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Jackie Chan: o homem que fez cada acrobacia ele mesmo e pagou caro por isso

Penelope H. Fritz
Jackie Chan
Jackie Chan
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento7 de abril de 1954
Victoria Peak, Hong Kong
OcupaçãoAtor, diretor, dublê, artista marcial
Conhecido porO Panda do Kung Fu, O Panda do Kung Fu 2, A Hora do Rush
PrêmiosAcademy Honorary Award (Governors Award) · Pardo alla Carriera · Hong Kong Film · Star on Hollywood Walk of Fame

Jackie Chan nunca usou dublê. Em cinquenta anos de carreira, fez ele mesmo cada queda, cada soco, cada salto de edifício em chamas — e acumulou no próprio corpo a conta dessa decisão: crânio fraturado, pelve deslocada, nariz quebrado mais vezes do que conseguia contar, e lesões em quase todas as articulações. O resultado é uma filmografia que a indústria cinematográfica ainda não conseguiu imitar.

Nasceu no pico de Vitória, em Hong Kong, filho de dois refugiados da guerra civil chinesa que trabalhavam na residência do cônsul francês. Aos sete anos, foi enviado à Academia de Arte Dramática da China, uma escola de Ópera de Pequim dirigida pelo severo Mestre Yu Jim-yuen. O que se seguiu foi uma década de treinamento que Chan descreveu como mais próximo de um campo de trabalho do que de um conservatório: seis dias por semana de acrobacia, artes marciais, mímica, dança e canto, da madrugada até a noite.

Jackie Chan
Jackie Chan

Seus primeiros trabalhos profissionais foram como dublê em filmes estrelados por Bruce Lee. Quando Lee morreu em 1973, a indústria de Hong Kong buscou um substituto. Chan foi o escolhido — e recusou. Os filmes que o tornaram famoso, O Mestre Bêbado e A Serpente à Sombra da Águia, ambos de 1978, seguiram um caminho completamente diferente: comédia física acrobática que devia mais a Buster Keaton do que a qualquer tradição marcial.

Police Story, de 1985, foi o momento em que ficou claro que o cinema de Jackie Chan era algo diferente de tudo o mais. Uma sequência em que ele desliza por um poste com lâmpadas reais, sem proteção, sobre piso de concreto, está documentada nos créditos finais ao lado das imagens de dor real. O filme é considerado um dos maiores filmes de ação de todos os tempos. Chan também o dirigiu.

Quando Rush Hour estreou em 1998 — ao lado de Chris Tucker numa comédia policial que arrecadou mais de 244 milhões de dólares —, Jackie Chan já era estrela há vinte anos em mercados que Hollywood mal conhecia. O filme o tornou famoso na América do Norte.

A contradição na figura pública de Jackie Chan não está nas telas. Em 1989, ele se apresentou no Concerto pela Democracia na China, em apoio aos estudantes de Tiananmen. No início dos anos 2010, declarava publicamente que Hong Kong precisava de menos liberdade; que a democracia gera caos; que os chineses precisam ser governados com firmeza. Em 2004, havia ingressado na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Desde então, é amplamente boicotado em Hong Kong.

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No Festival de Locarno, em agosto de 2025, Chan recebeu o Pardo alla Carriera e apresentou Project A e Police Story ao público reunido na Piazza Grande. Tinha 71 anos. Três meses depois, carregou a tocha olímpica pelas ruínas de Pompéia rumo aos Jogos de Inverno de Milão-Cortina 2026. Seu filme de 2025, The Shadow’s Edge, arrecadou 1,2 bilhão de yuans na China e varreu o Hong Kong Film Awards de abril de 2026. Armour of God IV começa a ser filmado no Cazaquistão neste verão.

É casado com a atriz taiwanesa Joan Lin desde 1982. O relacionamento com o filho Jaycee foi mais conturbado — marcado pela prisão de Jaycee em Pequim em 2014 por porte de drogas, e pela admissão tardia de Chan de que foi um pai ausente.

Família Inesperada, lançado em 2026, dá a Chan o papel de um personagem com Alzheimer — alguém que vai perdendo a capacidade de reconhecer as pessoas que ama. É o papel emocionalmente mais exposto de sua carreira. Armour of God IV: Ultimatum, cujas filmagens começam este verão, retoma o personagem que lhe fraturou o crânio numa encosta há quase quarenta anos.

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