Música

Butch Vig, o produtor de Nevermind que volta aos Smashing Pumpkins depois de 33 anos

Penelope H. Fritz
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Butch Vig
Butch Vig
Photo: Valdo Howell / CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Nascimento2 de agosto de 1955
Viroqua, Wisconsin, United States
OcupaçãoProdutor musical, baterista
PrêmiosGrammy Award de Melhor Álbum de Rock como produtor

A crítica acompanha Butch Vig há boa parte de sua carreira — e veio primeiro do homem cuja voz ele gravou. Kurt Cobain disse que sentia vergonha de Nevermind, que o álbum soava mais como um disco do Mötley Crüe do que como punk rock. O produtor, supostamente culpado por deixar o grunge mais palatável para o rádio, acabou cofundando uma banda para escapar de vez da formação com guitarra, baixo e bateria. E as bandas de guitarra continuam recorrendo a ele. Neste outono, é a vez do Smashing Pumpkins, que não gravava um disco com Vig desde Siamese Dream.

Bryan David Vig cresceu em Viroqua, uma pequena cidade no oeste de Wisconsin. Nasceu em agosto de 1955, filho de DeVerne Vig, médico em um hospital, e Betty Vig, professora de música. O apelido veio do corte de cabelo curto e rente que o pai lhe dava. Estudou piano por seis anos, até trocá-lo por uma bateria de US$ 60 depois de ver o Who no programa The Smothers Brothers Comedy Hour. Na Universidade de Wisconsin, em Madison, entrou para estudar cinema, compôs peças eletrônicas para filmes de baixo orçamento — uma delas acabou no filme B Slumber Party Massacre — e descobriu que moldar o som lhe interessava tanto quanto tocar.

Madison virou sua oficina. A partir de 1978, tocou bateria no Spooner ao lado de Duke Erikson, ajudou a criar uma pequena gravadora, a Boat Records, para lançar bandas locais e, com Steve Marker, montou um estúdio no porão que viria a se tornar o Smart Studios. Durante anos, dirigiu táxi de dia e tocou à noite. Sua banda seguinte, Fire Town, assinou com a Atlantic, que contratou um produtor para o segundo álbum do grupo. As sessões foram mal e o disco fracassou, mas Vig saiu dali com uma formação prática em técnicas de produção. O Smart se tornou o estúdio onde bandas barulhentas e abrasivas iam gravar, entre elas Killdozer, Tad e L7.

Foi essa reputação que levou a Sub Pop a mandar o Nirvana para Madison, em abril de 1990, para gravar músicas para um segundo álbum. Quando a banda assinou com a DGC e a gravadora ofereceu produtores que queriam participação nos royalties, o Nirvana insistiu em Vig. Nevermind foi gravado no Sound City, em Van Nuys, em maio e junho de 1991, com orçamento de US$ 65 mil. Cobain resistia a gravar vocais em camadas, até Vig lhe dizer que John Lennon dobrava os próprios vocais. “Ele ficava ótimo por uma hora e, depois, sentava num canto e passava uma hora sem dizer nada”, lembrou Vig. O álbum vendeu mais de 30 milhões de cópias, recebeu certificação de diamante nos Estados Unidos e, em 2004, entrou para o Registro Nacional de Gravações da Biblioteca do Congresso.

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No mesmo ano, Vig produziu Gish, álbum de estreia do Smashing Pumpkins, no Smart. A sequência foi um cerco. Siamese Dream foi gravado no Triclops Studios, em Marietta, na Geórgia, para onde a banda havia se mudado a fim de manter o baterista longe de seus contatos com a heroína. Vig coproduziu o disco com Billy Corgan em jornadas de 12 horas que passaram a durar 15, enquanto Corgan frequentemente substituía as partes dos colegas pelas próprias gravações. “D’arcy se trancava no banheiro, James não dizia nada, ou Billy se trancava na sala de controle”, recordou Vig. Algumas músicas chegaram a ter até 100 partes de guitarra. As sessões duraram quatro meses e estouraram o orçamento em US$ 250 mil; o álbum ganhou sete discos de platina. No mesmo período, Vig produziu Dirty e Experimental Jet Set, Trash and No Star, do Sonic Youth, e Bricks Are Heavy, do L7.

