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Carlos Alcaraz x Ben Shelton: por que as quartas do US Open serão decididas no sangue-frio, não na potência

Jack T. Taylor

O chaveamento anuncia um blockbuster. A expectativa promete fogos de artifício. Ben Shelton, todo ombros e trovão canhoto, contra o atual campeão que passou longos meses se perguntando se o punho algum dia o deixaria balançar a raquete livremente de novo. Todo mundo quer saber se o saque do americano é finalmente grande o suficiente para nocautear Carlos Alcaraz fora do próprio torneio. É a pergunta errada. Esta quartas de final não será decidida pela força com que Shelton bate na bola. Será decidida pelo que se passa por trás dos olhos de Alcaraz.

Porque a história aqui não é a de um desafiante chegando. É a de um campeão que deveria estar enferrujado e simplesmente se recusa a estar. Uma lesão no punho tirou Alcaraz do jogo pela maior parte de uma temporada — sem partidas, sem ritmo, o tipo de paralisação que normalmente deixa um jogador buscando um timing que já não atende ao chamado. Ele voltou a Nova York, à quadra maior e mais barulhenta do esporte, e se movimenta como um homem que nunca saiu. Isso não é um fato físico. É um fato nervoso.

Observe as evidências. Ao longo de cinco meses afastado, a dúvida deveria ter se acumulado em algum lugar; em vez disso, Alcaraz cedeu um único set em quatro partidas. Contra Tommy Paul, um americano do top 10 com todos os motivos para testar um campeão em retorno, ele foi limpo e impiedoso, quebrando o saque quase à vontade e fechando em sets diretos. Seus oponentes derrotados recorrem ao mesmo vocabulário. Paul chamou seu nível de “incrível”. Shelton, observando da outra metade da chave, foi além: voltar após quase cinco meses fora e jogar assim, disse ele, é “sobre-humano”.

Nada disso faz de Shelton um mero coadjuvante. O oitavo cabeça de chave é a versão mais perigosa de si mesmo que ele já carregou para um Grand Slam. Ele desmontou Stefanos Tsitsipas sem ceder uma quebra de saque, sustentando um serviço que deu ao grego quase nada para ler, doze ases e nenhum break point concedido. Ele chega com o título do Masters de Montreal, conquistado sem perder um set, e com a história puxando sua manga: nenhum americano vence um Grand Slam desde Andy Roddick, uma seca longa o suficiente para parecer uma dor nacional. “Acho que vai ser um show de fogos”, prometeu Shelton. Patrick McEnroe, nada de opinião branda, aposta que ele vence tudo.

Aqui está o que o barulho ignora. Shelton enfrentou Alcaraz três vezes e perdeu as três, a última delas em Roland Garros, e a forma dessas derrotas nunca foi sobre potência. Shelton pode superar quase qualquer um em uma noite inspirada. O que ele nunca fez foi superar Alcaraz na duração de uma partida longa — os momentos em que uma vantagem oscila, a torcida aperta, e o homem do outro lado da rede precisa decidir, ponto a ponto, se ainda acredita. Esse é o território de Alcaraz. É o único músculo que uma lesão no punho não pode atingir, e a única coisa que cinco meses de reabilitação poderiam ter apodrecido silenciosamente. Até agora, parece intocado.

Alcaraz percebeu o perigo sem inflá-lo. Shelton é “um jogador realmente poderoso”, disse ele, alguém que “usa a torcida, as pessoas atrás dele”. Ele sabe que a Arthur Ashe não será sua sob as luzes; ela rugirá pelo americano. Ele já venceu lá com o público contra si, e vencer feio, vencer apertado, é exatamente a habilidade que todos supõem que o afastamento deveria ter tirado.

Portanto, se o saque de Shelton vai encerrar um reinado, ele precisa quebrar algo que não rachou em toda a quinzena. Um campeão que voltou de quase uma temporada inteira de dúvidas e cedeu um set em quatro rodadas não é, com base nessa evidência, um homem cujo nervo está à venda. Shelton traz o saque. Alcaraz, ainda, traz o estômago para a luta — e é isso, não o radar, que faz do favorito o favorito.

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