Atores

Kevin Costner, o homem que financia os próprios mitos

Penelope H. Fritz

Kevin Costner faz cine da única forma que conhece: nos seus próprios termos. Quando os estúdios não topam, ele vai buscar o dinheiro em outro lugar. Às vezes coloca o próprio. Essa não é uma anedota da carreira dele. É o princípio que a organiza.

Criou-se em Lynwood, Califórnia, estudou administração de empresas na California State University de Fullerton e chegou à atuação na casa dos vinte sem dinheiro nem contatos. Os primeiros anos em Hollywood foram invisíveis. Um papel em O Grande Arrepio foi cortado antes da estreia. Lawrence Kasdan ofereceu uma segunda chance com Silverado em 1985 — Costner roubou cenas num elenco de veteranos e Brian De Palma reparou. Ele o escalou como Eliot Ness em Os Intocáveis ao lado de Sean Connery. O sucesso confirmou um novo tipo de protagonista americano: íntegro sem ser ingênuo.

Bull Durham em 1988, Campo dos Sonhos em 1989. E aí veio a aposta definitiva: Dança com Lobos em 1990 — três horas, narrado em parte em sioux lakota com legendas, sem nenhum estúdio disposto a bancá-lo nas suas condições. Ele insistiu no controle criativo. O filme ganhou sete Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor. Ele tinha 35 anos. A aposta tinha dado certo.

Kevin Costner em Dança com Lobos
Kevin Costner em Dança com Lobos (1990)

JFK com Oliver Stone e Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões continuaram o embalo em 1991. O Guarda-Costas em 1992, com Whitney Houston, produziu a trilha sonora mais vendida da história da música gravada. Depois veio a conta. Waterworld em 1995, na época o filme mais caro já produzido, virou o título de uma narrativa que a imprensa especializada esperava: a arrogância de um ator que queria controlar tudo. O filme não foi o desastre que descreveram — recuperou seu custo em todo o mundo — mas 175 milhões de dólares exigiam uma história de fracasso, e essa história foi escrita. O Carteiro em 1997 fechou a condenação.

O que essa narrativa ignorou: os filmes não eram catástrofes, e a autonomia não era vaidade. Waterworld era um filme de aventura competente sustentando um mundo visualmente ousado. O Carteiro era uma reflexão sobre civilização que chegou ao público errado na hora errada. Hollywood pune a autonomia criativa quando a bilheteria não a valida. A premia quando Dança com Lobos ganha o Oscar. O sistema responde a números, não a intenções.

Depois de anos de recalibração — um Emmy por Hatfields and McCoys em 2012, papéis secundários relevantes —, Yellowstone devolveu a ele a escala que havia perdido. Como John Dutton, patriarca de um rancho em Montana, protagonizou durante cinco temporadas o drama mais assistido da televisão americana. Quando saiu da série em 2023, em circunstâncias publicamente descritas como tensas, estava com a cabeça em Horizon. Não foi fuga. Foi prioridade.

Horizon: An American Saga – Capítulo 1, lançado nos cinemas em junho de 2024 e disponível na Amazon Prime Video desde maio de 2026, é a declaração mais pessoal dele desde Dança com Lobos: um western épico em quatro partes sobre a expansão americana na fronteira durante a Guerra Civil, parcialmente autofinanciado, numa escala que a indústria atual raramente permite. O Capítulo 2 está em desenvolvimento. Costner chamou 2026 de seu ano de redenção. O que ele quer dizer com isso, numa carreira construída sobre convicção própria, é difícil de separar do que ele sempre fez.

Kevin Costner em Horizon: An American Saga
Kevin Costner em Horizon: An American Saga – Capítulo 1 (2024)

The Gray House, uma série de oito episódios com Morgan Freeman para a Amazon, é a sua colaboração mais institucional em anos. Sua banda, Modern West, continua em turnê. Ele completa 72 anos em janeiro de 2027. O próximo capítulo de Horizon aguarda as condições certas.

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