiani e o crime que quase não importa

Martha Lucas

Jibran e Leilani estão prestes a terminar quando se envolvem num assassinato que não cometeram. O que Michael Showalter faz com essa premissa é mais interessante do que resolver o crime: usa a noite de fuga para forçar a conversa que esse casal estava evitando. Um Crime para Dois entende que o homicídio é o problema mais simples da noite.

Issa Rae e Kumail Nanjiani funcionam porque sua química não é de casal apaixonado, mas de casal desgastado — registro muito mais difícil de jogar bem. Leilani já chegou a uma conclusão que Jibran ainda adia. Essa diferença entre os dois personagens é o que sustenta o humor e dá peso emocional à comédia.

Showalter, que com The Big Sick mostrou que sabe equilibrar comédia e emoção, dirige aqui com a mesma lógica: a comédia precisa ser escura o suficiente para as apostas serem reais, leve o suficiente para o humor funcionar. O resultado é um filme que resiste à tentação de explicar o próprio absurdo, e é mais inteligente por isso.

O terceiro ato se apressa mais do que deveria, e a revelação do culpado não tem o impacto que poderia. Mas isso não é exatamente uma falha — Um Crime para Dois nunca foi sobre o culpado. A resposta à pergunta real chega nas últimas falas.

O filme chegou ao Netflix em maio de 2020, depois de ter sido deslocado do lançamento no cinema pela pandemia. Uma comédia que faz o que se propõe a fazer com clareza merece a nota 7,2 que recebe aqui.

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Michael Showalter

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