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Taylor Schilling: o que vem depois de sete anos em Orange Is the New Black

Penelope H. Fritz
Taylor Schilling
Photo via The Movie Database (TMDB)
Nascimento27 de julho de 1984
Boston, Massachusetts, USA
OcupaçãoAtriz
Conhecido porArgo, Um Homem de Sorte, Maligno
PrêmiosEmmy · 2 Globo de Ouro · SAG · Satellite Award win

Quando o Netflix lançou a primeira temporada de Orange Is the New Black no verão de 2013, a plataforma tinha menos de um ano de produção própria. Taylor Schilling interpretou Piper Chapman — uma jovem nova-iorquina de classe média alta que chega a uma prisão federal de segurança mínima — e passou quase uma década como âncora daquilo que se tornaria o primeiro grande fenômeno cultural do streaming. Ser o rosto de uma revolução se mostrou complicado: o papel era enorme, a personagem era frequentemente a pessoa menos interessante da sala, e a lacuna entre esses dois fatos pertencia exclusivamente a Schilling resolver.

Ela nasceu em Boston em julho de 1984, filha de um ex-promotor e de uma administradora universitária, e cresceu dividindo o tempo entre os subúrbios de West Roxbury e Wayland, no Massachusetts. A inspiração que a levou à atuação foi concreta: assistir à série médica ER na adolescência. Estudou na Universidade Fordham no Lincoln Center, formou-se com um BFA em 2006 e entrou imediatamente no programa de mestrado em atuação da Tisch School of the Arts da NYU — que abandonou no segundo ano para começar a fazer testes. Essa decisão de largar um programa acadêmico de elite pela incerteza do trabalho real reflete algo que continuaria reaparecendo nas escolhas dela: a preferência pela prática sobre a preparação.

Seu primeiro crédito cinematográfico foi em Dark Matter em 2007, ao lado de Meryl Streep. Depois vieram a série médica da NBC Mercy em 2009, em que protagonizou Veronica Flanagan Callahan, uma enfermeira veterana de guerra readaptando à vida civil (a série durou 22 episódios e foi cancelada), e The Lucky One ao lado de Zac Efron em 2012. Naquele mesmo ano, apareceu em Argo, de Ben Affleck, que venceu o Oscar de Melhor Filme. No verão de 2013, quando o Netflix lançou Orange Is the New Black, Schilling tinha seis anos de uma carreira sólida e ainda não definitivamente marcada.

A série mudou tudo isso. Orange Is the New Black, adaptado por Jenji Kohan do livro de Piper Kerman, usou o personagem de Chapman como ponto de entrada narrativo — a estranha cuja chegada organizava a história para o espectador. Por sete temporadas, o elenco coral — com Uzo Aduba, Natasha Lyonne e dezenas de outras — consistentemente superou o arco central que foi dado a Schilling. Ela recebeu uma indicação ao Emmy de Melhor Atriz em Série de Comédia em 2014, ganhou vários Satellite Awards e participou das vitórias coletivas do elenco no SAG Awards. A série ganhou um Peabody. O Netflix usou os números de audiência da série como argumento principal do seu modelo criativo.

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O que a crítica raramente disse com clareza é que as limitações de Piper Chapman não eram limitações da atriz. Nas cenas em que a escrita lhe dava espaço — ambiguidade, contradição interna, fracasso genuíno — as atuações de Schilling eram precisas e seguras de uma maneira que a análise coletiva da série tendia a encobrir. Quem a classificava como o elo mais fraco do elenco frequentemente a comparava com as melhores atuações do conjunto, não com as limitações do que havia sido escrito para ela.

Depois do finale da série em julho de 2019, Schilling fez uma série de escolhas que, vistas em conjunto, pareciam menos uma estratégia de carreira e mais uma recusa ativa à estratégia óbvia. Apareceu em Monsterland no Peacock, em The Bite da CBS, em Pam & Tommy do Hulu. Dublou uma personagem na série animada Pantheon na AMC+. Voltou ao teatro Off-Broadway — primeiro em A Month in the Country em 2015 e depois em The Apiary no início de 2024. O trabalho televisivo mais ambicioso desse período foi Dear Edward na Apple TV+ em 2023, no qual interpretou Lacey Curtis, uma mulher que enfrenta a infertilidade e se torna tutora do sobrinho depois que um acidente aéreo mata o resto da família. O papel pedia algo genuinamente diferente de Piper Chapman: interioridade, fragilidade contida, uma mulher cuya dor é visível apenas para quem presta atenção.

Taylor Schilling in Pam & Tommy (2022)
Taylor Schilling in Pam & Tommy

Em 2025, apareceu em dois episódios de Poker Face no Peacock — reencontrando Natasha Lyonne na tela pela primeira vez desde o fim de OITNB. Em 2026, foi escalada como protagonista do piloto da NBC What the Dead Know, produzido por Dick Wolf e baseado nas memórias da ex-médica legista de Nova York Barbara Butcher. O piloto não foi imediatamente encomendado como série, mas a NBC estendeu a opção de Schilling e o projeto entrou em reescrita com um novo roteirista. Se chegar ao ar, será sua primeira protagonista em emissora aberta desde Mercy.

O que Orange Is the New Black realmente construiu para Taylor Schilling não foi um estereótipo. Foi uma credencial grande o suficiente para permitir o tipo de desaceleração deliberada que a maioria das carreiras em Hollywood não consegue sustentar. Ela passou vários anos demonstrando que aquele papel não precisava ser tudo que ela era. Se o projeto da NBC for ao ar, em parte determinará se esse cálculo foi discretamente certo — ou discretamente custoso.

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