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Alemanha 7-1 Curaçao: a goleada e o primeiro gol da história curaçauense

Jack T. Taylor

Por quinze minutos em Houston, a menor nação a chegar a uma Copa do Mundo não pareceu uma curiosidade. Pareceu um time que pertencia ao lugar. Livano Comenencia empatou em 1-1, o banco de Curaçao saltou dos assentos, e um país de cerca de 156 mil habitantes ficou em pé de igualdade com uma tetracampeã mundial. Depois a Alemanha lembrou do que é. A noite virou 7-1, e o 7-1 vai ser arquivado como goleada. O arquivo está errado.

Um placar é um instrumento bruto, e este favorece o vencedor enquanto difama o perdedor. Tudo o que ele sugere é verdade a partir dos 38 minutos: Alemanha imperial, Curaçao correndo atrás de sombras, Joshua Kimmich puxando os fios, 71% da bola transformados em procissão. Mas a parte da noite que de fato contou alguma coisa aconteceu antes, no trecho em que os estreantes de Dick Advocaat se recusaram a se impressionar.

Felix Nmecha já tinha dado à Alemanha o gol cedo que a pressão exigia, uma tabela com Florian Wirtz e uma finalização encoberta no ângulo mais distante aos seis minutos. O roteiro estava escrito. Curaçao não tinha lido. Aos quinze minutos eles avançaram, e Comenencia — que joga no FC Zürich, bem longe da vitrine da Bundesliga — resolveu limpo, além de Manuel Neuer, para o primeiro gol da história do país em Copas. Atrás dele, Eloy Room, goleiro do Miami FC, passou vinte minutos jogando o corpo na linha como se o resultado ainda fosse dele para proteger. Por um tempo, foi.

O gol que entrou para a história

É isto que uma Copa faz e o replay nunca guarda: deixa você provar antes de tirar. A recompensa de Curaçao pela coragem foi descobrir, em tempo real e em velocidade máxima, a distância exata entre acreditar que pertence e sobreviver diante da elite. A diferença não é esforço. É margem. Nico Schlotterbeck a encontrou primeiro, chegando à primeira trave para cabecear o cruzamento de Nathaniel Brown e fazer 2-1, e o calor do empate sumiu antes do intervalo chegar de verdade.

O que terminou de quebrá-los foi o momento. No quinto minuto de acréscimos, Nmecha caiu após a entrada de Riechedly Bazoer — ele garantiu que o árbitro visse, mas o contato foi real — e a corrida picotada de Kai Havertz mandou Room para o lado errado. Estar 1-1 é uma história que se leva para o vestiário. Perder de 3-1 depois de comandar a conversa por meia hora é um peso completamente diferente, e Curaçao voltou para o segundo tempo carregando esse peso.

Depois disso, a Alemanha simplesmente não parou de chegar. Jamal Musiala, o melhor em campo, fez o gol que seu primeiro tempo merecia, recebendo o passe de Kimmich e batendo Room na trave mais distante dois minutos após o reinício. Brown acrescentou um voleio de lado que não tinha o direito de bater tão bem. Deniz Undav, que entrou no lugar de Musiala, marcou um e construiu mais dois: um rolamento finalizado em cima da linha e depois o passe que selou o segundo de Havertz, um chute que desviou na chuteira de um zagueiro e morreu junto à trave. Sete gols, quatro artilheiros, um reserva com participação em três deles. Essa profundidade é o que faz a Alemanha ser a Alemanha.

E mesmo assim. Uma tetracampeã que quer o quinto título ficou empatada com uma estreante por um quarto de hora e pareceu, nesses minutos, um time em que dá para chegar: pressionada ao erro, pega de frente, obrigada a defender o próprio gol. Julian Nagelsmann vai levar a décima vitória seguida e a confiança limpa das finalizações. Ele deveria guardar aqueles primeiros vinte minutos num lugar onde possa achar de novo.

E vale um pensamento para o homem na área técnica de Curaçao. Advocaat, 78 anos, já largou esse trabalho uma vez para ficar com a filha, viu o sucessor largar também, e voltou para se tornar o técnico mais velho a pisar na lateral de uma Copa do Mundo. Foi recompensado com o gol de Comenencia e punido com seis. Já viu futebol suficiente para saber qual dos dois guardar.

Porque a Copa de Curaçao nunca seria decidida aqui. Ninguém na ilha marcou a Alemanha como a noite que viraria seu torneio. Equador e Costa do Marfim são os jogos que vão virar, e a única pergunta que importa agora é se a fé que produziu quinze minutos extraordinários pode ser invocada de novo quando o adversário for batível. Eles provaram, por um instante, que pertencem ao palco. Se conseguem vencer nele é uma pergunta que este placar não responde — e que nunca foi a certa para fazer.

Copa do Mundo 2026 · Houston Stadium
NMECHA 6'
SCHLOTTERBECK 38'
HAVERTZ 45'+5'
MUSIALA 47'
Nathaniel BROWN 68'
Deniz UNDAV 78'
HAVERTZ 88'
Livano COMENENCIA 21'
Germany · 3-4-34-1-2-3 · Curaçao
1NEUER
4Jonathan TAH
6KIMMICH ★
15SCHLOTTERBECK
18Nathaniel BROWN
5PAVLOVIC
10MUSIALA
17Florian WIRTZ
19SANÉ
23NMECHA
7HAVERTZ
1Eloy ROOM
5Sherel FLORANUS
18Armando OBISPO
23Bazoer
24Deveron FONVILLE
7Juninho BACUNA
8Livano COMENENCIA
10Leandro BACUNA ★
21Tahith CHONG
9Juergen LOCADIA
12Sontje HANSEN

Lances do jogo

Jeremy Antonisse ↔ Sontje HANSEN 🔁
⚽ NMECHA
6'
21'
Livano COMENENCIA ⚽
⚽ SCHLOTTERBECK
38'
⚽ HAVERTZ
45'+5'
⚽ MUSIALA
47'
🔁 Deniz UNDAV ↔ Jamal MUSIALA
64'
65'
Jearl MARGARITHA ↔ Juergen LOCADIA 🔁
⚽ Nathaniel BROWN
68'
🔁 Leon GORETZKA ↔ Felix NMECHA
72'
🔁 Antonio RUEDIGER ↔ Jonathan TAH
72'
🔁 David RAUM ↔ Nathaniel BROWN
72'
⚽ Deniz UNDAV
78'
82'
Gervane KASTANEER ↔ Tahith CHONG 🔁
🔁 Waldemar ANTON ↔ Joshua KIMMICH
83'
⚽ HAVERTZ
88'

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