Tecnologia

16,68 bilhoes de dolares depois, a Meta precisa adicionar os limites de tempo que o Instagram foi criado para evitar

Adrian Kessler

A Meta pagará US$ 16,68 bilhões para resolver as acusações de 29 procuradores-gerais de estados americanos de que ela projetou suas plataformas para serem psicologicamente coercitivas para usuários adolescentes. O acordo é a maior resolução de segurança infantil da história dos EUA. A Meta nega irregularidades.

A acusação central não era que o Instagram simplesmente fosse popular entre adolescentes. Era que as equipes de produto da Meta fizeram escolhas específicas de design — rolagem infinita sem sinais de parada, temporização de notificações ajustada a padrões psicológicos, contagens de curtidas exibidas para maximizar a comparação social — depois que pesquisas internas confirmaram que essas escolhas intensificavam o uso compulsivo e pioravam o bem-estar, especialmente de garotas adolescentes. Os estados argumentaram que a Meta continuou criando e implementando esses recursos enquanto contestava publicamente a ligação entre o uso da plataforma e a saúde mental dos adolescentes.

O acordo determina mudanças na forma como a Meta gerencia contas de adolescentes no Facebook e no Instagram. Contas classificadas como pertencentes a usuários menores de 18 anos devem entrar no modo noturno da meia-noite às 6h, bloqueando o acesso. Um limite diário de uso de duas horas é aplicado por padrão. As contagens de curtidas ficam ocultas para usuários adolescentes durante a navegação. As notificações são suprimidas durante o horário escolar. Esses são recursos que a Meta resistiu publicamente por anos, alegando que controles parentais e a escolha do usuário eram suficientes.

A pesquisa interna citada no caso inclui um relatório de 2021 do Wall Street Journal baseado em estudos da própria Meta. Um estudo descobriu que o Instagram piorou a imagem corporal de 32% das garotas adolescentes que já se sentiam mal com seus corpos. Pesquisadores da Meta haviam descrito a plataforma como uma máquina de comparação social negativa para esse grupo de usuários. Uma apresentação interna separada identificou as garotas adolescentes como o grupo publicitário de longo prazo mais valioso financeiramente. Os estados argumentaram que a empresa tinha tanto as evidências quanto o incentivo para agir e optou por não fazê-lo.

As plataformas continuam operando sob o acordo. A Meta não é obrigada a remover a classificação algorítmica para conteúdo adolescente, desabilitar o Reels ou modificar a infraestrutura principal de recomendação. As mudanças exigidas adicionam atrito à experiência sem reestruturar o funcionamento das plataformas em nível de sistema. As contas de adolescentes encontrarão limites; o motor de engajamento que gerou esses limites continua funcionando.

Vinte e nove estados participaram do acordo, anunciado em 26 de agosto. A Meta enfrentou um conjunto paralelo de processos de famílias individuais e uma ação federal multiestadual. Este acordo resolve as reivindicações em nível estadual. O padrão que o caso estabeleceu — uma plataforma projeta para o máximo engajamento entre uma classe protegida, suprime evidências de danos e paga após anos de litígio — não é exclusivo da Meta. A estrutura do acordo reflete como a lei de proteção ao consumidor atualmente responde a decisões de design algorítmico: depois do fato, sem exigir que o design mude.

Tags: , , ,

Discussão

Há 0 comentários.