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Frances McDormand, a atriz que fez do ordinário um manifesto cinematográfico

Penelope H. Fritz
Frances McDormand
Frances McDormand
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento23 de junho de 1957
Gibson City, Illinois, United States
OcupaçãoAtriz, Produtora
Conhecido porTrês Anúncios Para Um Crime, Fargo: Uma Comédia de Erros, Ilha dos Cachorros
Prêmios4 Oscar · Tony · 2 Emmy · 2 BAFTA · Globo de Ouro

Os personagens que Frances McDormand escolhe têm algo em comum que nada tem a ver com glamour: eles persistem. Marge Gunderson investiga uma série de assassinatos em Minnesota com a barriga de quem está no nono mês de gravidez, metódica e impávida, alheia ao absurdo da cena do crime. Mildred Hayes coloca três cartazes às margens de uma estrada no Missouri para forçar a polícia local a responder pela inação após o assassinato de sua filha, sem se preocupar com os inimigos que faz. Fern dirige uma van pelo Oeste americano aos sessenta anos, sem casa fixa, sem rede de apoio, com uma dignidade estranha e tranquila. Elas não são heroínas no sentido convencional. São mulheres que se recusam a parar.

McDormand nasceu em Gibson City, no Illinois, e foi adotada ainda bebê por Noreen e Vernon McDormand — ele, pastor da Disciples of Christ cujas mudanças levaram a família pelo interior dos Estados Unidos até a Pensilvânia. Estudou teatro no Bethany College, fez mestrado em Yale, e foi lá que aconteceu a virada decisiva de sua carreira: fez testes, junto com Holly Hunter, para o filme de estreia de dois irmãos desconhecidos chamados Joel e Ethan Coen. McDormand conseguiu o papel em Sangue Simples (1984), o primeiro longa dos Coen, e casou com Joel no mesmo ano. A parceria pessoal e artística que nasceu naquele teste nunca realmente terminou.

As primeiras colaborações com os Coen foram papéis de conjunto — Arizona Vai de Novo, Barton Fink — enquanto McDormand construía uma carreira paralela no teatro e no cinema independente. Depois veio Fargo. O filme de 1996 a colocou como Marge Gunderson, uma chefe de polícia visivelmente grávida de uma cidade pequena de Minnesota, investigando uma série de assassinatos em uma paisagem de neve e silêncio. O papel exigia que ela fosse ao mesmo tempo engraçada, metodicamente precisa, fisicamente desajeitada e moralmente firme, sem anunciar nenhuma dessas qualidades. Ela foi tudo isso ao mesmo tempo. O Oscar de Melhor Atriz em 1997 confirmou o que qualquer espectador já sabia. Não mudou, porém, como ela trabalhava.

A década seguinte a levou para outras formas: a peça de Broadway Good People (2011, Tony de Melhor Atriz em Peça de Teatro), a minissérie da HBO Olive Kitteridge (2014, dois Emmys — atuação e produção). Com essas três conquistas — Oscar, Emmy, Tony — entrou para o seleto grupo que completou a chamada Tríplice Coroa da Interpretação.

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Três Anúncios para um Crime (2017), de Martin McDonagh, a mostrou como Mildred Hayes — uma mãe enlutada, beligerante e deliberadamente antipaticamente retratada, que trava uma guerra individual contra as autoridades após o assassinato da filha ficar sem solução. O que torna a atuação notável é o que ela recusa fazer: não há arco de redenção, não há suavização, não há momento em que Mildred se torne mais fácil de gostar. Ela é cruel, obcecada, justa e injusta ao mesmo tempo, e McDormand interpreta cada contradição sem piscar. Um segundo Oscar se seguiu, junto com o BAFTA e o Globo de Ouro.

Há quem argumente que as escolhas de McDormand constituem uma forma calculada de anti-celebridade — que a recusa a entrevistas, a preferência por papéis sem glamour e o retiro em Bolinas, Califórnia, são em si uma marca tão deliberada quanto qualquer outra. O argumento é razoável. Mas o trabalho em si faz uma reivindicação diferente: um argumento sustentado por quarenta anos de que o cinema americano fingiu por tempo demais que mulheres de certa idade, de certa corpulência, de certa qualidade sem adornos não são interessantes. Marge Gunderson está visivelmente grávida. Mildred Hayes é uma mulher na meia-idade com uma raiva enorme. Fern tem sessenta anos e dorme em uma van. McDormand não interpreta a normalidade como estratégia — ela parece acreditar genuinamente que essas são as mulheres mais interessantes a encarnar.

Nomadland (2020) de Chloé Zhao lhe deu Fern — uma viúva recente que, após o fechamento da cidade operária de Empire, no Nevada, começa a viver em uma van adaptada e a seguir trabalhos sazonais pelo Oeste. Um terceiro Oscar de Melhor Atriz chegou, junto com um quarto — de Melhor Filme como produtora. No outono de 2026 chega Jack of Spades, um filme de Joel Coen ambientado na Escócia do século XIX, no qual McDormand atua e produz ao lado de Josh O’Connor e Lesley Manville. Quarenta anos depois de Sangue Simples, a parceria continua.

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