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Patrick Wilson, o ator que dominou o terror no cinema sem esquecer o palco

Penelope H. Fritz

Quando Patrick Wilson estreou na direção com Sobrenatural: A Porta Vermelha em 2023, ele estava atrás das câmeras no quinto capítulo de uma franquia que ele próprio havia iniciado treze anos antes com menos de dois milhões de dólares de orçamento. O filme arrecadou 183 milhões no mundo todo. Sem ter planejado, Wilson havia se tornado o guardião de um arquétipo específico do terror americano: o pai de classe média cuja casa tenta devorar seus filhos.

Nascido em Norfolk, Virginia, e criado em Saint Petersburg, na Flórida, Wilson é filho de um apresentador de televisão e de uma professora de canto. Formou-se na Carnegie Mellon School of Drama em 1995 com distinção em Teatro Musical. Seu destino era óbvio: o palco.

Sua estreia na Broadway aconteceu em 2000 com The Full Monty — primeira indicação ao Tony. No ano seguinte, interpretou Curly McLain em Oklahoma! — segunda indicação. Três indicações ao Tony antes dos trinta anos é o tipo de currículo que os críticos chamam de promissor e que funciona, na prática, como aviso.

A virada chegou em 2003 com Angels in America, a minissérie da HBO dirigida por Mike Nichols baseada na peça monumental de Tony Kushner. Wilson interpretou Joe Pitt, um advogado republicano mórmon no armário cujo casamento e cuja ideologia eram igualmente insustentáveis. O papel exigia contenção mais do que expressão. Indicações ao Emmy e ao Globo de Ouro vieram logo depois, assim como as propostas do cinema. Ele deixou a Broadway.

Nos anos seguintes, Wilson apareceu em filmes que o valorizavam como instrumento dramático. Pecados Íntimos, em 2006 ao lado de Kate Winslet, lhe rendeu um de seus papéis mais desvendados. Watchmen, em 2009, o escalou como Nite Owl, um super-herói retirado para a vida doméstica porque o heroísmo não havia sido suficiente.

Então veio Insidious em 2010, dirigido por James Wan. O filme foi feito com quase nada e se tornou um fenômeno cultural. Invocação do Mal chegou em 2013, e com ele Wilson assumiu o papel de Ed Warren — investigador paranormal real, crente imperfeito — que retomou duas vezes desde então. Juntas, as duas franquias arrecadaram mais de dois bilhões de dólares no mundo inteiro.

A crítica especializada tem tido dificuldade em resolver uma contradição produtiva: nos contextos de prestígio, Wilson é elogiado pela contenção e especificidade; no cinema de gênero, pela confiabilidade e pelo ofício. Sua atuação em Fargo Temporada 2, em 2015, lhe valeu mais uma indicação ao Globo de Ouro. Um episódio de Girls em 2013 gerou uma reação na internet tão desproporcional que Wilson descreveu como brutal e invasiva.

Nos últimos anos, Wilson expandiu o que faz. Apareceu em Jay Kelly em 2025, o drama coral de Noah Baumbach com George Clooney e Adam Sandler. Foi escalado para a terceira temporada de The Last of Us na HBO. Seu próximo grande projeto é Cape Fear, uma série de prestígio para a Apple TV+ com estreia em 2026, dirigida por Martin Scorsese e Steven Spielberg, com Amy Adams e Javier Bardem.

Wilson é casado desde 2005 com Dagmara Domińczyk, atriz e escritora polonesa-americana. Têm dois filhos. Em dezembro de 2025, disse a um jornalista que tem vontade de voltar à Broadway e que quer concretizar isso nos próximos dois anos. O palco que o formou ainda está lá. O que é mais difícil de prever é se o império do terror que construiu vai deixá-lo ir embora tempo suficiente para voltar.

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