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EUA propõem luz ciano para avisar que ninguém está dirigindo o carro

Susan Hill
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O órgão americano responsável pela segurança no trânsito quer acrescentar uma nova cor às ruas. A Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário (NHTSA) propôs permitir que veículos autônomos tenham luzes sinalizadoras ciano na dianteira, nas laterais e na traseira, acesas apenas quando o carro estiver totalmente no controle da direção e não houver expectativa de que alguém a bordo monitore a via. Para um pedestre na faixa ou um policial que se aproxima de um carro parado, esse brilho azul-esverdeado responderia a uma pergunta que hoje nada na parte externa de um veículo consegue esclarecer: quem — ou o que — está dirigindo.

Hoje, não existe uma maneira padronizada de saber. Um táxi sem motorista e um carro com uma pessoa distraída ao volante parecem iguais para quem está na calçada, e as empresas que querem sinalizar que seus veículos são autônomos improvisaram suas próprias luzes. Em sua proposta, a NHTSA alerta que essa falta de padrão pode se tornar um incômodo ou causar confusão. A luz ciano é uma tentativa de fechar essa lacuna antes que ela se consolide.

As regras são específicas. Um carro poderia ter uma ou duas luzes em cada lado, totalizando de quatro a oito, instaladas a pelo menos 15 polegadas (38 cm) do chão. Elas devem permanecer acesas sem piscar, ligar e desligar ao mesmo tempo e se apagar assim que houver expectativa de que uma pessoa reassuma o monitoramento. Por causa dessa última condição, os sistemas de assistência ao motorista vendidos na maioria dos carros novos, que ainda exigem que uma pessoa acompanhe a via, não poderiam usar a luz.

A escolha recaiu sobre o ciano porque as outras cores já têm função definida. Vermelho, âmbar e branco já carregam significados específicos nos veículos, e o órgão afirma que o azul-esverdeado definido nas normas de iluminação da SAE é diferente do azul das luzes policiais e muito menos intenso. A especificação segue, em grande parte, a SAE J3134, norma do setor para o que os engenheiros chamam de luzes sinalizadoras de ADS — sigla em inglês para sistema de direção automatizada.

A Mercedes-Benz fez boa parte do trabalho preparatório. A empresa defendeu o uso de luzes ciano junto a órgãos reguladores internacionais e realizou, na Califórnia, uma validação rodoviária de dois anos com cinco carros, em um estado cujo código de trânsito já permite essas luzes. Também parece haver demanda: em uma pesquisa com mais de 4.400 motoristas dos Estados Unidos, do Reino Unido, do Japão e da Alemanha, citada pela NHTSA, mais de 80% dos entrevistados americanos e britânicos disseram que carros autônomos deveriam ter esse tipo de luz.

O mesmo pacote também reformula regras elaboradas para carros com volante. Veículos sem controles manuais de direção não precisariam mais ter uma alavanca de seta, um interruptor do pisca-alerta ou um comando do farol alto operados à mão; bastaria algum meio não manual de acionar essas luzes. Isso abre caminho para robotáxis projetados especificamente para esse fim, como o Cybercab, da Tesla, que não têm espaço para instalar uma alavanca.

Os limites são igualmente claros. As luzes continuariam opcionais, porque a NHTSA afirma não ter evidências de que sejam necessárias para a segurança e admite que não consegue estimar os benefícios, em parte porque ninguém sabe quantos veículos desse tipo estarão nas ruas. Um fabricante que prefira não anunciar que seu carro está dirigindo sozinho pode simplesmente deixar as luzes de fora. Elas também não informam o que o carro está prestes a fazer: a NHTSA não permitirá que pisquem como sinal para pedestres e diz não conhecer pesquisas que apoiem esse uso. Na Europa, o grupo de trabalho da ONU sobre veículos automatizados decidiu não recomendar a adoção obrigatória de luzes, citando a falta de certeza.

A proposta vale apenas para os Estados Unidos, mas a China avança em paralelo. O Ministério da Indústria do país abriu uma consulta sobre uma minuta de norma nacional de iluminação que reserva luzes turquesa para carros com automação de Nível 3 ou superior, proíbe seu uso em veículos de nível inferior e não permite que sejam ligadas ou desligadas manualmente. Os reguladores chineses já haviam orientado as montadoras a parar de instalar as “pequenas luzes azuis” não oficiais que se espalharam pelos modelos com sistemas de assistência ao motorista.

O aviso da NHTSA está previsto para ser publicado no Federal Register em 26 de outubro, dando início a um período de 30 dias para comentários públicos, sob o processo NHTSA-2026-1519, antes que o órgão possa elaborar uma regra definitiva. A consulta chinesa termina em 19 de dezembro, e as notas explicativas recomendam que a norma entre em vigor em 1º de janeiro de 2028.

Se as duas propostas forem aprovadas, os dois maiores mercados automotivos do mundo terão adotado praticamente o mesmo sinal azul-esverdeado para um carro sem uma pessoa no comando, antes que a maioria dos motoristas tenha sequer dividido a rua com um deles.

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