Música

aespa e o mundo fictício que virou a maior conquista real do K-pop

Penelope H. Fritz

aespa estreou em novembro de 2020 com “Black Mamba” e um conceito que a indústria demorou para processar: quatro artistas com quatro avatares digitais que vivem em uma dimensão paralela chamada Kwangya, combatendo um vilão chamado Black Mamba. O videoclipe de estreia acumulou 21,4 milhões de visualizações nas primeiras 24 horas — recorde para um debut de grupo K-pop. O universo fictício já tinha público antes de qualquer um conseguir explicá-lo direito.

O quarteto é formado por Karina, líder coreana e centro visual do grupo; Giselle, de origem japonesa e coreana, que fala três idiomas; Winter, vocal e bailarina de precisão técnica notável; e Ningning, vocal principal nascida na China. SM Entertainment passou mais de um ano apresentando cada membro individualmente nas redes sociais antes da estreia. A antecipação foi estratégica — e funcionou.

“Next Level” confirmou que o conceito ultrapassava o fandom original. A regravação de uma música preexistente virou fenômeno viral global: a coreografia foi replicada em milhões de vídeos no mundo todo, levando aespa a públicos que nunca tinham ouvido K-pop. Uma proposta construída em torno de avatares digitais gerou um dos momentos físicos mais compartilhados do pop recente. Essa contradição diz muito sobre o que aespa faz de diferente.

Os EPs Savage e Girls consolidaram a posição comercial do grupo. Savage estreou na 20ª posição da Billboard 200 — o melhor debut para um EP de grupo feminino K-pop até aquele momento. Girls superou o recorde: com mais de um milhão de cópias vendidas na primeira semana, tornou-se o álbum mais vendido da história dos grupos femininos do gênero. Rolling Stone elogiou as “batidas sintetizadas intensas, vozes poderosas e uma produção visual que não dá um segundo de respiro”.

Em 2024, aespa chegou a um patamar diferente. “Supernova” ficou quinze semanas consecutivas no número um do Melon — a sequência mais longa desde a fundação da plataforma em 2004. No Melon Music Awards de novembro, o grupo varreu os três grandes prêmios ao mesmo tempo: Álbum, Canção e Artista do Ano, se tornando o primeiro grupo feminino na história da premiação a conseguir isso. O EP Whiplash entrou no top 10 do Billboard Global 200.

Junto com o sucesso veio a controvérsia. O debate sobre lip-sync nas performances televisivas de aespa se arrasta há anos sem resolução. Erros de coreografia documentados em vídeo, acusações de performances inconsistentes em transmissões ao vivo — tudo isso coexiste com os recordes e os prêmios. O grupo respondeu de forma irregular a essas críticas, e o assunto continua em aberto.

Em 2026, aespa lançou LEMONADE, o segundo álbum de estúdio, com colaborações com G-Dragon, Ty Dolla $ign e Becky G. O single principal, “WDA (Whole Different Animal)”, as coloca em um registro mais duro e confrontador do que qualquer trabalho anterior. A turnê mundial SYNK : COMPLæXITY começa em Seul em agosto de 2026 e passa pela Ásia, América do Norte, América Latina, Reino Unido e Europa até fevereiro de 2027.

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