Líderes Empresariais

Vince Zampella, o criador de Call of Duty que acabou liderando o maior rival da série

Penelope H. Fritz
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Vince Zampella
Nascimento1 de outubro de 1970
Falecimento21 de dezembro de 2025 (55)
OcupaçãoDesigner de jogos e chefe de estúdio

Poucas pessoas no entretenimento têm a chance de competir contra a própria criação. Vince Zampella fez isso durante boa parte da vida profissional. Ele ajudou a criar Call of Duty, foi demitido pela publicadora que detinha os direitos da franquia e passou os quinze anos seguintes fazendo jogos para concorrentes dela. O último deles, um novo Battlefield, foi o desafio mais forte já lançado contra a série que ele havia iniciado. Ele não viveu para ver o que veio depois dessa vitória.

Nada no início de sua trajetória apontava para uma sala de reuniões de estúdio. Zampella abandonou o Broward Community College, em Fort Lauderdale, na Flórida, e trabalhou como faz-tudo até que um amigo conseguiu para ele um emprego na GameTek, uma pequena publicadora onde atendia ligações de clientes e testava jogos. Lá, passou para as áreas de design gráfico e vídeo digital; depois, foi para a Atari ajudar a lançar a divisão de computadores da empresa e, mais tarde, trabalhou na Panasonic Interactive Media e na SegaSoft. Foi na SegaSoft que conheceu Jason West, o programador que seria seu parceiro durante a maior parte dos quinze anos seguintes.

Em 1999, deixou o Vale do Silício e foi para Tulsa, Oklahoma, trabalhar na 2015, Inc., desenvolvedora que então produzia para a Electronic Arts um jogo de tiro ambientado na Segunda Guerra Mundial. Como diretor de desenvolvimento, recebeu o crédito de designer-chefe de Medal of Honor: Allied Assault, lançado em 2002 e muito bem recebido pela crítica. A invasão da praia de Omaha ofereceu ao gênero uma sequência marcante que outros estúdios passariam anos tentando igualar.

Na época do lançamento do jogo, Zampella, West e Grant Collier fundaram a Infinity Ward. A EA havia decidido manter Medal of Honor dentro da própria empresa, então o novo estúdio fechou um acordo com a Activision para um projeto de codinome MOH Killer. O jogo chegou às lojas em 2003 como Call of Duty, e pouco depois a Activision comprou o estúdio. Sob o comando de Zampella e West, a Infinity Ward criou Call of Duty 2, em 2005, e depois tirou a série da Segunda Guerra Mundial com Call of Duty 4: Modern Warfare, em 2007. O jogo combinava uma campanha curta e cinematográfica com um modo online baseado em patentes, armas desbloqueáveis e recompensas por sequências de eliminações — uma fórmula que os jogos de tiro para consoles seguem até hoje. Call of Duty: Modern Warfare 2 veio em 2009 e se tornou um dos maiores lançamentos do entretenimento naquele período.

O sucesso acabou se tornando o problema. Em março de 2010, alguns meses depois do lançamento de Modern Warfare 2, a Activision demitiu Zampella e West, acusando-os de quebra de contrato e insubordinação. Os dois afirmaram que haviam sido afastados para que a empresa evitasse pagar cerca de US$ 36 milhões em bônus e royalties, e entraram com uma ação por demissão injusta. Mais tarde, a indenização reivindicada chegou a US$ 1 bilhão, e outros ex-funcionários da Infinity Ward se juntaram à disputa. Em maio de 2012, durante o julgamento, a Activision pagou US$ 42 milhões a esses funcionários e, semanas depois, fez um acordo com Zampella e West por um valor não divulgado.

A essa altura, a dupla já tinha uma nova empresa. A Respawn Entertainment abriu as portas em abril de 2010, assinou um contrato de publicação com a Electronic Arts e recebeu dezenas de desenvolvedores que haviam saído da Infinity Ward com os dois. West deixou a empresa em 2013, e Zampella passou a comandar o estúdio. Titanfall chegou em 2014: um jogo de tiro online acelerado, em que pilotos corriam pelas paredes e robôs gigantes eram lançados no mapa. No fim de 2017, a EA comprou a Respawn por US$ 151 milhões em dinheiro, mais até US$ 164 milhões em ações para os funcionários.

