Música

Buck Meek, o guitarrista do Big Thief que gravou com a banda na sua cabana

Penelope H. Fritz
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Buck Meek
Nascimento10 de julho de 1987
Wimberley, Texas, Estados Unidos
OcupaçãoGuitarrista, cantor e compositor

No vídeo de «Gasoline», Buck Meek canta na varanda de uma cabana de madeira enquanto sua banda toca lá dentro, à vista pela janela da sala. A cabana é a Ringo Bingo, o estúdio que ele divide com a esposa, a cantora Germaine Dunes, e quem produziu o disco ali dentro foi James Krivchenia, o baterista que fica atrás de Meek todas as noites no Big Thief. Para um guitarrista cuja carreira solo costuma ser descrita como uma porta lateral para escapar de uma das bandas de indie folk mais acompanhadas de perto, a imagem diz algo simples: em The Mirror, Meek não saiu de casa. Convidou todo mundo para entrar.

Essa escolha está no centro da carreira dele. Há mais de uma década, Meek é a segunda voz de uma banda construída em torno das canções de Adrianne Lenker: o guitarrista cujas linhas se enroscam nas melodias dela e cujos vocais agudos de apoio encorpam os refrões. Seus próprios discos, mais suaves e divagantes, continuam sendo lidos em comparação com os da banda. A pergunta que sua carreira não para de fazer é se o trabalho solo de um músico de apoio precisa ser uma fuga ou se pode ser apenas outro cômodo da mesma casa.

O caminho começou em Wimberley, uma pequena cidade na região de Texas Hill Country, onde Alexander Buckley Meek nasceu em 10 de julho de 1987. Ele começou a tocar guitarra ainda criança e, na adolescência, já se apresentava em bares e salões de dança pelo Texas, tocando blues e western swing muito antes de alguém chamar sua música de indie. Depois, estudou no Berklee College of Music, em Boston, e se mudou para Nova York, onde pagava o aluguel tocando na rua nas estações de metrô da 14th Street–Union Square e da Bedford Avenue.

Foi também em Nova York que a parceria com Lenker tomou forma. Os dois lançaram um par de EPs em duo, a-sides e b-sides, em 2014 e, no ano seguinte, formaram o Big Thief no Brooklyn com o baixista Max Oleartchik, que conheceram na Berklee; Krivchenia, inicialmente engenheiro de som da banda, logo assumiu a bateria. Masterpiece chegou em 2016, seguido por Capacity, em 2017. Então veio 2019, ano em que a banda lançou dois álbuns, U.F.O.F. e Two Hands, e o primeiro recebeu uma indicação ao Grammy de Melhor Álbum de Música Alternativa. O expansivo álbum duplo Dragon New Warm Mountain I Believe in You veio em 2022 e rendeu uma segunda indicação na mesma categoria.

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Meek e Lenker se casaram depois de se conhecerem em Nova York e se divorciaram em 2018. A banda não se desfez pelo mesmo motivo. Quem olha de fora costuma se prender a esse detalhe. Os dois continuaram compondo, gravando e fazendo turnês juntos, e ambos os álbuns do Big Thief indicados ao Grammy foram feitos depois do fim do casamento.

A discografia solo de Meek começou com um álbum homônimo, Buck Meek, lançado em 2018 pelo selo independente Keeled Scales. Two Saviors veio em janeiro de 2021, gravado durante uma onda de calor em Nova Orleans, na esquina das ruas Royal e Desire, com o produtor Andrew Sarlo, colaborador frequente do Big Thief; o pedal steel de Mat Davidson e o órgão tocado por Dylan, irmão de Meek, deram ao disco um balanço country despojado. Naquele mesmo ano, Meek apareceu entre os músicos de Shadow Kingdom, a performance filmada de Bob Dylan dirigida por Alma Har’el. Haunted Mountain, seu primeiro álbum pela 4AD, chegou em 2023: a compositora Jolie Holland coescreveu cinco das onze faixas, incluindo a que dá título ao disco; Davidson produziu o álbum, que alcançou a 82ª posição na parada Current Album Sales da Billboard.

