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Copa do Mundo 2026, Grupo C: o Brasil favorito — o Marrocos tem a semifinal de 2022 como prova

Jack T. Taylor

O Brasil chega ao Grupo C da Copa do Mundo 2026 como sempre chega às grandes competições: como a resposta óbvia a uma pergunta que ninguém fez ainda. O elenco de Carlo Ancelotti é o mais talentoso do continente americano neste verão do hemisfério norte. As projeções colocam o Brasil no topo do grupo em mais de 60% das simulações. Analistas, imprensa especializada, o consenso pré-torneio — todos apontam na mesma direção.

O Marrocos não lê consensos pré-torneio.

O que os Leões do Atlas trazem para o Grupo C não é ranking nem estatística de qualificação: é a experiência concreta de ter enfrentado um favorito em uma Copa do Mundo e não ter cedido. No Catar, eles bateram a Espanha. Bateram Portugal. Seguraram a França. A semifinal de 2022 não foi acidente — foi o produto de uma identidade tática construída em dezoito meses que os jogadores fizeram sua. Essa identidade está aqui, mesmo que Walid Regragui já não esteja. Ele pediu demissão em março, três meses antes da Copa, e Mohamed Ouahbi assumiu. Nove jogadores da histórica semifinal no Catar viajam para a América do Norte. Achraf Hakimi, 95 convocações, campeão da Champions League pelo PSG nesta temporada, capitaneia o grupo. Sofyan Amrabat ancora o meio-campo. Brahim Díaz marcou em todos os jogos da AFCON 2025 — cinco gols em cinco partidas.

O primeiro jogo do Grupo C é o argumento central do grupo.

O Brasil sob o peso do favoritismo

O Brasil de Ancelotti terminou em quinto nas eliminatórias sul-americanas — dado difícil de colocar ao lado de cinco títulos mundiais, mas é a realidade. Seis derrotas em dezoito jogos. Dezessete gols sofridos. Não é uma equipe que esmaga: é uma equipe sendo construída em torno da disciplina antes da improvisação, exatamente nessa ordem. Todo instinto futebolístico que o Brasil carrega em seu DNA resiste a essa sequência. Ancelotti aposta o título nessa tensão.

A válvula de escape é Vinicius Júnior. Com 23 anos, o atacante do Real Madrid é um dos melhores do mundo — e Ancelotti sabe exatamente como usá-lo, porque já fez isso. Raphinha traz amplitude e inteligência pelo Barcelona. Neymar está aqui com 34 anos, recuperado de sua segunda cirurgia séria no joelho, convocado com expectativa calibrada: Ancelotti parece vê-lo como opção de profundidade, não como motor.

O Marrocos e a questão do técnico

A saída de Regragui é a única variável na preparação marroquina sem resposta clara. O histórico de Ouahbi é no futebol de base — inteligente e tecnicamente preciso, mas não a gestão de um torneio internacional de elite. O que ele herdou não é um grupo sem forma. A organização defensiva do Marrocos passa por Amrabat e a linha de defesa de um jeito que não requer reinvenção tática. O sistema existe. A química existe.

Hakimi é o lateral ofensivo mais perigoso deste torneio. Díaz dá ao Marrocos um fio criativo que o elenco de 2022 não tinha no mesmo nível. Oitavo no ranking mundial, campeão vigente da Copa Africana das Nações, com nove sobreviventes da melhor campanha africana da história das Copas — a ferida da troca de técnico é real. Não é fatal. O que Ouahbi precisa preservar não é tanto um esquema tático quanto uma herança psicológica: a certeza coletiva de que esse grupo de jogadores já fez o que todos diziam ser impossível.

Escócia, Haiti e a lógica do sorteio

A Escócia volta à Copa do Mundo depois de 28 anos. O elenco que Steve Clarke montou é provavelmente o mais experiente desse longo intervalo: Andy Robertson com 92 convocações e a braçadeira de capitão, John McGinn com 85 como o cérebro por trás. A Escócia nunca passou da primeira fase em suas oito participações anteriores em Copas. Esse histórico não é destino — é um problema estrutural que este time quer resolver com experiência e com clareza sobre onde estão os pontos.

O primeiro adversário é o Haiti, em Boston. O Haiti chega a uma Copa do Mundo pela primeira vez desde 1974. O jogo mais acessível do grupo no papel e o que a Escócia não pode se dar ao luxo de não vencer. A vitória gera impulso para enfrentar o Marrocos. A derrota transforma o Grupo C em missão de resgate. A dúvida não é se a Escócia sabe disso — é se o peso de 28 anos chegando todos de uma vez permite que joguem como precisam.

A forma do grupo

A segunda rodada, em 19 de junho, clarifica os dois caminhos: Escócia x Marrocos em Boston, Brasil x Haiti na Filadélfia. A rodada final de 24 de junho traz Brasil x Escócia em Miami e Marrocos x Haiti em Atlanta.

A arquitetura favorece o Brasil no topo do grupo. Ancelotti tem profundidade de elenco para absorver um jogo de abertura difícil. O Marrocos é o principal candidato ao segundo lugar — e, dependendo do que acontecer em Nova Jersey, talvez ao primeiro. A Escócia precisa da vitória sobre o Haiti e depois de um resultado contra o Marrocos. O Haiti está aqui para deixar uma marca que a classificação final não vai refletir por completo.

O Brasil é o favorito para liderar o Grupo C. O Marrocos carrega a prova de 2022 de que os favoritos só são favoritos até alguém os tirar. Ambos chegam ao MetLife em 13 de junho para descobrir qual argumento vale mais.

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