IA

Nvidia investe US$ 27 bilhões em tecnologia de IA sem comprar uma única empresa

Adrian Kessler

A Nvidia fechou um acordo para pagar US$ 6 bilhões à Poolside, startup de IA conhecida por seus modelos de codificação, pelo direito de usar a metodologia que a empresa criou para construir e treinar esses modelos. O arranjo é uma licença — não exclusiva, o que significa que a Poolside pode oferecer os mesmos direitos ao Google, à Amazon ou a qualquer outro comprador. Junto com a licença, a Nvidia está investindo US$ 1 bilhão no que resta da empresa, com valuation pré-money de US$ 12 bilhões, e contratando 109 dos aproximadamente 115 engenheiros e pesquisadores da startup.

O que a Poolside construiu chama-se Model Factory: um sistema proprietário para construir grandes modelos de linguagem por meio de aprendizado por reforço a partir da execução de código. Em vez de treinar com base em classificações de preferência humana, o sistema executa milhões de tarefas de codificação comparando os resultados reais da execução, permitindo que o modelo se corrija ao observar o que realmente funciona. A Poolside aplicou esse método com uma equipe de menos de 70 engenheiros para produzir o Laguna S 2.1, um modelo de 118 bilhões de parâmetros que supera concorrentes dez vezes maiores em benchmarks padrão e roda por completo em hardware disponível para desenvolvedores individuais — não apenas em data centers.

A cláusula de não exclusividade na licença é o detalhe que muda o significado do negócio. A Nvidia não comprou a receita; comprou o direito de usá-la. Qualquer concorrente que procurar a Poolside pode negociar o mesmo acordo, e os três cofundadores da Poolside — que permanecem na empresa remanescente — não revelaram o que pretendem construir em seguida. Os US$ 6 bilhões serão distribuídos aos investidores até o fim do ano que vem, momento em que a lógica comercial do que sobra é incerta.

Para os desenvolvedores que atualmente dependem dos modelos Laguna da Poolside para tarefas de engenharia de software, a saída da maior parte da equipe técnica levanta uma questão prática que a empresa não respondeu: quem mantém o roteiro de desenvolvimento daqui para a frente. Os modelos continuam disponíveis, mas os engenheiros que os construíram estarão trabalhando para a Nvidia.

Esta é a terceira vez que a Nvidia adquire capacidade em IA por meio de uma estrutura que não chega à propriedade formal. A empresa fechou um acordo de US$ 20 bilhões para licenciar tecnologia de inferência da startup de chips Groq e absorver a maior parte de sua equipe de engenharia. Também fechou um arranjo semelhante com a Enfabrica, uma empresa de hardware, por cerca de US$ 900 milhões. Nos três negócios, a Nvidia comprometeu aproximadamente US$ 27 bilhões em capacidade de IA sem acionar revisão antitruste, sem carregar ágio no balanço ou exigir votação dos acionistas. O acordo com a Poolside, como os dois anteriores, deve ser concluído antes do fim do ano. Os engenheiros contratados trabalharão no Nemotron, a família de modelos de peso aberto desenvolvida internamente pela Nvidia, voltada aos principais benchmarks de codificação e raciocínio.

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