Os anos seguintes foram os mais produtivos de sua carreira. Em fevereiro de 2019, a Respawn lançou Apex Legends com quase nenhuma divulgação prévia; o jogo chegou a 25 milhões de jogadores na primeira semana, número anunciado pelo próprio Zampella. Mais tarde naquele ano, veio Star Wars Jedi: Fallen Order, um jogo de ação para um jogador bem distante das raízes do estúdio nos jogos de tiro; em 2023, foi lançado o título seguinte, Star Wars Jedi: Survivor.

O histórico também tem um capítulo incômodo — e é aquele de que os jogadores mais gostam de lembrar. Titanfall 2, lançado em 2016, ainda é citado entre as melhores campanhas de jogos de tiro de sua geração, mas vendeu menos do que a EA esperava. A explicação mais comum é o calendário: a EA lançou o jogo no curto intervalo entre Battlefield 1 e Call of Duty: Infinite Warfare, deixando-o espremido entre o principal título da própria publicadora e a franquia que Zampella havia criado. Os obituários também simplificaram alguns aspectos. Chamaram-no de criador de Call of Duty, mas a Infinity Ward tinha três fundadores e uma grande equipe; e, de Titanfall em diante, seu trabalho se aproximava mais do de um produtor do que do de um designer: escolher projetos, contratar diretores e negociar com uma publicadora cujas prioridades nem sempre coincidiam com as do estúdio. A autoria era bem mais compartilhada do que as manchetes deixavam entender.

Esse papel de produtor definiu sua última missão. Em 2020, a EA também lhe entregou o estúdio de Los Angeles da DICE e, após o conturbado lançamento de Battlefield 2042, em 2021, colocou-o à frente de toda a franquia Battlefield. A equipe de Los Angeles foi rebatizada de Ripple Effect Studios, e a série foi reformulada em torno de vários estúdios trabalhando em um único jogo. Battlefield 6 foi lançado em outubro de 2025, vendeu mais de sete milhões de cópias nos três primeiros dias — um recorde para a série — e terminou o ano como o jogo mais vendido nos Estados Unidos, segundo a empresa de pesquisa de mercado Circana.

Zampella morreu em 21 de dezembro de 2025, ao volante de uma Ferrari na Angeles Crest Highway, nas montanhas de San Gabriel, ao norte de Los Angeles. O carro saiu da pista logo depois de um túnel, bateu em uma barreira de concreto e pegou fogo. Seu passageiro, Zachary Marks, morreu mais tarde no hospital. Zampella tinha 55 anos. Em abril de 2026, o legista do condado de Los Angeles concluiu que a morte foi acidental. Ele deixou três filhos.

Em fevereiro de 2026, a Academy of Interactive Arts & Sciences cedeu o horário da palestra principal de seu DICE Summit, em Las Vegas, para uma sessão em homenagem a Zampella. Laura Miele, responsável pela divisão de entretenimento da EA, disse que ele “mudou a forma como os jogos são feitos”, e Geoff Keighley o chamou de um dos líderes mais influentes que a indústria já conheceu. Todd Howard falou sobre uma amizade de duas décadas.

O que sua obra demonstra é algo mais específico do que as homenagens sugerem — e mais difícil de contestar. Zampella passou a carreira trabalhando em um tipo de jogo, o de tiro militar online, e fez isso muito bem para duas empresas que queriam superar uma à outra com esse gênero. Call of Duty continua sendo lançado todos os anos. Apex Legends continua no ar. Battlefield 6 continua recebendo atualizações dos estúdios que ele reorganizou. A maioria dos grandes jogos de tiro online do mercado ainda segue regras que suas equipes criaram em 2007.

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