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Sofia Carson, cinco estreias no topo da Netflix que a crítica continua ignorando

Penelope H. Fritz

Os números falam por si. Cinco filmes consecutivos estreando no número um da Netflix em todo o mundo. O segundo título mais assistido na história da plataforma. Uma comédia romântica que liderou em setenta e três países. Sofia Carson produziu essa sequência — e a crítica especializada, em grande parte, preferiu ficar em silêncio. Esse distanciamento diz mais sobre o estado do entretenimento em streaming do que sobre Carson em si.

Ela nasceu em 10 de abril de 1993 em Fort Lauderdale, na Flórida, filha de José Daccarett e Laura Char Carson, imigrantes colombianos de ascendência árabe vindos de Barranquilla. O sobrenome artístico foi emprestado da avó materna, Lauraine Carson. Em casa sempre houve música. Estudou ballet clássico e piano, competiu em teatro musical, cantou como corista de Selena Gomez antes de obter um papel em Austin & Ally no Disney Channel em 2014. Depois veio a UCLA, Comunicação com habilitação em francês.

O grande sucesso veio em 2015 com Descendants — a fantasia musical de Kenny Ortega sobre os filhos adolescentes dos vilões clássicos da Disney. Carson interpretou Evie, a filha da Rainha Má, em três filmes e uma série animada. Era ela quem de fato sabia cantar no elenco; o papel a favorecia e, por isso mesmo, a prendia. No terceiro filme, em 2019, já estava entre as raras egressas do Disney Channel que tinham crescido além do mundo que ajudaram a construir.

Bagagem de Risco foi a virada. Dirigido por Elizabeth Allen Rosenbaum e lançado na Netflix em julho de 2022, o filme mostrou Carson como Cassie Salazar, compositora que celebra um casamento de conveniência com um fuzileiro naval, Nicholas Galitzine, por razões financeiras. Não é um filme sutil. A crítica o considerou manipulador e politicamente inconsistente. O público o transformou no título mais assistido da Netflix no mês de estreia, e a música «Come Back Home» ganhou o MTV Movie & TV Award de Melhor Momento Musical em 2023.

O ceticismo persiste. My Oxford Year tem 29% no Rotten Tomatoes e 158,8 milhões de visualizações. A crítica lê os filmes dela como fórmula; o público os lê como exatamente o que procura. As duas coisas podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. O que está mudando é que Carson começa a funcionar como produtora, não só como atriz. Ela foi produtora executiva de My Oxford Year — sinaliza que está tomando decisões sobre os projetos que associa ao nome. A parceria com Jimin do BTS em «Slow Dance» em 2025 alcançou públicos muito além dos assinantes da Netflix.

Nova música foi anunciada para 2026, a primeira desde o álbum de estreia de 2022. Em abril de 2026 apresentou os Prêmios Científicos e Técnicos da Academia no Academy Museum em Los Angeles. O próximo projeto, Last Night at The Lobster, dirigido por Wagner Moura, será sua primeira produção importante fora do ecossistema Netflix em algum tempo.

Tem trinta e três anos, é colombiana-americana e conhece com precisão a gramática do que as audiências de streaming querem. Se essa é a única gramática que domina é o que ela parece cada vez mais interessada em refutar.

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