Cineastas

Robert Rodriguez, o cineasta que fez Hollywood jogar no seu campo

Penelope H. Fritz

Sete mil dólares, catorze dias, uma câmera emprestada e um amigo da infância como protagonista. Robert Rodriguez filmou El Mariachi em Acuña, no México, com dinheiro ganho como voluntário em um programa de pesquisa clínica paga em San Antonio. Quando o filme ganhou o Prêmio do Público no Sundance e foi comprado pela Columbia Pictures, Rodriguez tinha mais do que uma estreia: tinha um método — e um personagem. O cineasta que não precisava da indústria e, por isso, tinha todo o poder sobre ela.

Rodriguez cresceu como o quinto de dez filhos em San Antonio, Texas, em uma família mexicano-americana. Seu pai comprou um videocassete quando ele tinha cerca de doze anos. Aquele aparelho — a possibilidade de pausar, rebobinar, estudar um plano quanto tempo fosse necessário — funcionou como a escola de cinema que ele ainda não podia frequentar. A universidade de Texas em Austin negou sua entrada no programa de cinema por notas insuficientes. Ele continuou filmando assim mesmo, aprendendo tudo por conta própria.

O que ele construiu nesses anos era uma metodologia de compressão de recursos: identificar exatamente a cobertura que cada cena precisava — e descartar tudo o mais. Esse sistema, que ele publicou no livro Rebel Without a Crew e condensou no que chamou de filmação por ficha, tornou-se mais influente do que o próprio filme. El Mariachi foi ao Sundance em 1993. A Columbia assinou o cheque. Desperado chegou em 1995 com Antonio Banderas e Salma Hayek. Um Drink no Inferno veio em 1996, escrito por Quentin Tarantino: um filme policial que vira, sem pedir licença, um filme de vampiros no meio do caminho.

A jogada que mais confundiu os críticos veio em 2001: Spy Kids, uma aventura familiar construída em parte ao redor de seus próprios cinco filhos, filmada em Austin e no Texas. O filme arrecadou quase 148 milhões de dólares no mundo todo e lançou uma franquia que durou mais de duas décadas. Rodriguez a descreveu como um projeto profundamente pessoal. A crítica leu como uma virada radical do diretor de Um Drink no Inferno. A tensão entre cineasta de gênero sério e produtor de entretenimento familiar marcaria sua recepção crítica para sempre — mesmo que ele nunca visse nenhuma contradição nisso.

Em 2005, Rodriguez se demitiu do Directors Guild of America. O motivo era uma disputa de créditos: ele havia codirigido Sin City: A Cidade do Pecado com o escritor gráfico Frank Miller, e as regras do sindicato impediam o crédito formal de co-diretor sem sua saída. Ele foi embora. Sin City arrecadou mais de 158 milhões de dólares e hoje é considerada o marco do cinema de adaptação de quadrinhos. A posição de Rodriguez era clara, coerente e correta. Não mudou nada no funcionamento do sindicato. A indústria absorveu a rebelião e continuou contratando-o.

Ao longo dos anos 2010, Rodriguez expandiu a infraestrutura. Criou o El Rey Network em 2013 — a primeira rede de TV a cabo de propriedade latino-americana nos Estados Unidos — e levou sua metodologia de homem-orquestra a uma escala maior com Alita: Anjo de Combate em 2019, produção de James Cameron baseada no mangá de Yukito Kishiro. We Can Be Heroes chegou ao Netflix em 2020; em 2023, uma reinicialização de Spy Kids com elenco completamente novo foi lançada na mesma plataforma.

Em maio de 2026, Rodriguez e seu sócio Alexis Garcia apresentaram no mercado de Cannes um catálogo de cinco projetos pela Brass Knuckle Films, incluindo três originais do diretor e um projeto com Jessica Alba e Michael Peña. Uma colaboração com James Cameron, projetada para dezessete dias de filmagem, também está em planejamento. The Naughty List, seu primeiro longa-metragem de animação, está em desenvolvimento na Paramount.

Rodriguez nasceu em 20 de junho de 1968, em San Antonio, quinto dos dez filhos de Cecilio e Rebecca Rodriguez. Seu primo em segundo grau é o ator Danny Trejo. Foi casado com a produtora Elizabeth Avellán de 1990 a 2006; ela continua sendo coproprietária da Troublemaker Studios, em Austin, de onde Rodriguez dirige, edita, compõe e supervisa os efeitos visuais da maioria de seus projetos.

O filme que fez por sete mil dólares em 1991 ainda é o que mais lhe pedem para explicar. Tudo depois — as franquias de estúdio, os originais do Netflix, a rede de TV, a colaboração com Cameron — ele descreve nos mesmos termos de 1992: rápido, leve, fora do manual de produção convencional. Se esse manual é de fato diferente nessa escala de orçamento, ou se Rodriguez simplesmente moveu a parede longe o suficiente para que o cômodo pareça liberdade, é a pergunta que sua carreira continua levantando sem responder.

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