Cineastas

Joseph Kosinski fez três filmes esquecíveis e depois dois dos melhores blockbusters do cinema recente

Penelope H. Fritz

A primeira vez que Joseph Kosinski chamou a atenção da indústria foi com um anúncio de videogame. O spot «Mad World» para Gears of War — com uma canção melancólica de Gary Jules sobre imagens de guerra devastadora — foi suficiente para que a Disney oferecesse a ele um filme de cem milhões de dólares antes que tivesse dirigido um único longa. Esse tipo de aposta só acontece quando alguém mostra algo que os executivos não conseguem ignorar. O que Kosinski mostrava era controle absoluto da imagem: como enquadrar o espaço, como mover a câmera, como fazer a luz contar uma história mesmo que o roteiro não o faça.

Nascido em 1974 em Marshalltown, Iowa, Kosinski estudou engenharia mecânica em Stanford antes de tirar um mestrado em arquitetura na Columbia University, em 1999. Antes do cinema, projetou edifícios e ensinou modelagem 3D. Quando dirigiu Tron: O Legado em 2010, trouxe essa formação consigo: geometrias limpas, mundos construídos com precisão milimétrica, uma relação com o espaço que a maioria dos diretores de ação simplesmente não tem. O filme arrecadou 409 milhões de dólares no mundo todo, ganhou culto imediato graças à trilha sonora do Daft Punk — e ficou com 51% no Rotten Tomatoes. O roteiro, anotaram os críticos, era fraco. Oblivion em 2013 — um filme com Tom Cruise de beleza visual impecável — arrecadou 287 milhões e conseguiu 53%. De novo: bonito. De novo: o roteiro.

O intervalo foi Homens de Coragem em 2017, baseado na história real de bombeiros que morreram combatendo um incêndio no Arizona. Sem efeitos especiais em massa, com Josh Brolin e Miles Teller em trabalhos sólidos: 87% no Rotten Tomatoes. O público não foi. 25 milhões de bilheteria contra 38 de orçamento. E depois Spiderhead na Netflix com 39%. Quatro filmes, nenhum memorável pelos motivos certos.

A acusação era justa: Kosinski fazia filmes que se viam melhor do que se narravam. Tinha um olho excepcional e um ponto cego narrativo documentado. A questão era se isso podia mudar — ou se sempre teria sido assim.

A resposta foi Top Gun: Maverick. O segredo não foi o orçamento. Foi o material: uma história com trinta e seis anos de carga emocional acumulada, um protagonista com algo real a resolver, e um roteiro que finalmente dava às imagens de Kosinski algo real para amplificar. O resultado foi 1,496 bilhão de dólares em bilheteria mundial, uma indicação ao Oscar de Melhor Filme, e o prêmio de Melhor Som. Foi creditado, sem ironia, por resgatar o modelo de lançamento nos cinemas após a pandemia.

F1, lançado em 2025, confirmou que nada disso foi sorte. O filme — com Brad Pitt como piloto aposentado arrastado de volta à Fórmula 1 — foi construído com a mesma lógica: acesso sem precedentes a corridas reais de Fórmula 1 (Kosinski voou pessoalmente para Londres para convencer a FIA antes de qualquer estúdio estar envolvido), prioridade para fotografia prática sobre simulação digital, e um roteiro que usou a estrutura do esporte para carregar uma história sobre legado e segundas chances. 634 milhões. Outro Oscar de Melhor Som. Segunda indicação consecutiva ao Oscar de Melhor Filme.

O que esses dois sucessos revelam não é que Kosinski «aprendeu a contar histórias». É que ele sempre foi um diretor que precisava de material com uma arquitetura emocional preestabelecida para que sua precisão visual tivesse onde trabalhar. O arquiteto precisava do programa do edifício antes de poder projetar o edifício.

O que vem a seguir: Miami Vice ’85 na Universal com Michael B. Jordan e Austin Butler, e um thriller sobre denunciantes de UAP para a Apple com Jerry Bruckheimer. Ambas as produções arrancam em 2026. Kosinski confirmou que não vai dirigir Top Gun 3 por conflitos de agenda. Em novembro de 2025 voltou a Marshalltown, Iowa, para uma arrecadação de fundos para o auditório histórico da cidade onde cresceu — o tipo de volta que, dada a trajetória, parece fechar um círculo específico.

Tags: , , , ,

Discussão

Há 0 comentários.