Esportes

Harrison e Skupski vencem o US Open: oito cirurgias depois, o segundo Grand Slam

Jack T. Taylor

Um troféu de duplas normalmente não vem com histórico médico. Este vem. Quando Christian Harrison fechou o US Open em Nova York, o placar registrou uma vitória simples. Não registrou os anos que o americano passou longe das quadras, nem o longo período de seus vinte e poucos anos em que bater numa bola de tênis era algo que outras pessoas faziam enquanto ele esperava para se recuperar.

O que ele e Neal Skupski fizeram em Flushing Meadows parece, no papel, um resultado limpo — um título conquistado em sets diretos, mais um major somado ao que já haviam vencido nesta temporada, um lugar numa lista muito curta de equipes que levaram tanto Nova York quanto Melbourne num único ano. Por baixo disso, há algo mais raro do que qualquer estatística: dois homens que, por qualquer cálculo razoável, estavam acabados — e se recusaram a aceitar isso.

Comece por Harrison, porque o próprio corpo dele passou a maior parte de uma década tentando encerrar sua carreira. Oito operações — quadris, ombro, punho, ambos os adutores, um fêmur reparado duas vezes. Várias delas acumuladas num único ano, uma sequência que o manteve fora das quadras por quase três. A partir dos quinze anos, ele perdeu a maior parte de nove anos para cirurgias e reabilitação; seu ranking despencou para 789º. O juvenil que um dia foi apontado para um futuro em simples nunca teve a chance limpa que seu talento prometia.

O que ele fez, em vez disso, foi recusar a saída. Ele se reconstruiu como jogador de duplas — a disciplina em que o jogo de pés pode ser poupado, os pontos são mais curtos, e um corpo remendado ainda consegue encontrar as linhas. Essa reinvenção não é um prêmio de consolação. Este ano, ela o tornou campeão de dois Grand Slams, primeiro em Melbourne, agora em casa. “Tem sido um grande ano”, disse ele. “Conquistar dois títulos assim, estou sem palavras — e fazer isso em casa.” Leia as três últimas palavras devagar. Para um homem que passou seus melhores anos atléticos em recuperação, casa não é um enfeite na citação. É o ponto central dela.

Do outro lado da rede estava um homem cuja história ecoa a dele. Skupski havia saído desta mesma quadra de Nova York como finalista derrotado duas vezes, uma delas segurando match points na final antes de o título se dissolver em suas mãos — a crueldade particular de chegar perto o suficiente para tocar um troféu e vê-lo evaporar. “Ainda estou em choque”, disse o inglês. “Perder duas vezes e ter match points no ano passado foi uma parte difícil da minha carreira, mas é incrível o que um ano faz no tênis.” Um ano fez isto: o quase virou campeão.

O tênis em si foi um estudo em não dar nada. Eles venceram a dupla alemã Kevin Krawietz e Tim Puetz — os sextos cabeças de chave contra os quintos deles — por 6-4, 7-6, e fizeram isso sem ceder um único set em toda a quinzena, um nível de controle que só um punhado de equipes já conseguiu aqui. Controle é a palavra certa. Dois jogadores que perderam tanto de suas carreiras para o acaso sentaram-se e deixaram quase nada para ele.

A parceria é, em si, um pequeno ato de fé. Harrison e Skupski haviam se unido anos atrás, se separaram, e só se reencontraram nesta temporada — e então venceram o Australian Open no segundo torneio juntos de volta. O que poderia parecer uma reunião de conveniência tornou-se o melhor ano da vida de qualquer um dos dois no esporte.

Em algum lugar de um arquivo de rankings há uma linha registrando que Christian Harrison, em seu ponto mais baixo, estava em 789º no mundo e tinha acabado de acordar de outra operação. Ele agora possui dois títulos de Grand Slam numa única temporada, e o segundo tem o nome de Nova York estampado. Corpos quebram. Este foi reconstruído em um campeão.

Tags: , , , ,

Discussão

Há 0 comentários.