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O Xperia 1 VIII da Sony custa 1.499 € e mantém a saída de fones de ouvido

Susan Hill

O Xperia 1 VIII combina o Qualcomm Snapdragon 8 Elite Gen 5 de ponta com um painel OLED LTPO de 6,5 polegadas a até 120 Hz, sob Gorilla Glass Victus 2. O destaque está atrás: um sistema triplo de 48 MP que larga a tradicional faixa vertical da marca por uma ilha quadrada e troca o zoom contínuo do ano passado por uma teleobjetiva fixa de 70 mm em um sensor de 1/1,56 polegada. Em jargão fotográfico, esse sensor é cerca de um quarto maior do que o que a maioria dos rivais Android usa no módulo teleobjetiva, o que significa mais luz por pixel e uma tele que ainda funciona no fim da tarde ou em ambientes internos.

A Sony fala com quem usa o celular para tirar foto e ouvir música a sério. O obturador dedicado de dois estágios na lateral continua aqui — meia pressão para focar, pressão completa para disparar —, o que aproxima o aparelho de uma mirrorless compacta mais do que de um telefone. A entrada de 3,5 mm, praticamente extinta nos topos de linha acima de 1.000 €, também segue, junto do suporte a microSD de até 2 TB. Nenhum desses recursos decide a compra sozinho. Juntos respondem a uma pergunta de nicho bem específica — como deve ser um topo de linha para quem já tem um par caro de fones com fio e usa muito a câmera.

Memória e armazenamento estão no topo da grade da Sony. Há configurações com até 16 GB de RAM e 1 TB de UFS 4.1. A bateria é declarada em 5.000 mAh, com carregamento com fio e sem fio de 30 W — nenhum dos números lidera; rivais chineses já entregam 100 W ou mais na mesma plataforma Snapdragon. A Sony compensa o carregamento mais lento com um envelope térmico bem conservador. O benefício prático esperado é desempenho sustentado em sessões longas de vídeo, não recarga mais rápida na tomada.

O preço define para quem o aparelho é de fato. A versão base de 256 GB sai por 1.499 € na Europa e 1.399 £ no Reino Unido. A edição Native Gold de 1 TB — mesmo hardware, cor diferente, maior armazenamento — fica em 1.999 € / 1.849 £. Esses números cravam o Xperia 1 VIII na faixa ultra, acima do Galaxy S26 Ultra padrão e a cerca de cem euros do iPhone 17 Pro Max. A Sony optou explicitamente por não brigar por preço.

Não é um lançamento global. As pré-vendas abriram no dia do anúncio nos mercados tradicionais de Xperia — Japão, Europa, Reino Unido, partes do sudeste asiático — e a companhia não confirmou disponibilidade no varejo dos Estados Unidos, da América Latina, da Índia ou de boa parte do Oriente Médio. Quem o quiser fora dessas regiões dependerá do mercado paralelo, com as ressalvas costumeiras sobre bandas e garantia. As pré-vendas da primeira onda incluem um WH-1000XM6 de brinde por tempo limitado.

O que o anúncio não entrega é uma resposta sólida à questão da IA em torno da qual todos os outros topos de linha de 2026 estão construídos. Enquanto os concorrentes empilham Galaxy AI, Apple Intelligence ou camadas de assistente baseadas em Gemini pelo sistema todo, o discurso de IA da Sony se concentra no processamento de imagem — detecção de cena, redução de ruído, foco automático no olho em vídeo — e fica bem aquém de um assistente generativo integrado. O aparelho roda Android 15 com a skin leve da Sony; a empresa confirma duas grandes atualizações de Android e quatro anos de correções de segurança, o mesmo compromisso oferecido no VII. Para quem busca imagem e som mais do que um chatbot pode bastar; para os outros, soa como um topo de linha que escolhe sair da tendência que não pode liderar.

A Sony confirmou o Xperia 1 VIII em um evento de apresentação no dia 13 de maio de 2026. Os primeiros envios para clientes em pré-venda no Japão e na Europa estão previstos para o fim de maio, com o Reino Unido em sequência no início de junho. A variante Native Gold é um SKU exclusivo da loja Sony em quantidades limitadas e deve esgotar rapidamente nos mercados de lançamento.

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