As críticas ao trabalho solo de Meek têm sido consistentes e merecem ser consideradas. Ao resenhar Two Saviors no The Guardian, Phil Mongredien disse que o álbum era tranquilo demais para o próprio bem, com canções que perdiam o foco por trás de uma voz leve como uma pluma. Cinco anos depois, o The List descreveu The Mirror como, em quase tudo menos no nome, um álbum do Big Thief e o chamou de aperitivo. As duas resenhas identificam algo real: Meek raramente eleva a voz, e suas canções quase nunca crescem até o tipo de catarse que Lenker alcança. O que elas deixam passar é que a escala reduzida é justamente o assunto. Em «Demon», ele canta sobre tentar escrever para dar conta da própria vida e amar a esposa; em «Heart In The Mirror», propõe-se a escrever uma canção que não seja para os outros. São discos sobre a escala doméstica, e julgá-los pelo tamanho da catarse da banda é um erro de categoria. A crítica mais justa é mais específica: quando a escrita fica vaga, não há volume a que recorrer para disfarçar.

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Enquanto isso, a banda mudou de formação. Oleartchik deixou o Big Thief em 2024, e o grupo citou razões interpessoais. Os três integrantes restantes gravaram Double Infinity ao vivo, ao longo de três semanas, na Power Station, em Nova York, com o produtor Dom Monks e um grupo de músicos convidados. Lançado pela 4AD em setembro de 2025, foi o primeiro álbum do Big Thief gravado como trio.

The Mirror, seu quarto álbum solo, saiu pela 4AD em 27 de fevereiro de 2026. Krivchenia, que tem explorado a música eletrônica em seus próprios discos, levou sintetizadores modulares para as sessões na cabana e os incorporou à base tocada ao vivo por Ken Woodward, Adam Brisbin e Jesse Quebbeman-Turley. Lenker canta nos vocais de apoio ao lado de Holland, Staci Foster e Dunes; a harpista Mary Lattimore e o compositor Alex Somers acrescentam novas cores, e Dylan Meek também está de volta à sala. Em entrevista à revista berlinense tip Berlin, em março, Meek disse que as sílabas inventadas e sem palavras que abrem o disco não têm um significado fixo. Ele descreveu o álbum como uma obra sobre comunicação, algo que consegue fazer melhor quando confia na intuição em vez de tentar explicar.

Meek mora no sul da Califórnia com Dunes, que conheceu na Holanda, e os dois também tocam juntos no Kisser, banda em que Dunes assume os vocais principais e Meek fica na guitarra — uma configuração que inverte o papel dele no Big Thief. O Kisser também abriu a maioria dos shows de sua turnê de primavera, que começou em South Pasadena em 12 de março e passou pelo Reino Unido, pela Irlanda e pela Europa continental.

O ano se dividiu entre essas duas vidas. O Big Thief passou a primavera na Europa, incluindo três noites na O2 Academy Brixton, em Londres, e depois cruzou a América do Norte de agosto a outubro, com um show no Red Rocks Amphitheatre, nos arredores de Denver, em 6 de outubro. Agora, Meek volta à estrada por conta própria: uma série de shows pela Costa Oeste começa no The Crocodile, em Seattle, em 2 de dezembro, e segue pelo litoral, passando por Vancouver, San Francisco e San Diego, antes de terminar no Pappy and Harriet’s, em Pioneertown, em 11 de dezembro, com o Kisser em várias das apresentações. É o mesmo arranjo das sessões na cabana, agora levado para a estrada: suas próprias canções, sua própria banda e a família no palco ao seu lado.

Discografia selecionada

  • Buck Meek (2018)
  • Two Saviors (2021)
  • Haunted Mountain (2023)
  • The Mirror (2026)

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