Música

O K-pop construiu um império de mundos fictícios. NewJeans chegou sem nenhum deles

Noah Brandt

Todo comeback do K-pop começa com uma decisão que não tem nada a ver com música. Antes de uma única nota ser gravada, uma equipe criativa determina qual argumento esse lançamento fará: não qual som usará, mas quem serão essas pessoas.

Quando o EXO estreou com “MAMA,” o lançamento veio com uma cosmologia: doze membros divididos em duas subunidades para proteger uma Árvore da Vida de uma Força Vermelha corruptora. A SM Entertainment havia construido um sistema de lore que precedeu, por anos, qualquer interesse ocidental em storytelling transmídia.

O VIXX ganhou o rótulo de “Reis do Conceito.” O NCT levou a lógica ainda mais longe. O BTS lançou seu universo narrativo com “I Need U.” Um webtoon acompanhante acumulou 50 milhões de visualizações.

O aespa chegou com uma dimensão digital paralela chamada Kwangya, uma vilã IA chamada Black Mamba e uma entidade IA fictícia chamada nævis. A meta declarada da SM era uma “Nação Virtual.”

Então o NewJeans estreou com quase nenhuma promoção prévia: sem teasers, sem fotos de conceito. A diretora criativa Min Hee-jin havia passado dezoito anos na SM construindo identidades visuais para SHINee, EXO e Girls’ Generation.

O consenso crítico identificou rapidamente o paradoxo: uma rejeição calculada do conceito é em si mesma um conceito. Um tribunal de Seul constatou que o ILLIT não havia plagiado tecnicamente a estética do NewJeans. A decisão expos a lacuna estrutural: no K-pop, os conceitos não têm proteção de propriedade intelectual.

Se tudo isso constitui identidade artística é uma pergunta que o gênero ainda não resolveu.

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