Cineastas

James Wan e o universo de terror mais lucrativo da história do cinema

Penelope H. Fritz

James Wan chegou ao cinema de terror com 1,2 milhão de dólares e uma câmera. Duas décadas depois, seus filmes acumulam mais de 3,7 bilhões de dólares nas bilheterias mundiais e a franquia de terror mais rentável que o cinema já produziu. A distância entre esses dois números é toda a sua carreira — e a lição que ela carrega é que horror não precisa de dinheiro, precisa de arquitetura.

Nasceu em Kuching, Sarawak, na ilha de Bornéo, e se mudou com a família para Perth, na Austrália Ocidental, aos sete anos. Na RMIT de Melbourne, cursando comunicação, conheceu Leigh Whannell — o roteirista com quem criaria as bases de várias franquias. A primeira foi austera e prática: um curta-metragem como prova de conceito que se tornou Saw.

Lançado em 2004 com orçamento de 1,2 milhão de dólares, Saw arrecadou 104 milhões no mundo inteiro e iniciou uma franquia que hoje ultrapassa um bilhão em receita acumulada. Mais importante do que os números foi o que o filme demonstrou: o método de Wan. As armadilhas do Jigsaw não são truques de choque — são enigmas com regras, e o público responde às regras. As dificuldades relativas de Dead Silence e Death Sentence em 2007 não foram recuos, mas laboratórios. As lições alimentaram diretamente o que viria depois.

Insidious (2010) inaugurou uma segunda franquia Wan-Whannell — construída sobre medos diferentes (o inquietante doméstico, a projeção astral, a intrusão dos mortos em quartos comuns) mas com a mesma lógica estrutural. Invocação do Mal (2013) escalou essa lógica ao ponto de se tornar a franquia de terror mais lucrativa da história: o Universo Conjuring ultrapassa dois bilhões de dólares em receitas combinadas. O que raramente se menciona é que Invocação do Mal é formalmente um filme clássico: sem manipulação digital intrusiva, sem gore. Sua sequência mais eficaz mostra uma mulher contando palmas no escuro.

O salto para Velozes e Furiosos 7 em 2015 — após a morte de Paul Walker durante as filmagens — seguiu a mesma lógica. A franquia opera com os mesmos princípios do horror: escalada, iconografia, regras que o público aprende a confiar e aguarda ver quebradas. Wan entregou um filme de 1,516 bilhão de dólares com um encerramento dedicado a Walker que permanece uma das sequências mais exigentes do cinema de franquia recente. Aquaman veio em 2018, com 1,148 bilhão, tornando Wan um dos oito diretores na história do cinema com dois filmes acima dessa barreira.

O caso atípico nesse histórico é Maligno (2021). Rodado com a liberdade que o sucesso comercial proporciona e a opacidade deliberada de um projeto pessoal, é o filme de Wan que sua própria filmografia não consegue absorver completamente. Sua mecânica narrativa vem do giallo; seu registro tonal oscila entre o horror e o camp com aparente intenção; sua revelação central é algo que os grandes estúdios raramente permitem. O público se dividiu. Alguns acharam o filme exaltante; outros o acharam incoerente. O que ficou demonstrado é que a precisão que define seus melhores trabalhos é inseparável das restrições formais que a moldaram.

True Haunting, uma série docudrama de terror, chegou à Netflix em outubro de 2025 — o primeiro trabalho televisivo sustentado de Wan como diretor. 56 Days, um thriller psicológico em oito episódios baseado no romance de Catherine Ryan Howard, estreou no Prime Video em fevereiro de 2026. Em março de 2026, Wan anunciou que dirigirá The Gangster, the Cop, the Devil para a Paramount Pictures — uma adaptação em inglês do filme coreano, com Ma Dong-seok no papel principal e Sylvester Stallone entre os produtores.

Atomic Monster, a produtora que fundou em 2014, continua desenvolvendo conteúdo de gênero em escala, incluindo um novo Paranormal Activity previsto para o verão de 2027. Wan passou vinte anos demonstrando que o terror não é uma rampa de lançamento, mas uma disciplina — e que essa disciplina, bem aplicada, não tem teto visível.

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