A acusação de que o som é polido demais merece uma análise mais cuidadosa do que costuma receber. O acabamento de Nevermind deve tanto à mixagem quanto às sessões: Vig e a banda não gostaram das mixagens dele e chamaram Andy Wallace, cujo trabalho nas baterias e guitarras deu ao disco o brilho pronto para o rádio que Cobain renegaria mais tarde. Steve Albini, que gravou In Utero, disse que a mixagem original de Vig “soava talvez 200 vezes mais porrada” do que o álbum lançado. Essa mixagem rejeitada só foi divulgada no box de 20º aniversário. Vig nunca fingiu que a banda detestava o disco quando o terminou. Segundo ele, Cobain não podia sair por aí dizendo que amava um álbum que vendeu 10 milhões de cópias. “Não pega bem.” A ideia de que Vig tornou o grunge mais palatável favorece o produtor e simplifica o disco.

A essa altura, ele queria escapar do formato que o havia consagrado. “Quando terminei Nevermind, eu já tinha gravado, juro por Deus, mil bandas que eram só guitarra, baixo e bateria”, disse. Empolgado com discos como os do Public Enemy, feitos com samplers, formou o Garbage com Marker e Erikson, assumiu a bateria e chamou a cantora escocesa Shirley Manson. Garbage vendeu mais de quatro milhões de cópias; Version 2.0 chegou ao topo da parada britânica e foi indicado ao Grammy de Álbum do Ano; e a banda gravou a música-tema de James Bond, “The World Is Not Enough”. A turnê de Beautiful Garbage foi o ponto mais baixo: Vig contraiu hepatite A e depois desenvolveu paralisia de Bell, e outros bateristas precisaram substituí-lo nos shows. Depois de Bleed Like Me, a banda entrou em hiato, após vender cerca de 17 milhões de álbuns.

A produção preencheu o intervalo. Vig produziu 21st Century Breakdown, do Green Day, vencedor do Grammy de Melhor Álbum de Rock, e voltou a trabalhar com Dave Grohl, então à frente do Foo Fighters, em Wasting Light. Grohl queria gravar em fita analógica na garagem de sua casa em Encino. A princípio, Vig achou que era brincadeira; depois, teve de reaprender a editar fitas. O álbum estreou em primeiro lugar nos Estados Unidos, venceu o Grammy de Melhor Álbum de Rock e rendeu a Vig uma indicação a Produtor do Ano. Desde então, seus parceiros mais constantes têm sido o Silversun Pickups, para quem produziu Widow’s Weeds, Physical Thrills e, em fevereiro, Tenterhooks.

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O Garbage voltou a se reunir em 2010. Seu oitavo álbum, Let All That We Imagine Be the Light, saiu em 2025, produzido pela banda com Billy Bush, engenheiro de longa data do grupo, e gravado em parte no estúdio do próprio Vig, o Grunge Is Dead. A turnê de 2026 passou pelo Castelo de Edimburgo, na cidade natal de Manson, e termina com um show gratuito no Zócalo, na Cidade do México, em 14 de novembro — apresentação que Manson descreveu como o encerramento de três décadas de turnês constantes em ônibus.

A reunião com o Pumpkins começou com uma transmissão ao vivo em maio, quando Corgan disse que a banda havia gravado uma música com Vig e que ela estava “98% pronta”. A faixa era “Black Stars”, que surgiu das sessões de Corgan para um álbum solo; Vig o ajudou a escolher a música que melhor se encaixava na história. Eles a gravaram no Chaplin Studios, em Los Angeles, com sessões adicionais em Chicago. A canção está em The Hunger Games: Sunrise on the Reaping (The Album), lançado pela MCA em 13 de novembro, uma semana antes da estreia do filme.

Vig é casado com Beth Halper, ex-executiva de A&R da DreamWorks. Eles têm uma filha, Bo Violet, e vivem no bairro de Silver Lake, em Los Angeles.

Novembro lhe reserva dois encerramentos em uma mesma semana: a trilha sonora que traz sua primeira produção com o Pumpkins em mais de três décadas e a última noite da longa era de turnês de ônibus do Garbage, na maior praça do México. Nenhum dos dois parece sinal de aposentadoria. O homem acusado de deixar o rock limpo demais continua sendo aquele em quem as bandas de rock confiam para dizer como elas realmente soam.

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