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Henry Cavill, o ator que decidiu produzir as franquias que insistiam em dispensá-lo

Penelope H. Fritz
Henry Cavill
Henry Cavill
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento5 de maio de 1983
Saint Helier, Jersey, Channel Islands
OcupaçãoAtor
Conhecido porLiga da Justiça de Zack Snyder, Deadpool & Wolverine, Missão: Impossível – Efeito Fallout
PrêmiosMTV Movie · National Movie Award (UK)

Henry Cavill passou a maior parte dos trinta e tantos anos ouvindo que seria a próxima grande coisa, e vendo a próxima grande coisa ir parar nas mãos de outro. Super-Homem, Geralt de Rívia, em algum momento James Bond: cada papel o encontrava, o acendia e depois se dissolvia na política de um estúdio ou na briga interna de um quarto de roteiristas. A resposta razoável seria sacar o cheque e seguir em frente. Ele fez algo mais estranho. Começou a produzir as franquias em que queria morar, levando Amazon MGM, Chad Stahelski, Guy Ritchie e Games Workshop a construir filmes em volta de suas obsessões em vez de alugá-lo às deles.

A carreira começou pelo trilho educado do cinema britânico: o internato em Stowe School, em Buckinghamshire, um teste precoce para o Cedric Diggory de Harry Potter e o Cálice de Fogo que ficou com outro, outro para o novo James Bond de Cassino Royale que terminou com Daniel Craig. Nasceu em Saint Helier, na ilha de Jersey, em 1983, quarto de cinco filhos de um corretor de bolsa e uma secretária de banco. A imprensa de fofoca o rotulou por um tempo como o homem mais sem sorte de Hollywood, um rótulo que ele diz nunca ter sentido como seu.

O corpo e a mandíbula entraram primeiro pela porta do cinema de época. Fez Albert Mondego em O Conde de Monte Cristo de Kevin Reynolds, Charles Brandon ao longo de quatro temporadas de The Tudors da Showtime, um Teseu de espada e sandália em Imortais de Tarsem Singh. Quando Zack Snyder o escalou em O Homem de Aço, o casting parecia uma confirmação simétrica demais, literal demais — e era ali que estava a armadilha.

Por um trecho ele foi a franquia. Batman vs Superman: A Origem da Justiça, Liga da Justiça, a participação especial que sustentou Adão Negro, a Liga da Justiça de Zack Snyder reerguida em streaming. Fez August Walker, o vilão que recarregava os punhos diante de Tom Cruise em Mission: Impossible – Fallout, e Napoleon Solo em O Agente da U.N.C.L.E. de Guy Ritchie — trabalhos que sugeriam um ator mais elástico do que a capa permitia mostrar. Depois veio Geralt de Rívia em The Witcher na Netflix e, com ele, um reenquadramento público: Cavill, o nerd leal ao material original, o ator que dizia conhecer os livros e os jogos melhor que a sala de roteiro e estava disposto a dizê-lo em voz alta.

Esse reenquadramento se rompeu no fim de 2022. Subiu no Instagram um vídeo comemorando o retorno como Super-Homem depois da participação em Adão Negro; semanas depois o novo coCEO de DC Studios, James Gunn, o chamava para uma reunião e dizia que o papel iria para um ator mais jovem dentro de uma continuidade mais jovem. Gunn descreveria depois a conversa como terrível e injusta; Cavill pediu apenas que pudesse anunciar a saída ele mesmo. Na mesma janela saía de The Witcher depois da terceira temporada — a showrunner Lauren Schmidt Hissrich falou de uma decisão simbiótica, e ele, em entrevistas, voltava sempre à mesma frase: fiel ao material original.

A leitura crítica sobre Cavill é que sua lealdade de fã virou uma postura de negociação, e que as franquias que mais ama são também as que menos exigem dele como ator. Sua saída de The Witcher não foi, segundo todos os relatos, um martírio criativo; foi, ao menos em parte, uma briga sobre o quanto a série deveria parecer com os romances, e a sala de roteiro leu a mesma cena de outra maneira. Ainda não há um grande diretor que o tenha empurrado para um papel que exija mais do que convicção física e uma voz baixa e cuidadosa. A próxima década vai decidir se o crédito de produtor move essa fronteira ou apenas a blinda.

Henry Cavill
Henry Cavill. Photo: Gage Skidmore from Peoria, AZ, United States of America / CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons (source)

O que ele moveu foi a agenda. Levou os direitos de Warhammer 40.000 para a Amazon como produtor e protagonista e conduz pessoalmente auditorias de lore sobre os scripts em desenvolvimento — centenas de falas conferidas contra o cânone de mesa. Conseguiu o reboot de Highlander na Amazon MGM com Stahelski atrás da câmera, Russell Crowe como Ramirez e Dave Bautista no papel do Kurgan; as filmagens começaram na Escócia em janeiro, depois de um adiamento causado por uma lesão que ele sofreu nos ensaios da pré-produção. É a voz principal de Voltron em ação real no Prime Video, filme que a Amazon confirmou em maio que vai pular completamente as salas. E volta às telas neste mês como Sid, o operativo britânico disciplinado de In the Grey de Guy Ritchie, um thriller de assalto em dupla com Jake Gyllenhaal que estreou nos Estados Unidos no dia quinze.

A vida fora do set apertou em paralelo. Está com Natalie Viscuso, executiva americana de cinema, desde 2021; o casal recebeu uma filha em 2025 e, desde os AACTA Awards de Sydney de fevereiro, confirma meia-boca um noivado. Em entrevistas, conta que passa a maior parte das semanas sem filmagem em uma casa no campo inglês, com o cachorro, a academia e o PC gamer que ele próprio monta — uma imagem doméstica que sua assessoria não fez nada para desmentir.

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Pela frente: Enola Holmes 3 para a Netflix, em que retoma Sherlock; as filmagens de Highlander até o fim do verão europeu; a estreia de Voltron; e, em algum ponto do calendário Warhammer que a Games Workshop avisa que vai demorar o que precisar, o projeto pelo qual ele esperou mais tempo do que por qualquer outro. A pergunta já não é se ele consegue carregar uma franquia. É qual das franquias dele vai sobreviver ao homem que as construiu em torno de si mesmo.

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